Chegando mais perto da margem, senti a água fria bater nas minhas pernas, e Tsuyu nos soltou, deixando que a gente terminasse o caminho andando. O silêncio era quase estranho depois de tudo o que tinha acontecido.
─ Eu fui ao banheiro hoje de manhã, então essas coisas vão ficar grudadas o dia inteiro. - Mineta resmungou, pendurado nas costas da Tsuyu como uma mochila falante.
Revirei os olhos, ainda sem energia pra dar bronca.
─ Então quer dizer que eles vão ficar presos aí até os profissionais chegarem... ótimo. - murmurei, tentando convencer a mim mesma de que isso realmente era "ótimo".
Enquanto a gente caminhava, Midoriya começou a falar sozinho, aquele tipo de murmúrio que ele fazia quando tava pensando demais.
─ Midoriya, isso dá medo! - reclamei.
─ É! Para! - Tsuyu completou, a língua dela mexendo de leve como se reforçasse o "para!".
─ Agora devíamos pensar no que vamos fazer.
Ele assentiu, mas logo fez uma careta de dor.
─ Seus dedos... - observei, vendo o inchaço grotesco de novo.
─ Eu tô bem. - insistiu, mesmo claramente não estando. - É melhor seguirmos pela praia e evitarmos a praça central até chegarmos na saída.
─ O professor Aizawa juntou muitos vilões lá. - Tsuyu comentou, o olhar fixo mais à frente.
─ Ele tá se sobrecarregando... pra nos proteger. - falei, sentindo um peso apertar meu peito.
─ Não me diga que você... - Mineta arregalou os olhos.
─ Midoriya! - o cortei, entendendo onde ele queria chegar.
─ Não pretendo fazer nada que atrapalhe, mas... se eu achar uma brecha, posso ajudar. - Midoriya respondeu, a voz baixa, mas firme.
Revirei os olhos, porque é claro que ele ia fazer isso. É o Midoriya.
Foi quando uma luz forte cortou a escuridão, piscando em meio ao cenário destruído. Um clarão elétrico, familiar.
─ Denki... - sussurrei, o coração acelerando. – Não se preocupem comigo, vão na frente! - gritei, correndo naquela direção.
─ Naomi! Toma cuidado! - Tsuyu gritou atrás de mim.
─ Eu vou! - garanti, sem olhar pra trás.
A cada passo, a claridade aumentava. Quando finalmente cheguei, encontrei um monte de inimigos caídos no chão e um cobertor cinza meio estranho com dois “caroços” embaixo. No meio da cena, Denki andava sem rumo, com o olhar vazio e os polegares levantados.
─ Denki! - corri até ele.
─ Naomi? O que faz aqui? - ouvi a voz da Jiro vindo debaixo do cobertor.
─ Jiro? Eu vim ver o Kaminari. Que bom que vocês estão bem! - soltei o ar num suspiro aliviado. – Denki? - chamei, mas ele não respondeu. – Ele... deu curto?
─ Deu curto mesmo. - Jiro respondeu, tentando segurar a risada.
─ Onde estão os outros?
─ Eu tava com o Midoriya, a Tsuyu e o Mineta. Os outros... não faço ideia.
Antes que eu terminasse de falar, um barulho ensurdecedor ecoou, e um vilão agarrou Kaminari por trás.
─ Mãos pro alto! Nada de usar poderes! - ele gritou, pressionando o braço de Denki.
─ Kaminari! - gritei, o estômago afundando.
─ A gente baixou a guarda... - Jiro murmurou, sem tirar os olhos do inimigo.
─ Eu não quero matar alguém do tipo elétrico, mas fiquei sem escolha, né? - o vilão falou com um sorriso cínico.
─ Denki! Relaxa! Não entra em pânico! - gritei, mas ele só levantou os polegares de novo. ─ Eu não sei se isso é bom ou ruim. Ele tá entrando em pânico? - perguntei pra Jiro.
─ Eu que vou saber? Você é que anda com ele!
─ É, mas eu não sei ler linguagem corporal!
Foi quando Momo apareceu, analisando tudo com aquele jeito racional dela.
─ Tipo elétrico... Foi ele quem sabotou os sensores.
Jiro me olhou e eu entendi o recado: improvisar.
─ Qual é a sua individualidade? - perguntei pro vilão, fingindo interesse.
─ Por que quer saber?
─ Porque é a primeira vez que vejo alguém com individualidades parecidas. Tenho um amigo que pira nessas coisas.
─ É, vocês dois nasceram praticamente ganhando. - Jiro completou, entrando no jogo.
─ Mesmo que não virem heróis, ainda tem muita demanda! - acrescentei, tentando mantê-lo distraído. – Mas... por que alguém como você se tornaria vilão?
O cara riu, mas de repente seu rosto endureceu.
─ Achou que eu não ia perceber? Essa tática infantil só engana idiotas. Heróis de verdade levariam isso a sério!
Ele apertou o pescoço de Kaminari. Meu coração quase parou. Antes que eu pudesse reagir, um disparo ecoou e o vilão caiu. Denki despencou no chão.
─ Kaminari! - corri até ele, ajoelhando. – Os reforços chegaram!
Explosões e gritos vinham de todos os lados. O caos se transformava em alívio.
─ Denki, olha pra mim. Você tá bem? - perguntei, e ele me respondeu com outro joinha. ─ Eu vou considerar isso um sim. - ri, com a voz trêmula.
Alguns minutos depois, a polícia apareceu. Um detetive começou a contar os alunos.
─ Dezenove... tirando o garoto com lesões graves nas pernas...
─ O Izuku tá gravemente ferido?! - perguntei, junto com Uraraka.
─ Sim, mas ele vai ficar bem.
─ Kaminari, tá melhor? - perguntei, me aproximando.
─ Tô sim... valeu pela preocupação, Naomi. - ele respondeu, coçando a nuca.
O detetive nos mandou de volta pra U.A. e explicou que Aizawa, 13 e All Might estavam em tratamento, mas fora de perigo.
Quando o ônibus nos deixou na escola, o sol já se punha atrás dos prédios. A cor do céu era um laranja queimado, quase triste. A gente estava exausto. Tomei um banho rápido, troquei de roupa e voltei pra casa.
Assim que abri a porta, ouvi o barulho familiar dos meus irmãos.
─ Naomi! – Lip e Yuri gritaram juntos, correndo até mim.
─ Calma, calma! – ri, me agachando pra abraçar os dois.
Minha mãe apareceu logo depois, com o olhar preocupado.
─ Graças a Deus... você tá bem?
─ Tô sim, mãe. Foi um treino que deu errado... – menti pela metade, porque o pânico dela era pior que qualquer ferimento.
Nos sentamos na mesa, e eles começaram a me encher de perguntas. Então, suspirei e contei tudo, do jeito que dava: o ataque, os vilões, os colegas machucados, e como Denki quase virou churrasco humano.
Lip me ouvia de boca aberta, Yuri ficava imitando os golpes que eu descrevia, e minha mãe... só segurava minha mão, tentando disfarçar o tremor.
─ Você é igual ao seu pai... – ela disse baixinho, com um meio sorriso. – Sempre se metendo em confusão pra proteger os outros.
─ É... mas o importante é que todo mundo tá bem.
Depois disso, levei os meninos pra cama, dei boa noite e fiquei um tempo parada na janela. O céu já estava escuro. A cidade parecia calma, mas dentro de mim ainda tinha o som das explosões, o cheiro de poeira e o medo de perder alguém.
Fechei os olhos e pensei: amanhã vai ser um dia melhor. Mesmo que não seja, eu quero acreditar que sim.
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Lighting storm - Denki Kaminari
Fanfiction━ ❝ "Quando um raio encontra a água, a faísca é inevitável." ❞ 𓂃 ˖ ゚ ━ Lightning Storm ! ╰━━ Naomi Mizuno prometeu a si mesma que nunca se deixaria distrair - até Denki Kaminari aparecer com aquele sorriso idiota e um charme impossível de ignor...
