𝙰𝙿𝙴𝙽𝙰𝚂 𝚄𝙼 𝚂𝚄𝚂𝚃𝙾 |37

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IVAN BELL
𝔓𝔞𝔯𝔱𝔢 𝔱𝔯𝔢𝔰

2791 palavras

   Desci do carro, imediatamente captando a visão da fachada repleta de gente da boate. A Power Plant era um nome antigo em Baltimore; a boate tinha sido, durante anos, um ponto de tráfico de drogas para adolescentes. No entanto, à medida que ganhou fama, o lugar mudou de dono, sua estética se transformou, e passou a ser um clube de luxo. Contudo, os jovens visivelmente alterados nas imediações indicavam que a essência original do lugar ainda persistia.

  Olhei para trás e vi Lana observando o local com curiosidade, os olhos arregalados, absorvendo cada detalhe. Apertei sua mão e a puxei para mais perto, adentrando o caos que se desenrolava lá dentro. O ambiente estava tomado por uma multidão diversificada: adolescentes menores de idade que vendiam drogas nos cantos escuros, strippers seminuas que dançavam provocativamente sobre os palcos iluminados, e velhos ricos, em sua maioria casados, que entupiam as pequenas roupas das garotas com notas sujas de dinheiro.

— É como nos filmes — ouvi Lana sussurrar ao meu lado.

  Encostei-me no balcão, chamando a atenção de um jovem  que estava lavando copos. — Michael, onde ela está?

  Ele se virou para mim, uma expressão séria no rosto. — No quarto 3.

  Sem perder tempo, agarrei novamente a mão de Lana e a puxei comigo em direção ao corredor escuro indicado por Michael. As paredes eram estreitas, e as portas vermelhas estavam espalhadas ao longo do caminho, algumas trancadas, outras, infelizmente, entreabertas, revelando cenas indesejadas. Contando os números das portas, encontrei a certa e a empurrei com força.

  O quarto estava surpreendentemente arrumado, iluminado apenas por um pequeno abajur, com a maior parte da luz vindo de uma fresta da porta do banheiro. Antes que eu pudesse reagir, Lana passou por mim como um vulto, abrindo a porta do banheiro, como se sua curiosidade já soubesse onde procurar. Seu suspiro assustado atraiu minha atenção, e me apressei em me juntar a ela.

  Minha irmã estava jogada no chão, com as costas pressionadas contra a parede fria. Ao seu lado, pequenos pacotes estavam espalhados, comprimidos coloridos, cristais que pareciam metanfetamina e um pouco de cocaína espalhada pelo piso.

— Merda! — Esbravejei, me ajoelhando à sua frente. — Ammy?!

  Agarrei seu rosto, levantando-o com  cuidado, e fiquei horrorizado ao ver o estado dela. Sua face estava coberta de hematomas, o olho inchado de uma pancada recente, e um corte no lábio inferior ainda estava manchado de sangue seco. Havia também marcas roxas em seu pescoço. Fiquei paralisado por alguns segundos, enquanto o sangue começava a ferver dentro de mim ao perceber cada detalhe do estado dela.

— Tá tudo bem aí, cara? — Michael apareceu na porta do banheiro, os olhos arregalados ao se deparar com a cena.

— Que porra aconteceu aqui, Michael?! — me levantei, encarando-o furiosamente.

— Cara, eu não sei! Só te liguei porque a Ísis disse que ela tava mal, eu não sabia que tava assim!

  Agarrei o pescoço dele, empurrando-o contra a parede de azulejos com força. — Como não sabe?! Você não monitora o que acontece na sua boate, porra?!

INDELÉVEL-"Querido Diário" de Lana Berger Onde histórias criam vida. Descubra agora