Escarlate avançava com dificuldade, cada passo uma luta contra a exaustão e a dor. Sua mente, nublada pelo cansaço, focava-se apenas na tarefa de colocar um pé à frente do outro. A katana de seu pai servia de bengala, sustentando-o enquanto ele se aproximava das imponentes muralhas da Vila do Sol.
Ao alcançar a entrada da vila, Escarlate parou para recuperar o fôlego. As imponentes portas de madeira estavam entreabertas, permitindo que ele visse a vida movimentada lá dentro. Comerciantes discutiam preços, crianças corriam pelas ruas e soldados patrulhavam, todos alheios ao jovem guerreiro que se aproximava.
Sentinela 1: Ei, quem é você? Identifique-se!
Escarlate levantou a cabeça, tentando focar a visão. Sua voz saiu rouca e fraca.
Escarlate: Eu... sou Escarlate. Preciso... de ajuda.
Os guardas se entreolharam, avaliando a figura debilitada à sua frente. Um deles se aproximou, pegando-o pelo braço para sustentá-lo.
Sentinela 2: Você está em péssimo estado. Vamos, vamos levá-lo ao curandeiro.
Enquanto o conduziam pelas ruas da vila, Escarlate mal notava os olhares curiosos e as murmurações dos aldeões. Sua mente estava focada em resistir à dor e à escuridão que ameaçava tomar conta de sua visão.
Chegaram a uma pequena casa de pedra, de onde emanava um aroma de ervas medicinais. O curandeiro, um homem idoso de semblante sereno, saiu para recebê-los.
Curandeiro: O que aconteceu a este jovem?
Sentinela 1: Não sabemos ao certo. Ele apareceu na entrada da vila, exausto e ferido. Disse que se chama Escarlate.
O curandeiro assentiu, fazendo um gesto para que o levassem para dentro. Colocaram Escarlate sobre uma cama e o curandeiro começou a tratar de seus ferimentos, aplicando unguentos e ataduras com mãos experientes.
Curandeiro: Descanse, jovem. Você está seguro agora.
Os dias passaram lentamente enquanto Escarlate recuperava suas forças. Os curativos e poções do curandeiro faziam efeito, e ele começava a sentir suas energias retornarem, ainda que sua mente estivesse assombrada pela recente derrota.
Certa manhã, Escarlate decidiu sair para explorar a vila. Vestindo roupas simples, fornecidas pelo curandeiro, ele caminhou pelas ruas, observando as pessoas e os mercados. Sentia-se um estrangeiro, distante de tudo e de todos, ainda lutando contra a sensação de inutilidade que o consumia.
Enquanto vagava, ouviu um grupo de pessoas conversando sobre um torneio de combate que aconteceria em breve na vila. Seus olhos brilharam com uma nova esperança. Talvez, ao participar e vencer o torneio, ele pudesse recuperar sua honra e encontrar um propósito.
Escarlate (pensando): isso pode ser a minha chance. Preciso provar a mim mesmo que ainda sou capaz.
Com renovada determinação, Escarlate dirigiu-se ao centro da vila, onde as inscrições para o torneio estavam sendo feitas. Cada passo o aproximava de um novo começo, um caminho para redimir-se e restaurar sua confiança perdida.
Ao chegar ao local das inscrições, uma voz familiar o interrompeu.
Voz: Escarlate, você aqui?
Ele se virou e viu uma figura que não esperava encontrar. Era um amigo de infância, alguém que ele não via há anos.
Amigo: O que aconteceu com você? Ouvi dizer que estava em busca de vingança.
Escarlate respirou fundo, sentindo uma mistura de vergonha e esperança. Talvez essa fosse a oportunidade para começar de novo, não apenas no torneio, mas também com suas relações.
Escarlate: Sim, muita coisa aconteceu. Mas agora, preciso me reencontrar. Vou participar do torneio.
O amigo sorriu, colocando uma mão em seu ombro.
Amigo: Então vamos, vou te ajudar. Vamos treinar e garantir que você esteja pronto para o que está por vir.
Escarlate assentiu, sentindo uma chama de esperança reacender em seu peito. Na Vila do Sol, ele encontrou não apenas cura para seu corpo, mas também um caminho para a redenção.
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O Despertar Escarlate
Fantasy"O Despertar de Escarlate" narra a emocionante jornada de Kaito Escarlate, um jovem dotado de poderes mágicos excepcionais, em uma cidade chamada Fucha. Desde o seu nascimento, Kaito é temido até pelos deuses devido à magnitude de seus poderes. A hi...