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Meu primeiro dia na U.A... e meu coração parecia que ia fugir de tão rápido que batia. Kaito tinha ido até minha casa pra me acompanhar, e agora estávamos ali, parados diante dos portões gigantes da escola mais famosa do Japão.

─ Relaxa, Nami! Você vai arrasar! - ele disse, tentando esconder o nervosismo com um sorriso.

─ Obrigada, Kaito.

─ Vou sentir saudades de você... -a voz dele saiu meio abafada, quase infantil.

─ Também vou...

─ Então vai lá! Mostra pra eles quem é a Mizuhime! - ele gritou, levantando o braço em sinal de vitória, como se o gesto fosse capaz de me empurrar pra frente.

Dei um longo suspiro e o abracei de novo, sentindo aquele aperto estranho no peito antes de dar o primeiro passo pra dentro dos portões. O ar parecia mais pesado, ou talvez fosse só a responsabilidade.

Enquanto procurava minha turma, percebi olhares curiosos por todos os lados. Murmúrios. Reconhecimentos.

─ Você é a garota do teste de admissão física! - um garoto alto, de cabelo azul e óculos, falou animado, se aproximando de mim.

─ É... sou eu.

─ Eu sou Tenya Iida, muito prazer!

─ Naomi Mizuno.

─ Mizuno... Já ouvi esse nome antes... - ele pensou por um segundo, mas deixou o assunto de lado. ─ Seja bem-vinda à sala 1-A!

Ele abriu espaço pra eu passar, e no mesmo instante gritou:
─ Ei! Não coloque os pés na mesa!

O loiro de cabelo espetado, que eu lembrava vagamente do teste, virou de lado com uma expressão debochada.

─ O que?!

─ Isso é falta de respeito com os ex-alunos!

─ Falta de respeito? Em que colégio você estudou, figurante? - o loiro rebateu. ─ Olha só, se não é a idiota que esbarra em todo mundo!

Revirei os olhos.
─ Era só o que me faltava.

─ Achei que você estaria feliz de estar na mesma sala que o número um.

─ Pra sua informação, eu fiquei só um nível abaixo do seu, imbecil.

─ Me chamou de quê?

─ Imbecil. Quer que eu soletre?

O clima ficou tenso, Iida entrou no meio, desesperado pra manter a paz, e eu só pensei em como meu primeiro dia estava começando com o pé esquerdo. Literalmente.

Sentei na cadeira atrás do loiro, fingindo que ele não existia, quando a sala ficou em silêncio. Todo mundo olhou pra porta.

Um garoto de cabelos verdes parou ali, parecendo perdido. Ele ficou vermelho no mesmo instante.

─ Você é o garoto do teste de admissão! - falei, indo na direção dele.

─ Vo-Você? - ele gaguejou.

─ Bom dia! - Iida se aproximou também.

─ Izuku Midoriya. Muito prazer!

─ Naomi Mizuno.

─ Midoriya e Naomi... - Iida começou. ─ Preciso admitir que julguei vocês mal. Vocês foram incríveis no teste.

─ Eu só agi por reflexo... - respondi, meio sem graça.

─ O menino e a menina dos cabelos enroladinhos! - uma voz animada surgiu atrás do Midoriya. Era uma garota de cabelo castanho.

─ Eu sou a Ochaco Uraraka!

─ Naomi Mizuno.

Apertei a mão dela, mas a troca foi interrompida por uma voz seca:

─ Vão pra outro lugar se quiserem fazer amigos. Sou Shota Aizawa, o responsável pela sala.

O cara tinha cara de quem não dormia há uns quatro dias.

Antes de eu sair para o pátio, ele me lançou um olhar cansado.

─ Senhorita Mizuno, use a gravata do modo tradicional.

Olhei pro laço que tinha feito e só respondi.

─ Tá bom.

Fomos pro pátio, e lá veio a bomba.

─ Teste de avaliação de individualidades.

Ninguém acreditou. Uraraka tentou protestar sobre a cerimônia de abertura, mas Aizawa cortou.

─ Se querem mesmo virar heróis, não têm tempo pra essas bobagens.

Primeiro teste: corrida de 50 metros. Eu e um garoto de cabelo branco e vermelho fomos os primeiros a ser chamados.

Me concentrei. Se calculasse bem a pressão do jato, podia usar a água pra me impulsionar.

─ Preparar... apontar... valendo!

Joguei um jato no chão e fui deslizando em alta velocidade, como se o ar me empurrasse junto. Cruzei a linha com 3,25 segundos.

─ Mandou bem, Naomi! - Uraraka gritou.

─ Você também!

Depois veio o teste de força pra segurar: 110kg. Salto à distância: 75 metros. Saltos laterais: 45.

No arremesso de bola, Uraraka roubou a cena.

─ Infinito?! - gritei, quando a bola dela sumiu de vista.

─ Incrível! Mandou pra órbita!

Na minha vez, concentrei energia num jato explosivo, mirando o ângulo certo. A bola voou longe.

─ 650 metros! - alguém gritou.

─ Valeu... - murmurei, meio tímida.

─ Foi só sorte! - Bakugo bufou alto.

─ Sorte, né? Continua acreditando nisso. - Dei um sorrisinho.

Quando Midoriya foi jogar, o resultado foi... desastroso. 46 metros. O professor Aizawa olhou pra ele.

─ Anulei sua individualidade. - falou seco.

Meu cérebro levou um segundo pra juntar as peças.

─ Eraserhead...

Aizawa explicou o motivo, e depois deixou o garoto tentar de novo. Midoriya respirou fundo, olhou pra bola, e de repente... boom.
O ar vibrou. A bola sumiu de vista.

─ 705.8 metros! - o robô anunciou.

Todo mundo ficou sem reação.

─ Parabéns, Midoriya! - Corri até ele, o abraçando com um sorriso.

Ele ficou vermelho de novo. Eu ri.
Aquele dia me provou que, por mais assustadora que fosse a U.A, eu realmente pertencia àquele lugar.

Lighting storm -  Denki KaminariHistórias para pegar e não largar. Descubra agora