III.

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DRAKAR

COMO ELA PODE SER TÃO BELA?

Estes sonhos... sempre o mesmo rosto que a razão insiste em não reconhecer, e que, paradoxalmente, pulsa com uma verdade mais sólida do que a realidade que me cerca. Um rosto sem história que devora a minha realidade.

E a vertigem dos cabelos. Ah, os cabelos.

A cascata prateada forjada pelo luar, platinada ao limite, que não brilha, mas incendeia como se fosse a própria luz lunar condensada. Os fios se movem numa lentidão irreal e espectral, como uma névoa que me envolve e me arrasta, prendendo meu olhar em um espetáculo hipnótico. Esquecê-los é uma impossibilidade; ignorá-los é uma rendição.

Dias e noites se esvaem, e ela não se move... ela resiste.

Gravada em minha mente, não como uma memória, mas como uma cicatriz de luz, uma âncora indelével que nem o tempo nem a escuridão conseguem extinguir.

Quem é você? Ela existe fora de mim? E, se é real... por que esta perseguição incessante... quem é ela?

Que inferno é você?

Porque isso já virou uma obsessão de merda.

Nunca vi esse rosto. Nunca toquei nesses cabelos. Não sei seu nome, de onde veio ou sequer se existe.

Então por que parece que você sabe tudo sobre mim?

Por que me olha como se já tivesse atravessado cada canto podre da minha alma? Como se conhecesse meus pensamentos, meus monstros... minhas partes mais sombrias?

E por que eu tenho essa maldita sensação de que você sabe quem eu sou melhor do que eu mesmo?

Quem é você?

E o que, porra, você quer de mim?

A inquietação me rói por dentro. Ela não passa, só piora.

E a ideia volta.

A mesma maldita ideia.

Encontrá-la.

Mandar homens procurarem uma mulher que talvez nem exista é coisa de um completo idiota. De um homem à beira da loucura.

Ainda assim, não consigo arrancar isso da cabeça.

Porque alguma coisa em mim insiste.

Insiste que ela é real.

Que está em algum lugar.

E que eu preciso encontrá-la.

Por quê?

Não faço a menor ideia.

Talvez porque esteja cansado de acordar com a sensação de que deixei alguma coisa para trás.

Talvez porque esse vazio de merda dentro do meu peito só cresce.

Ou talvez porque, pela primeira vez em muito tempo, eu tenha a estranha sensação de que todas as respostas que procuro... têm o rosto de uma mulher que nunca vi.

Meus olhos percorrem rapidamente a sala do pequeno conselho, buscando uma distração que não vem. Nem mesmo o silêncio me serve agora.

As paredes me observam, ou, pelo menos, é o que parece. As tapeçarias pendem, pesadas, retratando a história de Thalador como feridas abertas no tecido. Linhas, cores e sangue costurados juntos. Memórias que não me pertencem, mas que me esmagam mesmo assim.

A Guerra da Coroa, a batalha que os próprios Syndarions cravaram entre si, congelada nos tecidos, como uma cicatriz feita de linhas e cores.

Os dragões de gelo – os Glacithors – rasgam o céu com suas asas descomunais. Controladores d'água moldam rios como se moldassem aço derretido.

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⏰ Última atualização: Jul 02 ⏰

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TEMPESTADE DA COROA (EM REVISÃO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora