Capítulo 12: Café Amargo

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Uma semana depois...

A manhã na mansão dos Godoy parecia igual a todas as outras. O cheiro de café fresco se espalhava pelos corredores, misturado ao aroma dos pães ainda quentes. A mesa do café da manhã estava impecável, como sempre — tudo no lugar, talheres brilhando, frutas cortadas com perfeição. Mas o clima... estava longe de ser tranquilo.

Guilherme estava mais atento do que de costume. Sentado à mesa com os pais, seus olhos seguiam discretamente os movimentos de Mônica, que servia o café com as mãos levemente trêmulas. Algo nela chamava atenção — talvez fosse o cansaço no olhar, ou a pressa nos gestos.

Ele não esperou muito.

— Dona Mônica — disse de forma direta, mas sem levantar a voz —, você sabe por que o Victor não tem ido à escola? Ouvi dizer que ele anda faltando bastante. E como meus pais são os responsáveis pela mensalidade dele, achei melhor perguntar.

O silêncio foi imediato.

Mônica hesitou por um segundo, tentando manter o sorriso no rosto, mesmo com o nervosismo visível. Seus olhos percorreram a mesa, como se procurassem um ponto seguro.

— O Victor... ele não anda muito bem. Tá passando por uns dias complicados. Mas vou conversar com ele, sim.

O pai de Guilherme ergueu os olhos do jornal. Sua presença sempre foi imponente, e o tom de voz dele, mesmo calmo, carregava peso.

— Isso precisa ser resolvido. A mensalidade dele é um compromisso. E compromisso, aqui, é coisa séria.

Mônica assentiu rapidamente, tentando não demonstrar o quanto aquela cobrança a afetava. Serviu o restante da mesa com mais agilidade do que o normal e, assim que terminou, recolheu a bandeja e saiu da sala em silêncio, indo direto para o corredor dos funcionários.

Letícia, que acompanhava tudo com atenção, olhou para o irmão com certa reprovação. Ela não concordava com a maneira como ele havia falado. Mesmo que fosse verdade, aquilo parecia frio demais. Guilherme, no entanto, manteve-se impassível.

Sem dizer mais nada, ele empurrou a cadeira para trás e se levantou.

— Preciso respirar um pouco — murmurou, saindo calmamente da sala.

Seus passos ecoaram pelo chão de mármore enquanto ele se afastava, deixando Leti pensativa, com o garfo parado no ar e o olhar perdido na xícara de chá à sua frente.

Enquanto isso, Mônica se encostava numa parede da área dos funcionários, tentando recuperar o controle da respiração. Seu peito apertava só de pensar no filho, que ainda estava no quarto, isolado do mundo. Nos últimos dias, Victor mal comia, não saía nem dizia uma palavra. Parecia carregado por dentro, como se o peso de tudo estivesse sufocando.

Ela queria poder protegê-lo, mas estava sem forças. Entre servir os patrões e tentar consolar o filho, Mônica sentia que estava por um fio.

Do outro lado da mansão, Letícia ainda pensava em tudo aquilo. Havia algo estranho em como seu irmão vinha agindo. Desde a humilhação na escola, ele estava diferente. Mais frio. Mais distante.
Ela não queria acreditar que Guilherme pudesse ter se envolvido tão profundamente naquela situação…

CONTINUA…

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⏰ Última atualização: Jun 28, 2025 ⏰

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