Atrasada. Essa palavra praticamente estampava minha testa naquele dia. Culpa de quem? Dos meus três irmãos, claro — os adoráveis pestinhas que acham que cada despedida é tipo cena final de filme dramático. Lip me agarrou pelas pernas, Yuri me empurrou com um “vai logo, futura heroína!” e Jin só chorou segurando meu braço. E agora, olha só: eu, correndo feito uma maluca pelas ruas, atravessando três sinais vermelhos e quase virando estatística no trânsito. Mas tudo bem. Ia valer a pena. Tinha que valer.
Quando finalmente alcancei o portão da U.A., o coração parecia querer fugir do peito. O lugar era enorme, lotado de gente nervosa. O som dos murmúrios misturava-se ao barulho dos passos apressados. Todo mundo ali tinha o mesmo sonho: ser um herói.
Tentei passar pelo meio da multidão, mas acabei esbarrando com tudo em um garoto loiro.
─ Foi mal! - falei, rindo meio sem graça, tentando me equilibrar antes de cair de cara no chão.
O garoto levantou a cabeça. Cabelos loiros meio bagunçados, olhos claros e uma expressão surpresa.
─ Você tá bem? - ele perguntou, e antes que eu respondesse, deixou escapar um sussurro. — Garota… linda.
Ele ficou vermelho instantaneamente, tipo um tomate com vergonha.
─ Valeu. - respondi, sorrindo de canto, tentando fingir que não notei o constrangimento.
─ Eu tenho que ir. Boa sorte pra nós! - ele disse apressado, fugindo como se o chão tivesse pegando fogo.
─ Boa sorte pra você também! - gritei, acenando.
Nem olhei pra trás. Tinham tantas pessoas ali que o ar parecia mais pesado. O nervosismo começou a bater. E se meu treinamento não fosse suficiente? Pelo menos na prova teórica eu me garantia… eu acho.
Logo mandaram todos nós para um auditório gigantesco. O barulho era ensurdecedor até que uma voz rasgou o ar: Present Mic, o professor, que parecia ter tomado dez energéticos antes da aula. Ele gritava empolgado, explicando as regras da prova prática.
Três tipos de robôs inimigos: nível 1 valia 1 ponto, nível 2 valia 2, e nível 3, 3 pontos. Mas na folha, eu juro que li “nível 4”. Antes que eu pudesse perguntar, um garoto de cabelo azul se levantou — bem do tipo certinho — e tirou a dúvida por todos nós.
Present Mic explicou que o quarto tipo valia 0 pontos. Era um obstáculo gigante, praticamente invencível. Em outras palavras: fuja se quiser continuar vivo.
Respirei fundo. Minha estratégia era simples: curto-circuitar o máximo de robôs possível com água. Fácil no papel, um caos na prática.
O campo de batalha parecia uma cidade destruída. Poeira, gritos, explosões, robôs pra todo lado. Corri entre os destroços até encontrar meus primeiros inimigos: dois robôs nível 1 e um nível 3.
Estabilizei a respiração e levantei as mãos. O ar à minha volta começou a esfriar, e logo uma nuvem escura se formou acima de mim. Em um piscar de olhos, a chuva caiu pesada sobre os robôs de nível 1. O som dos estalos elétricos veio logo em seguida. Curto-circuito perfeito.
Restava o grandão. Avancei, saltei sobre ele e concentrei minha energia. A água que eu manipulava começou a ferver, o vapor subindo em redemoinhos. Direcionei o líquido escaldante para as aberturas do robô, entre as placas de metal. Ele tremeu, soltou faíscas e desabou. Um ponto a mais pra mim.
Mal tive tempo de comemorar antes que mais quatro robôs nível 3 surgissem. Segurei firme o chão com os pés e ergui a mão esquerda, lançando um jato d’água direto nos dois primeiros. Eles caíram com buracos fumegantes no peito metálico.
Respirei fundo e moldei a água restante em duas esferas girando rapidamente. Joguei uma contra o terceiro robô, controlando a pressão até a cabeça dele amassar sob o impacto. No último, usei vapor. O calor extremo fez as juntas metálicas estourarem, e ele tombou diante de mim.
─ Dezessete pontos e ainda tenho tempo de sobra! ─ murmurei, sorrindo sozinha.
Continuei correndo pelo campo, destruindo o que via pela frente. A adrenalina me fazia esquecer o cansaço… até que a sede veio com força. A garganta seca, os braços e pernas pesados. Sem água ao redor, minha individualidade começou a falhar.
No fim, quando o apito final soou, eu mal conseguia ficar de pé. Mas olhei pro placar e vi: 32 pontos.
Senti um sorriso escapar. A exaustão batia, mas junto dela, uma pontinha de orgulho. Talvez… só talvez… eu realmente tivesse uma chance na U.A.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Lighting storm - Denki Kaminari
Fiksi Penggemar━ ❝ "Quando um raio encontra a água, a faísca é inevitável." ❞ 𓂃 ˖ ゚ ━ Lightning Storm ! ╰━━ Naomi Mizuno prometeu a si mesma que nunca se deixaria distrair - até Denki Kaminari aparecer com aquele sorriso idiota e um charme impossível de ignor...
