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Tá, eu até que estou nervosa, mas tipo, não é um encontro, vamos sair como amigos, né? Não preciso me arrumar tanto assim.

Falo isso, mas estou emperiquitada dos pés a cabeça. Finalizei o cabelo e ficou impecável, o vestidinho midi laranja colado e a jaqueta puffer me deixou perfeita, coloquei um sapato bem lindinho e até me maquiei. Ni-Ki chegaria a exatos cinco minutos e eu estava bem nervosa.

Vou para a sala e encontro meu pai no sofá.
- E aí, pai? Tô bonita? - Dou uma voltinha.
- Tá incrível, minha filha. Se esse garoto não se apaixonar hoje, não aceito de jeito nenhum.
- Não exagera, pai, a gente tá indo devagar.

Ouço a campainha tocar e corro para abrir a porta.
- S/N... Oi.
- Oi, Ni-Ki. - Cumprimento com um sorrisinho. - Pai, tô saindo! - Grito para que ele escute.
- Tá bom, filha, me liga qualquer coisa e avisa se for dormir fora. - Hein? Esse velho fica me envergonhando desse jeito.
- Desculpa pelo meu pai, ele pode ser desbocado ás vezes.
- Tudo bem, é engraçado. Vamos? A sorveteria não é longe daqui.

Andando pelo passeio, conversamos sobre todo tipo de assunto, os mais aleatórios possíveis. Descobri seus gostos por comida, de roupas e até de animaizinhos. Mal vi o tempo passar enquanto tomávamos sorvete e batíamos papo.

Ficar ao lado dele me parece cada vez mais confortável e eu me sinto segura para falar de tudo. É bom tê-lo por perto de novo.

Quando acabamos o sorvete, ele me levou para sua casa para assistirmos filme e comer pipoca.

- Você gosta de que filme? Pra ser sincero, eu adoro um romance bobo. - Segredou mais um de seus gostos para mim.
- Eu também. Vamos assistir esse então. - Aponto para um romance americano.

O filme era interessante, clichê, mas fofo e engraçado também.

No segundo filme, já estava ficando um pouco entendiada e com sono. Comia pipoca a fim de me tirar a sonolência. Colocando a mão no pote, sinto a mão de Ni-Ki e tiro a minha rapidamente, viro para a TV, sentindo o rosto queimar de vergonha.

Apesar disso, ele tira o pote e o coloca de lado, junta nossas mãos e sinto seu olhar profundo.
- Não precisa ficar assim, S/N, olha pra mim. - Seus dedos puxam meu queixo, me obrigando a olhar em sua direção.

Sei que estou com o rosto vermelho, sei que é um namoro de mentira, sei que não deveria cogitar gostar dele, somos amigos, mas nada parece tão sincero quanto esse momento.

Seus olhos descem para meus lábios e acabo mordendo-os por instinto, não entendo o que está acontecendo, mas espero que não acabe. Ele aproxima seu rosto do meu e fecho os olhos esperando seu toque.

- Ni-Ki? - A porta da sala bate e me distancio consideravelmente dele.
- Pai? Achei que chegaria mais tarde hoje. - Se levanta de uma vez.
- Liberei todo mundo mais cedo. Quem é essa? A menina de quem tanto fala?
- Ah, sim. Pai, S/N, S/N, pai.

Cumprimento o Sr. Nishimura com um aperto de mão e uma leve reverência.
- Um prazer te conhecer, senhor.
- Não precisa dessa formalidade, pode me chamar de sogro. O prazer é meu. Você me parece bem familiar, S/N, já nos conhecemos?
- Bem, deve conhecer meu pai, ele é sócio da empresa do senhor.
- Sim, vocês são muito parecidos mesmo. Mas, então, Ni-Ki demorou a te trazer aqui, ele vivia falando de você para os quatro cantos.
- Pai! Não precisava falar isso. - Ni-Ki se joga no sofá de forma dramática.
- Precisa sim. Fico aliviado de vê-lo assim, cuide bem do meu garoto, S/N, não o machuque. Vou subir, qualquer coisa, estou no escritório.

Entãooooo, e agora? A gente tinha o clima perfeito, a química perfeita, era a hora certa. Com todo respeito, ele tinha que chegar justo agora?

- Desculpa, S/N, meu pai tem exagerado em tentar ser mais presente na minha vida.
- Tudo bem, - Rio. - É bom que ele seja assim, fico feliz de ver que agora vocês estão próximos.
- Sim, depois de ter terminado com a Jennie, expliquei os motivos pra ele e como ela era tóxica, pedi pra ele não insistir naquele relacionamento mais. Ele tava quase implorando pra eu ter uma namorada boa pra mim.
- Eu sou essa namorada boa, então?
- Bem, até agora, tem sido sim. - Rio ainda um pouco envergonhada de olhá-lo.

A noite passou e eu nem reparei, terminamos o filme, sem interrupções e sem mãos dadas, infelizmente. Seu pai me convidou para dormir aqui e fui avisar meu pai.

- Pai, certeza que não tem problema eu dormir aqui? Posso voltar ainda.
- Que nada, menina! Acha que eu vou atrapalhar vocês dois? Jamais, quero ver o final dessa história logo.
- Não precisa falar assim, poxa, tá jogando sua filha aos lobos.
- Aham, duvido que você não goste desse lobo aí. Tchau, filha, amanhã te vejo.

Meu pai... Ele é maluco? Como ele deixa a filha dormir na cssa de um menino? Um menino que ela supostamente namora?

- Princesa, vem logo, vou separar uma roupa pra você se banhar.
Dito isso, subi sem pensar duas vezes e fui tomar meu banho. Preciso citar o tamanho de suas roupas em relação a mim de novo? Acho que já dá para imaginar, né. Saio do banheiro e ele parecia ter saído do banho na mesma hora.

O cabelo molhado, o abdômen marcado pelos exercícios que praticava, a toalha pedindo socorro quase caindo da sua cintura e gotinhas de água pelo corpo inteiro.

- Que isso, princesa? Nem apaguei a luz ainda. - Fala ao ver que eu estava secando-o.
- Deixa de ser convencido, Ni-Ki. Só assustei, ué.
- Assustou tanto que nem conseguiu tirar o olho, né? Sua tarada. - Ri alto e volta a secar seus cabelos.
- Para de bobeira, implicante.

Me pegou no flagra, mas acontece, até então, ele é meu namorado, de mentira, mas namorado.

- Onde eu vou dormir?
- Como assim? Vai dormir aqui. - Fala como se fosse óbvio.
- Claro que não. Onde eu vou dormir, Ni-Ki?
- Meu pai acha que a gente namora, você vai dormir aqui comigo.

Sua fala foi como se desbloqueasse a minha imaginação e lembrasse do quase beijo no sofá mais cedo. Meu rosto queima por inteiro.

- Não vamos fazer nada, princesa. A não ser que você queira.
- Hein?
- Não fique desapontada.
- Que desapontada o que, garoto! Não me estressa.

Me deito na cama o mais encolhida possivel, mas ao desligar a luz, ele se enfia debaixo das cobertas e me puxa para si, me apertando e enfiando seu nariz no meu pescoço. Não pude controlar meus arrepios, nem o nervosismo na barriga.

- Eu sempre abraço um travesseiro pra dormir, essa vai ser sua função.

(Un) Predictable - NiKiOnde histórias criam vida. Descubra agora