Olhos não mentem.
Eles são os reflexos da alma, a verdade por trás das mentiras. O fogo que os incendia.
Vhaelyria Targaryan, o mais belo lírio de toda king's landing. O verdadeiro significado de um valeriano carregado em seu nome.
A segunda filh...
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*
Barulhos de estalos fortes ecoava por toda câmara mal iluminada da fortaleza vermelha.
Já fazia algumas horas desde que Vhaelyria estava ali, empunhando uma espada de madeira e desferindo vários golpes no boneco de madeira como se fosse seu inimigo.
Era até de se espantar que uma garota de quinze anos já tivesse inimigo. Mas, qualquer que fosse contra a coroa, ao seu pai, seria contra ela.
Maegor, filho de Aegon conquistador com uma de suas esposa, Visenya. O rei cruel tinha construído no castelo passagens secretas que apenas alguns Targueryen’s sabiam.
Dentre elas haviam diversos corredores que levavam para vários lugares do castelo, até mesmo para fora dele. Vhaelyria quase nunca ousou sair da fortaleza sozinha, sempre ia com Aerys. E como ele não estava ela ficava dentro das câmaras secretas do castelo, treinando.
Não era permitido que Damas usassem espadas ou fossem grandes guerreiras. Elas eram submetidas a cuidarem do lar, e da família e satisfazer seus homens. — Coisa que Vhaelyria sentia enjoou.
Sua sorte que ela era uma Targueryen, e como Rhaenys e Visenya, não seguiram essas “ordens”. Elas se tornaram grandes guerreiras Valiriana que dominaram Westeros junto ao seu marido Aegon, com seus enormes dragões.
Vhaelyria sentia orgulho de seus antepassados e se inspirava nelas.
Seu pai não sabia que ela treinava escondida de todos. — Na verdade ninguém sabia, nem mesmo sua irmã.
A platinada compartilhava do mesmo idealismo que Rhaenyra, em querer se tornar uma grande lutadora e desbravar Westeros montadas em seus dragões. Mas, ao contrário de sua irmã, Vhaelyria sabia usar uma espada.
Bem, quase isso...
A última vez em que tocou em uma espada de verdade fora quando seu tio Aerys sob muita relutância a deixou testa-la. — Não que ela tenha o perturbado dia e noite para consegui-lo fazer ceder.
Mas, só fora uma vez para ele disser para ela que não estava pronta para o segundo passo.
E aqui estava ela, sozinha onde uma tocha acessa e pendurada nas paredes iluminava a câmara. Treinando sem parar, em busca de tentar resplandecer.
Vhaelyria estaria mentindo se falasse que era só isso. Sua mente estava perturbada a semanas, e seu única distração era treinar.
— Pensei que uma hora dessas você estaria com a septan estudando alto Valiriano...?! — A voz grossa ecoou no ambiente a pegando de surpresa.
A platinada virou-se rapidamente, parando seus golpes no boneco e encarando o mais novo de seus tios, Aerys.
— E eu pensei que você estivesse longe o suficiente da corte. — Vhaelirya respondeu de volta. — Por que voltou?
Aerys Targueryen. O mais novo entre os irmãos e o mais punho firme, liberal com seus ideais e o único que a compreendia. Seu tio favorito, além de treinador...
— Bem, parece que tem um torneio em comemoração ao próximo herdeiro do trono. — Disse Aerys, ele estava apoiado na pilastra com os braços cruzados. — E seu tio Daemon, venho participar da homenagem “dele”.
— O verdadeiro herdeiro ainda nem nasceu e ele já se intitula o próximo rei de Westeros?! Ou você também quer competir pelo trono, tio Aerys? — Confrontou Vhaelyria se aproximando de seu tio.
— Todos sabem que o trono não me interessa. — Falou o Targueryen com seu olhar firme em sua sobrinha.
Aerys realmente não se interessava pelo trono de ferro, e apesar de todos pensar que ele seria igual seu irmão, Daemon. Que ansiava pelo trono, ele mal se importava. Ele tinha responsabilidade o suficiente para pensar em liderar os sete reinos.
Responsabilidade essas que incluía seu irmão do meio, e suas sobrinhas.
Aerys gostava de se sentir livre, ter sua escolhas feitas por si. Ele era um guerreiro montado em seu dragão, um caçador nato, que adorava cercar suas presas. Um lutador que lutava pelo que acreditava.
— Até a sua mãe dar a luz ao próximo herdeiro, Daemon será as suas maldição. — Se desencostou da pilastra se endireitando.
— Falando em Daemon. Onde ele se encontra? — Perguntou Vhaelyria pondo a espada de madeira em cima de uma mesa mais afastada.
— Deve estar na sala do trono de ferro, ao aguardo de Rhaenyra ou você. — Constatou ele o óbvio. — Mas, ele deve saber que eu a encontraria primeiro.
— Estou lisonjeada tio...— Sorriu Vhaelirya debochadamente. — Onde esteve?
Vhaelyria tinha saudades de seus tios. Eles de uma hora para outra decidiram sair da corte, sem dar qualquer tipo de explicação a ela e aos outros. Sabia que ambos gostavam da liberdade e de explorarem lugares de fora.
Liberdade que ela e Rhaenyra sabia que nunca iriam conseguir conquistar.
— Trouxe um presente. — Aproximou-se Aerys mais para perto, tentando desconversar.
Ele usava roupas pretas que parecia de montaria, seu cabelos platinados estavam presos pela metade em um rabo de cavalo. E carregava consigo uma bolsa em um dos ombros.
— Feche os olhos! — Ordenou Aerys gentilmente.
Com os olhos fechados Vhaelyria esperou. Até que gentilmente sentiu ele pegando uma de suas mãos e depositado sobre ela um enorme pano que tinha um material duro embrulhado.
— Pode abrir?! — Perguntou tentando se conter de curiosidade.
— Pode.
Quando ela abriu os olhos, viu o pano que cobria seu mais novo presente e sorriu contente. Ao desembrulhar todo ar de seus pulmões pareceu sumir.
Era uma espada. Ela sorriu de orelha a orelha. Seu cabo cravejados por rubis vermelhos e desenhos em espirais por uma linha reta, do cabo até a ponta. Seu peso era o mais leve, assim como era de Aerys. O brilho prateado reluzia através do fogo.
O pano que a embrulhava caiu no chão conforme Vhaelyria se movimentava com a espada.
— Um pequeno tesouro de nossa ancestralidade. — Falou Aerys, sorrindo.
— Ela é Valiriana?! — Perguntou vendo o mesmo concordar. — Como a conseguiu?!
— Um mestre nunca revela seus segredos. — Piscou o Targueryen. — O que achou dela?
— Ela é perfeita... — Seus olhos lilases brilhavam em deslumbre.
— Vamos, escolha um nome. — Incentivou Aerys vendo a felicidade da sobrinha. Ele percebeu que todo esforço que ele e Daemon fizeram para conseguir valeu a pena.
— Hum... Que tal “Dama da fúria” ?
— E uma bela escolha de nome. — Aerys gostou do nome que sua sobrinha deu a espada.
— Não vai ser igual a sua “Lamentação”, mas vai cortar como uma dama furiosa. — Explicou Vhaelyria.
— Eu acho melhor nos controlarmos essa fúria um pouquinho, não?! — Aerys colocou as mãos em seus ombros sorrindo para ela. — Não queremos meu irmão cortando minhas mãos por ver a filhinha dele fatiando um homem.
— Ele não irá saber disso, eu prometo. — Disse Ela. — Vou esconde-la bem... A-ate...
— Até ter autorização oficial...— Completou Aerys. — Mas por enquanto deixa-a onde ninguém pode vê-la. Agora vamos, eu preciso de um banho.
— Precisa mesmo... — Riu Vhaelyria correndo do tio pelos corredores secretos da fortaleza vermelha.
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A noite tinha chegado quando Aerys e Vhaelyria sairam das passagens secretas do castelo e se dirigiram até seus receptivos quartos.
Aerys havia feito sua sobrinha prometer a ele que não diria nada que Daemon e ele tinham retornado a corte, pelo menos até a manhã seguinte.
Vhaelyria concordou e seguiu para seu quarto onde tomou um banho enquanto suas damas traziam seu jantar. Ela não estava afim de se juntar ao seus pais, para o banquete então resolveu tê-lo em seu quarto.
Quando acabou ela dispensou as damas e seguiu para a janela observando a lua e as estrelas. Perdida em seus pensamentos, imaginando como seria seu futuro depois que o futuro herdeiro nascesse.
Ela se casaria e teria filhos? Ou viveria abandonada como sempre esteve por toda vida?