Capítulo 5

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- Deu algum problema no site? – Brendon me perguntou quando atendeu a ligação.

- Ahn... Não.

- Então, qual o problema?

- Eu tenho falado com o Justin. – O telefone ficou mudo. Quer dizer, eu escutava o barulho da televisão de fundo e da respiração do Brendon, mas ele não falava nada. – Fala alguma coisa! Você tá me deixando nervosa.

- Alguém sabe disso?

- Não. Mas se alguém soubesse eu não ia ligar.

- Deveria. Se isso chegar aos ouvidos do Brian, ele vai enlouquecer. Como vocês começaram a se falar?

- To participando do grupo de apoio do colégio. – Mordi o lábio.

- Alguém mais sabe disso?

- Não.

- Você tem que parar de fazer as coisas pensando no que os outros vão achar. Quem realmente te conhece além de mim? Nem o Brian conhece você direito, Anne.

- Não começa com o sermão, Brendon. Hoje não to com paciência.

- Eu não to dando sermão. Eu to falando a verdade. E to falando isso pro seu bem.

- Mas eu não quero contar. Eu to bem assim. – Ele não falou nada. – Tá. Talvez eu conte pro Brian.

- Olha! Um progresso.

- Cala a boca, Brendon! – Ele riu.

- Mas pensa no que eu te falei, tá? Aquilo foi sério.

(...)

- Eu preciso te contar uma coisa. – Falei pro Brian no telefone.

- Pode falar.

- To visitando o grupo da escola.

- De leitura? O que tem?

- Não. O grupo de apoio. – Ele ficou em silencio. Depois começou a rir.

- Para de piada, Anne.

- Mas é verdade.

- Quem te chamou pra ir lá?

- A diretora. – Ficamos em silencio de novo. Eu odiava isso. Odiava nunca saber o que o silencio do Brian significava.

- Vou com você da próxima vez. Quero ver como é essa reunião.

- Brian, não precisar dar as caras lá. Só...

- Não quer que eu vá?

- Não é isso. É que...

- Tem o que lá pra você não querer que eu vá?

- Nada. Mas o que você iria fazer lá?

- Te acompanhar. Não posso?

- Tá, Brian.

- Vou desligar. Depois eu vejo o dia o e horário lá na escola. Beijo. Te amo. – Ele disse e desligou. Decidi tomar banho. Depois, fui pra biblioteca, peguei um livro e fui pro jardim de inverno. Aí eu fui me tocar de algo. Larguei o livro ali mesmo na poltrona e corri pra garagem. Tirei o carro e fui até a confeitaria. Estacionei e entrei. Justin não estava no balcão. Era outro menino.

- Oi. O Justin não veio hoje? – Perguntei.

- Justin, é pra você! – Ele berrou. Justin veio lá da cozinha.

- Oi, Anne. – Ele disse quando apareceu.

- Oi. Atrapalho?

- Não. To no horário de descanso. Espera aí. Já to saindo. – Me escorei no balcão. Ele não demorou a sair. Saímos de lá e entramos no meu carro.

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