Flávia Saraiva

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Estava sentada na arquibancada ao lado da minha irmã mais velha, assistindo às apresentações de ginástica. Enquanto ela observava ansiosamente todas as competidoras, eu esperava por apenas uma: Flávia Saraiva.

Flávia era uma pessoa especial em minha vida, embora eu não soubesse exatamente como definir nosso relacionamento. Éramos amigas? Amigas que se beijam? Eu definitivamente sentia algo mais profundo por ela do que simples amizade.

Ao procurar por Flávia com os olhos, meu sorriso se desfez ao vê-la sentada no chão, próxima demais de outra ginasta. Não era do meu feitio ser ciumenta, pelo menos não tanto quanto Flávia, mas algo naquela outra menina me incomodava. O jeito como ela olhava para Flávia me desagradava profundamente, e o riso fácil de Flávia, que parecia conhecê-la há anos, não ajudava. Eu confiava em Flávia, mas sabia que ela podia ser inocente e desatenta, o que muitas vezes levava as pessoas a se aproveitarem dela. Minha expressão de raiva não passou despercebida pela minha irmã.

— Tá tudo bem, S/N? — ela perguntou, preocupada.

Balancei a cabeça negativamente.

— Por favor, diga que não é coisa da minha cabeça e que aquela menina está dando em cima da Flávia na cara dura — falei, sem tirar os olhos das duas.

Minha irmã também as observou.

— Realmente... Aquela menina tá meio estranha, mas Flávia parece não perceber — deu de ombros.

Eu sabia que Flávia não estava correspondendo, apenas sendo educada. Conhecia bem o jeito dela flertando, e aquilo definitivamente não era flerte. Respirei fundo e vi Flávia se levantar, procurando algo na arquibancada. Quando nossos olhos se encontraram, ela acenou alegremente para mim. Meu peito se encheu de paz e eu acenei de volta, aliviada ao vê-la sorrindo.

As apresentações começaram e uma dupla de meninas se aproximou, puxando conversa. Não era uma pessoa extrovertida, mas aquelas meninas me fizeram rir e conversar. Uma delas, loira de olhos verdes, estava envolvida em uma discussão sobre a arquitetura do ginásio com minha irmã. A outra, uma morena alta de cabelos cacheados, flertava descaradamente comigo, e eu me esquivava a cada investida.

— Você é linda! — ela disse de repente, colocando a mão na minha coxa.

Dei uma risada baixa.

— Obrigada... — murmurei, desviando o olhar. Um arrepio percorreu meu corpo e, ao olhar para o ginásio, vi Flávia me observando com um olhar sério.

Tirei delicadamente a mão da menina da minha coxa. Ela me olhou curiosa.

— Você namora? — perguntou, preocupada.

Balancei a cabeça.

— Não, mas... gosto de uma pessoa e sinto que não seria justo nem comigo, nem com ela — falei gentilmente.

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