ELEANOR
ESTOU CORRENDO DESCALÇA.
Cada passo que dou se afunda na terra encharcada, lançando lama e água para trás. A chuva despenca do céu sem trégua, tamborilando contra as folhas, as pedras, e a minha pele.
Meu coração bate tão forte que parece querer romper as costelas.
Não sei do que estou fugindo.
Só sei que preciso continuar correndo.
A certeza vive em algum lugar profundo, primitivo, além da razão. Um instinto cru que grita dentro de mim.
Corra.
Corra.
Corra.
A chuva transforma meus fios platinados em mechas pesadas que se prendem ao meu rosto e ao pescoço. A água gelada escorre pela minha pele, deslizando pela coluna como dedos de um cadáver.
Eu poderia detê-la.
Poderia comandar cada gota, fazê-la se abrir diante de mim ou erguer uma muralha de gelo entre mim e o que me persegue.
Mas não consigo.
Porque toda a minha atenção está voltada para a única coisa que importa.
Continuar em movimento.
Permanecer à frente.
Porque, seja lá o que estiver atrás de mim...
Está se aproximando.
O som dos meus pés atravessando as poças de lama se perde diante do ruído que me segue.
Ele está lá.
Sempre lá.
Próximo.
Próximo demais.
Não sei o que é.
Não ouso olhar para trás.
Mas sinto sua presença como se a própria morte respirasse na minha nuca, paciente, certa de que acabará me alcançando.
Cada inspiração rasga a minha garganta.
Cada expiração sai em um tremor.
As pernas queimam. O peito dói. O ar parece pesado demais para meus pulmões.
Mesmo assim, continuo correndo.
Porque parar significa morrer.
Até que vejo uma abertura no tronco de uma árvore antiga, quase que invisível entre as raízes retorcidas... mas grande o suficiente.
Sem pensar, mudo de direção e corro até ela.
Desvio para ela sem pensar.
Minhas mãos trêmulas puxam galhos e folhas para cobrir a abertura.
E então... silêncio, pela primeira vez desde que a fuga começou, o mundo para de me perseguir.
Só por um instante.
Só por alguns miseráveis segundos.
O ar invade meus pulmões em uma inspiração longa e irregular. Dói, como se eu tivesse me esquecido de como respirar.
Fecho os olhos e forço a respiração a desacelerar.
Uma inspiração.
Depois outra.
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TEMPESTADE DA COROA (EM REVISÃO)
Fantasy→PRIMEIRO LIVRO! O frio é a sua coroa. O trono foi roubado. A vingança, forjada no gelo. Em um reino que pune a magia com a morte, Eleanor não é apenas a última herdeira de uma linhagem temida: ela é um segredo vivo, uma rainha cujo poder sobre a ág...
