Chay sempre foi tratado com uma delicadeza excessiva por todos ao seu redor. Prestes a completar 20 anos, ainda era visto como a criatura mais frágil e indefesa do mundo. Seus pais, que morreram em um acidente de carro quando ele era apenas um bebê, haviam sonhado em ter outro filho. Quando Chay nasceu como um ômega, seus avós maternos, que assumiram sua criação junto com seus irmãos mais velhos, Porsche e Akk, redobraram os cuidados e a superproteção, conscientes dos desafios que ele poderia enfrentar.
A família de Chay era rica, parte da alta sociedade de Mykonos, um país onde os ômegas eram respeitados e tratados como iguais aos alfas e betas, sem serem reduzidos a meros objetos sexuais ou de procriação. Essa posição privilegiada foi garantida pelos esforços incansáveis de seus avós, que fizeram de tudo para proteger Chay e seus irmãos após a perda dos pais.
Apesar da boa condição financeira, a vida de Chay era repleta de restrições. Ele nunca podia sair sozinho e raramente visitava lugares sem a companhia de alguém. Seus avós mantinham um controle rigoroso sobre seus passos. Essa superproteção também era alimentada pelo medo de que, fora das muralhas da segurança familiar, ele pudesse enfrentar desafios que acreditavam ser incapaz de lidar sozinho.
Chay estava no segundo ano da faculdade de música, estudando em uma universidade pertencente à sua família, projetada exclusivamente para omegas e betas. Embora estivesse em um ambiente seguro e familiar, ele sempre teve dificuldade em fazer amigos. Seus únicos amigos próximos eram Ayan e Macau.
Ayan, um beta de uma família de renomados violinistas, era seu amigo desde o ensino médio. Já Macau, um alfa herdeiro da influente família Suwannarat, conheceu Chay em um dos muitos eventos sociais que frequentavam. A princípio, seus avós se opuseram à amizade com Macau, temendo a proximidade de um alfa. Contudo, a amizade foi aceita quando Macau fez seu debut na alta sociedade e começou a participar de encontros regulares em busca de um parceiro ou parceira. Para tranquilizar os avós de Chay, Macau teve que jurar que nunca cruzaria os limites da amizade.
A oposição dos avós, no entanto, tinha uma razão maior: eles desejavam que Chay construísse um relacionamento com Ayan. Porém, Chay sabia que isso jamais aconteceria. Ayan já tinha alguém, embora nunca tivesse apresentado essa pessoa a ele. Além disso, os sentimentos que compartilhavam eram puramente fraternais, sem qualquer traço de romance.
Apesar da amizade com Ayan e Macau, a ideia de um relacionamento parecia distante para Chay. Ele nunca se sentiu interessante ou atraente o suficiente para alfas. Nos encontros sociais, frequentemente se via à margem, enquanto os alfas preferiam a companhia de outros. Se não fosse pelo apoio de seus irmãos e amigos, ele teria desistido de participar desses eventos.
Era uma noite importante: o aniversário de 20 anos de Ayan. Além da comemoração, seria a sua estreia na sociedade, um marco tradicional em que jovens se tornavam formalmente disponíveis para receber pedidos de casamento. A expectativa e a tensão do evento pairavam no ar, e Chay sentia uma mistura de ansiedade e excitação.
Enquanto caminhava pelos jardins da festa, Chay se pegava pensando se, quando completasse 20 anos, alguém mostraria interesse nele. Ele, que sempre era ignorado nos encontros sociais, começava a acreditar que talvez fosse melhor continuar invisível.
Após cumprimentar Ayan e lhe entregar o presente enviado por seus avós, Chay permaneceu ao lado de Macau e Ayan por algum tempo, conversando sobre trivialidades. Akk, o irmão mais liberal de Chay, juntou-se a um grupo de alfas no outro lado do salão, deixando-o momentaneamente sozinho.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Destino
FanfictionPersonagens do universo de KinnPorsche, mas a história em si não tem nada relacionado com o universo da máfia.
