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Os alunos estavam em sala quando ouviram barulhos estranhos do lado de fora. Saíram da sala rapidamente e se depararam com outros alunos na frente da academia. Dois unicórnios estavam sendo cuidados e levados para dentro. Aproximaram-se para tentar compreender a situação.
— Estávamos cavalgando pelo caminho das rosas e, do nada, os raios nos atingiram. Um vento forte tentou nos arrastar para dentro da tempestade. Foi uma loucura. — disse a aluna, sendo levada para dentro junto com os outros.
— Professora Primrose, isso está ficando fora de controle. — Sophia disse, e Ms. Primrose encarou a tempestade que se intensificava, avançando em direção à academia. Respirou fundo e falou algo para Ms. Furi, que assentiu com a cabeça e saiu apressadamente.
— Os cavaleiros vão cuidar disso. Mas peço que fiquem atentos e preparados. — anunciou, e os estudantes concordaram.
Isabel desviou o olhar em busca de Valentina e a avistou junto com seu grupo habitual de amigas. Seus olhos se encontraram, porém Val franziu a testa e retornou para dentro. O grupo percebeu a tensão, aquele silêncio era mais angustiante do que suas costumeiras brigas.
— Estou ficando louca, ou a Isabel e a Valentina estão se evitando? — Ava perguntou, ao observar a loira voltar para dentro com River, desanimada. Rory e Layla apenas deram de ombros sem compreender, enquanto Sophia mantinha o olhar franzido.
Durante a tarde, todos estavam no dormitório pesquisando mais sobre a coroa, enquanto Layla, Sophia e Ava tramavam algo em segredo. Valentina entrou bufando de raiva, subindo as escadas sem falar com ninguém. A loira observou a outra, deixou o livro que estava lendo na mesinha da sala e foi embora, deixando seus amigos mais confusos e preocupados. Eles se entreolharam e suspiraram profundamente, realmente não gostavam nadinha daquele clima.
Após um treino intenso com River, Isabel retornou para o dormitório. Quando entrou, encontrou seus amigos diante de um quadro branco, fazendo anotações, enquanto Layla realizava cálculos. Sem entender muito bem a situação, preferiu simplesmente ignorar e seguir para o quarto. Mais tarde, para distrair a mente, decidiu pular corda e, então, alguém bateu à porta.
— Oi, Isabel. — disse Sophia ao abrir a porta, entrando no quarto. Isabel retribuiu o cumprimento, largado a corda e golpeando o saco de boxe. — Então... — começou, fazendo uma breve pausa e estalando a língua. — Está tudo bem?
— Está tudo ótimo! — respondeu, desferindo socos vigorosos no saco de boxe.
— Certeza? Porque o clima agora não está ótimo... — Isabel de um chute no saco de boxe, afastando-se e caindo de costas na cama, enquanto Sophia se sentava na cama de Layla.
— Aconteceram umas coisas e... sei lá... — Isabel murmurou, cobrindo o rosto com o braço e soltando um suspiro pesado.
— O que aconteceu? — Sophia perguntou. Isabel se levantou, dirigiu-se até a porta e a trancou. Voltou e sentou-se de frente para Sophia.
— Você precisa me prometer que não vai contar para ninguém. Ninguém pode saber. É sério, ninguém! — exclamou, e Sophia assentiu com a cabeça.
— Minha boca é um túmulo. — respondeu, fechando a boca com um zíper imaginário. Isabel respirou fundo antes de prosseguir.
— Eu... — fez uma pausa, coçou a cabeça e bufou. — Eu beijei a Valentina. — confessou de uma vez, o que fez as sobrancelhas de Sophia se arquear, seguidas de uma risada.
— Ahã... Ok, essa foi boa. Hehe! — continuou rindo até perceber a seriedade de Isabel. — Meu Deus... Não é piada? — indagou, enquanto o sorriso desaparecia de seu rosto ao perceber a confirmação nos olhos da amiga. — A meu Deus, não é piada! — repetiu, atônita. — Então... naquela hora quando chegamos, vocês estavam...? — questionou, e Isabel concordou. — Isso não é o que eu imaginava. Eu pensei que fosse um problema simples de amizade, mas isso... Uau!
Isabel bufou, deixando-se cair de costas na cama e cobrindo o rosto com as mãos, soltando um grito abafado. Sophia suspirou profundamente ao coçar a cabeça, sem saber o que dizer.
— E desde quando você gosta da Valentina?
— Eu não gosto dela! — Isabel exclamou, levantando-se em direção ao saco de boxe, batendo nele novamente.
— Acho que desconta suas frustrações no saco não vai ajudar muito. — comentou, e Isabel a encarou feio. — Desculpe. — Pediu, levantando as mãos e abaixando-as novamente. — Mas se você não gosta dela, por que se beijaram?
— Eu não sei! — respondeu, desferindo mais um soco no saco de boxe e colocando as mãos na cintura. Ao olhar para Sophia, percebeu que ela não sairia dali sem tentar ajudar. Suspirou, sentando-se na cama e mexendo nos dedos. — Não sei o que aconteceu... Fomos sugadas pelo momento e quando percebi já estávamos nos beijando.
— Certo, e você falou com ela?
— Ela nem olha para mim, Sophia. E acho que talvez a tenha pressionado para me beijar. Quer dizer, fui eu que a beijei primeiro e percebi quando ela tentou me afastar, então... eu mereço esse silêncio. — Expressou com tristeza. Sophia levantou-se e acomodou-se ao lado da loira, massageando suas costas. — Não importa o quanto eu corra, não consigo ganhar essa corrida... — Sophia afastou-se um pouco para ver o rosto dela, franzindo a testa.
— Mas Isa... isso não é uma corrida. — A loira levantou a cabeça, pensativa. — O que você sentiu quando a beijou?
— Eu já beijei garotas antes, mas com Valentina foi... diferente. Não queria parar. — Inspirou profundamente, sentindo os olhos úmidos. — Mas é a Valentina. Entende? Eu e Valentina? Isso é loucura! — Ergueu-se, esfregando os olhos. Sophia observou a amiga e refletiu por um momento.
— Mas não é impossível. — Comentou, fazendo a loira encará-la com uma sobrancelha arqueada. — Você e a Valentina são destemidas, corajosas e não se rendem facilmente. E, para falar a verdade, as provocações de vocês parecem flertes.
— Eu não diria que é flertar, é mais como cutucar a onça com vara curta. — Explicou, e as duas riram.
— Bem, meio que todo mundo já percebeu que algo poderia acontecer, vocês têm aquela química, apesar das discussões. Honestamente, até preferimos quando estão brigando. — Disse entre risos. Isabel parou de rir, respirou fundo, ajeitando o cabelo e ficou em silêncio novamente.
— Eu nem sei por que a beijei. Nunca senti atração pela Valentina, como poderia gostar dela?
— E se você já está gostando e só não percebeu? — Disse, e a loira franziu a testa. — Talvez você já goste dela, só precisava de algo para perceber.
Isabel massageou a têmpora, sentindo-se cansada e confusa. Mesmo que parecesse um devaneio, ela ainda conseguia recorda vividamente o sabor dos lábios de Valentina, seu cheiro, a suavidade de sua pele e os gemidos que escapavam involuntariamente.
— Eu não sou especialista e ainda tenho muito a aprender sobre amizade, e muitas outras coisas, mas é melhor falar com ela. Mesmo que ela não responda, ou se zangue, ao menos tente. Você, melhor que qualquer um, sabe que a Valentina é difícil. — disse, e Isabel concordou com um sorriso.
Sophia se levantou e abraçou a loira, afirmando novamente que deveria falar com Val e resolver o assunto, pelo bem de todos os seis. Isabel riu, revirou os olhos e retribuiu o abraço antes de deixar o quarto.
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Roses and Thorns
FanfictionO grupo faz uma caminhada para visitar templos antigos e aprender mais sobre unicórnios. Mas o que era para ser uma simples caminhada vira uma grande bagunça.
