Chapter Three

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- Vem comer, Nana. - Manuella chamou a irmã.

Isabel se encontrava na sala tocando em seu piano uma de suas músicas favoritas: La campanella.

Músicas clássicas acalmavam a menina. Passava horas tocando Morzat, Beethoven, Paganini, Rimsky korsakov, Tchaikovsky, Vivaldi e outros artistas.

- Hannah... Vem comer. - A irmã sentou do seu lado.

A mais velha suspirou. Hannah não podia ficar sem comer senão ficaria estressada e nervosa.

- Não está com fome?

Hannah finalizou sua música e levantou do banquinho acolchoado e foi para a cozinha.

- Você é cheia de surpresas.

A loira colocou a sua comida e a da irmã no em um prato.

- Mamãe me mandou fazer algo bem gostoso para você, fiz seu prato favorito.

Depois do almoço, Manuella resolveu sair um pouco de casa.
Foram para um shopping. Era um dia de segunda às três da tarde, Manuella sabia que não iria estar lotado, por isso levou a irmã para lá.

- Fique do meu lado. - Sussurrou para a menor, antes de entrar no shopping.

Tinha algumas pessoas andando e subindo as escadas rolantes. Não estava lotado mas estava longe de ter poucas pessoas. Manuella respirou fundo e andou ao lado da menor.

- Que tal a gente ir na Saraiva? Sei que gosta de livros.

- Sei que gosta de livros.

A maior sorriu.

Andaram até a escada rolante, Hannah parou passos antes de colocar o pé depois da linha amarela no chão.

- O que foi?

- Amarela Canário. - Apontou para a listra no chão.

- Você entende bem de cores, não?

Mas a pequena não se moveu. Preferiu apreciar a listra amarela no chão com bastante atenção.

Manuella então guiou sua pequena até o elevador, torcendo para que não estivesse lotado. E não estava tanto, tinha apenas três pessoas - um casal e seu bebê. A maior apertou o botão do terceiro andar e esperou a porta fechar. Hannah passou a mão por todos os botões do elevador, trazendo olhares tortos do casal.

- Hannah, não faça isso de novo, ok? - Falou calma.

Hannah olhava para os números mudarem de um para outro.
Quando a porta se abriu, entraram mais cinco pessoas, o que já foi o bastante para Hannah agarrar o braço da irmã.

- Calma. - Murmurou - Eu estou aqui contigo.

O bebê começou a chorar só deixando a mais nervosa. Colocou suas mãos nos ouvidos e apertou os olhos. A mais nova deu graças a Deus que a porta do elevador abriu e puxou Hannah para fora.

- Nana, olha aqui para mim. Tá tudo bem agora.

Aos poucos, conseguiu convencê-la a abrir os olhos e se acalmar.

Entraram na loja e Hannah abriu um grande sorriso ao ver um livro de seu interesse.

Hannah puxou a irmã pela mão e apontou para o livro enquanto sorria.

- "Psicologia das cores"? - Manuella sorriu. - Você realmente gosta de cores.

A loira pegou o livro e levou até o caixa e o comprou. Sorria verdadeiramente ao ver a animação da irmã mais velha.

- Pronto, você conseguiu o que queria. Lembra o que a mamãe ensinou? O que falamos quando ganhamos algo?

- Me dá mais um. - Respondeu.

Manuella riu e balançou a cabeça.

Andaram em silêncio para a praça de alimentação.
Manuella suspirou ao ver que ela estava lotada.

- Tente manter a calma.

Sentaram em uma mesa, Manuella observou a garota ao seu lado ler atentamente seu novo livro.

Hannah não estava gostando de lá. O barulho de varias pessoas falando ao mesmo tempo à incomodava.

Um grupo de amigos na mesa um pouco mais a frente, começaram a cantar uma música aleatória. Batucavam e cantavam alto.

Uma mulher deixou uma bandeja com um hambúrguer e batatinhas caírem no chão em frente da mesa das meninas.

Um menino fazia um escândalo no balcão do Mcdonald's porque a mãe não comprou o lanche que vinha com a bonequinha da mulher-maravilha.

Hannah não suportou, era informação demais para sua cabecinha. Então gritou. Começou a chorar. Manuella tentou a segurar para que não corresse, mas não foi tão rápida. Pelo menos conseguiu alcança-lá.

A garota se jogou no chão e arremessou seu livro na irmã. Hannah esperneava e gritava sem parar.

Manuella manteve sua calma. Se a perdesse, nunca iria conseguir acalmar a menor.

A mais baixa puxou os próprios cabelos com uma mão e a outra batia em sua coxa. Todos olhavam para as duas, alguns com um certo preconceito. Achavam ridícula uma garota tão grande se comportar como uma criança birrenta. Mas Manuella não se importava com isso, pelo menos não sentia vergonha.

Se a loira não tirasse a mais nova dali, nunca conseguiria fazer sua crise passar. A pegou no colo sem se importar com os socos em seu ombro ou os gritos estridentes e angustiados que faziam seus ouvidos zumbir.

Andou até o banheiro, e agradeceu à Deus por não ter ninguém no momento. Deixou a menor sentada no banco de mármore.

- Hannah, calma...

Os gritos passaram, mas Hannah ainda chorava sem parar e acertava socos na mais nova.

- Olha, você tá nervosa porque lá tava lotado, tinha muito barulho. Eu sei. Isso é chato, você não gosta disso. - Sentou do lado de Hannah. - Mas você não pode descontar tudo nas outras pessoas, ok? - Abraçou o corpinho trêmulo da garota. - Olha, está tudo bem agora. Não tem nenhum barulho aqui, tudo está bem silencioso, do jeitinho que você gosta.

Em menos de vinte minutos, Hannah já estava mais calma. Só precisava de um momento de silêncio.

- Desculpe, pequena. - disse Manuella. - Eu não sabia que hoje estava tão lotado. O que eles fazem aqui em plena às quatro da tarde de uma segunda-feira? Ninguém mais trabalha nesse país? - Bufou. - Vem, vamos voltar para casa.

Manuella só queria que sua irmã tivesse a vida mas normal possível. Queria que ela fosse a qualquer lugar sem que as pessoas olhassem torto para a menina.

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Crayons - Billie Eilish x S/NOnde histórias criam vida. Descubra agora