Bia já estava mais calma. Não chorava tanto quanto quando cheguei, e, na verdade, agora tinha até um meio sorriso no rosto, depois de assistir ao vídeo que, com certeza, era o assunto mais comentado do morro.
Bia: — Ainda não acredito em como você ficou! — Ela deu de ombros, me olhando com um sorriso.
Catarina: — Como assim? Não entendi. O que você quis dizer?
Bia: — Catarina, você era tímida, até meio chata... não saía de casa pra nada. Era uma gatinha assustada. E agora? Recebe bailes em sua homenagem, é a mulher do chefe do morro... e olha isso! — Ela virou o celular pra mim, mostrando o vídeo. — Ameaça traficantes de morte pela tonta da sua amiga.
Catarina: — Você não é tonta, só é abestada! — Sorri, e ela fez careta. — Eu mudei, sim. Mas foram as circunstâncias da vida que me moldaram. Um tempo atrás, eu não tinha amigos, nem família... nem a mim mesma.
Bia: — E eu amo essa nova versão.
Catarina: — Eu também! — Dei um meio sorriso. — Topa uma cerveja gelada?
Bia: — Ah... não sei. Acho que não quero sair de casa por um tempo.
Catarina: — Claro que quer! Você tá viva, não fez nada de errado. Todo mundo nesse morro faz sexo.
Bia: — Cat, sei lá...
Catarina: — Quer que eu te ameace também?
Bia: — Chata! Tá bom... vamos tomar um litrão e pronto.
Catarina: — Ótimo, vamos nessa.
Nós duas levantamos e saímos juntas. As pessoas ainda cochichavam enquanto a gente passava, mas eu só fechei a cara e agarrei o braço da Bia. Ela não estava sozinha.
Sentamos numa mesinha de bar e pedimos um litrão bem gelado.
Meu celular tocou. Só podia ser a Isa querendo saber onde eu estava. Mesmo sem querer, acabei convidando ela. Digo "sem querer" porque sabia que a Ana viria junto... e, naquele momento, eu estava com um certo ranço da cara dela.
Uns dez minutos depois, as duas chegaram.
Isa: — Falta de consideração, hein? Bebendo sem me chamar?
Catarina: — Sirva-se, compatriota.
Isa: — É claro que vou me servir. Tá achando o quê?
Bia: — Essa eu conheço? — Ela olhou pra Ana.
Isa: — Essa é a Ana, nossa nova amiga.
Ana: — Prazer! — Ela deu um sorriso simpático.
Bia: — Oi! Senta aí, bebe com a gente.
Ana: — Não sei se devo... — Ela me olhou.
Isa: — Ahhh, gente, para! Puta merda! Vocês são amigas, só tiveram uma briguinha besta. Bebam e vão pra merda depois.
Catarina: — Sempre delicada... — Revirei os olhos. Ela me mostrou o dedo. — Senta, Ana. Não vamos tocar no assunto, e acabou.
Ana: — Ótimo. Morreu! — disse, se sentando.
Bia: — Cat, cadê seu namorado?
Isa: — Tá perguntando de qual dos dois?
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
RomanceCatarina è uma adolescente que não leva uma vida nada fácil dentro de casa, quando uma dívida precisa ser paga ela è usada como pagamento para o chefe do morro.
