Victor ainda tava no quarto, deitado, tentando digerir o que tinha acabado de acontecer. Mas do outro lado da mansão, Guilherme desceu as escadas com cara de poucos amigos, pisando firme, como alguém que ia explodir a qualquer momento.
Os degraus brilhavam tanto que até pareciam escorregadios, mas ele tava tão cheio de raiva que mal reparava onde pisava. Só queria chegar no salão de jantar e se enfiar num prato de comida pra ver se acalmava o sangue fervendo.
Letícia, que tinha acabado de sair da biblioteca e tava vindo atrás, percebeu de longe o jeito estranho do irmão. Franziu a testa e foi andando mais devagar, de olho nele. Algo tinha rolado, isso era certeza.
No salão, tudo como sempre: aquela mesa gigante, cheia de talher dourado, luz de lustre brilhando mais que sol de meio-dia e as empregadas indo e vindo organizando tudo no capricho. Era um jantar normal pros padrões da família Godoy. Menos pra Gui, que só queria sentar e fingir que nada tinha acontecido.
Só que Leti não era do tipo que deixava passar. Se aproximou devagarinho e puxou assunto, tentando arrancar alguma coisa dele.
— Oye... ¿tá tudo bem? Cê tá com uma cara de quem chutou a parede e ainda ficou com raiva da parede — falou tentando quebrar o clima.
Gui só bufou e desviou o olhar.
— Não tô afim de falar disso agora, Leti — respondeu seco.
Mas ela era insistente. E teimosa.
— Ay por Dios, ¡conta logo! Você me deixou curiosa. Anda, dime, dime, dimeeee... — implorou num tom meio manhoso, batucando os dedos na mesa.
— Tú me dijiste que nunca ia esconder nada de mí... — lembrou ela, colocando um pouco de drama.
Guilherme revirou os olhos e explodiu do nada.
— ¡Aaaah, por los car*lhos 7 infiernos, cala a boca um pouco, Letícia!
— Aquele imundo, o filho da empregada, teve a audácia de me enfrentar! Me irritou no meu próprio espaço! Não quero falar disso, ¡esquece!
Leti ficou meio chocada, mas ao mesmo tempo preocupada. Sabia que o irmão tinha um temperamento péssimo, e quando alguém mexia com o ego dele, era só questão de tempo até alguma besteira acontecer.
— Ai, Gui... só não faz nenhuma burrada, tá bom? — falou, passando a mão nos cabelos dele e se afastando com jeitinho.
— Dale, dale. Não enche. Eu me viro — respondeu, ainda com aquela cara de quem planeja coisa.
Letícia se afastou, mas continuou de olho, porque conhecia bem o irmão que tinha. Quando ele se calava desse jeito, era porque já tava armando alguma coisa.
Guilherme puxou o celular do bolso e entrou direto no grupo do WhatsApp dos amigos: "Los Cabrones 🔥" — nome que eles tinham dado pro grupo. Lá tavam Juan, Henry, Ádrian, Eduardo e Alex. Todos os clássicos do grupinho tóxico da escola.
Digitou rapidão, contando do empurrão que levou do Victor e o jeito "desaforado" do garoto. Em segundos, os áudios e mensagens começaram a chegar.
Eduardo, como sempre, foi o primeiro a bolar um plano:
— "Vamos expor esse cara. Acaba com a imagem dele antes que alguém comece a simpatizar com ele."
Henry e Ádrian foram direto ao ponto:
— "Bora pegar ele na saída. Ensina quem manda."
Juan e Alex começaram a jogar outras ideias, mais na zoeira, mas ainda assim perigosas. E o grupo começou a se agitar.
Enquanto isso, Letícia continuava sentada um pouco afastada, olhando de canto pro irmão digitando sem parar. Ela tinha quase certeza que alguma coisa ruim tava vindo por aí… e tava dividida entre continuar leal ao Gui ou impedir que isso saísse do controle.
Na ala dos funcionários…
Victor tava trancado no quartinho, andando de um lado pro outro. A cabeça dele parecia que ia explodir. Não conseguia parar de pensar no que Guilherme podia fazer. Não era só sobre ele agora, era sobre a mãe também. Se alguma coisa desse errado, o emprego dela podia ir pro ralo.
Sem saber muito o que fazer, pegou o celular e mandou mensagem pra única pessoa em quem ele confiava ali: Maky.
> “Oi… aconteceu uma coisa hoje com o Guilherme. Não quero entrar em detalhe ainda, mas tô ferrado. Alguma ideia de como lidar com isso antes que piore?”
Ele ficou encarando a tela, esperando aquela bolinha azul de "digitando..." aparecer.
CONTINUA...
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Destinos Cruzados
FanfictionVictor Andrade sempre viveu em Apiaí, uma cidade pequena do interior de São Paulo, onde tudo parecia seguir o mesmo ritmo de sempre. Ao lado da mãe, dos amigos e de quem ele ama, nunca imaginou que sua vida pudesse mudar tão de repente....Mas uma op...
