O santuário

3 0 0
                                        


O sol estava começando a se pôr quando Betty retornou ao jardim. O canto mágico que havia descoberto parecia ainda mais encantador sob a luz dourada do final da tarde. O banco coberto de musgo parecia agora um trono de realeza em um reino perdido, e o pergaminho que ela havia encontrado despertara uma curiosidade que ela não conseguia ignorar.

Com o coração acelerado, Betty decidiu explorar mais a fundo aquele espaço. Ao redor do banco, havia um emaranhado de flores e arbustos que pareciam ter sido moldados por mãos invisíveis. O perfume das flores misturava-se com uma fragrância quase etérea, que parecia emanar de um lugar mais profundo e misterioso. Betty notou que uma trilha estreita, coberta por pétalas e folhas, se estendia além do que os olhos podiam alcançar.

Ela decidiu seguir o caminho, seus passos sendo abafados pela vegetação. À medida que avançava, a luz do sol filtrava-se através das árvores, criando padrões luminosos no chão. A trilha parecia serpenteia e, por vezes, se escondia atrás de troncos antigos e raízes retorcidas. A cada passo, Betty sentia que estava se aprofundando em um mundo que não pertencia completamente ao nosso.

De repente, a trilha se abriu para uma clareira surpreendente. No centro, havia uma fonte de pedra coberta por musgo, e ao redor dela, pequenas criaturas luminescentes voavam, como se fossem vagalumes encantados. A água da fonte brilhava com um tom azul profundo, refletindo uma luz suave que parecia ter vida própria.

Betty se aproximou da fonte, maravilhada com a cena. As criaturas ao redor pareciam dançar em uma coreografia silenciosa, e o som da água caindo era como um sussurro doce que acalmava sua mente agitada. Aproximou-se da borda da fonte e, ao olhar para a água, notou algo inesperado: uma imagem nítida e detalhada se formava na superfície, como se a água fosse um espelho mágico.

A imagem refletida era um mapa detalhado do jardim, mas com um elemento adicional — uma série de símbolos estranhos e antigos estavam dispersos por ele, alguns brilhando com uma luz dourada. Betty franziu a testa, intrigada com o significado dos símbolos. O mapa parecia indicar uma série de locais no jardim, cada um marcado com um símbolo diferente.

Enquanto Betty estudava o mapa, uma brisa suave começou a soprar, fazendo as criaturas luminosas se dispersarem e as folhas ao redor da clareira se agitarem. De repente, ela ouviu um som distinto — um leve tilintar, como se algo estivesse sendo tocado delicadamente. Seguindo o som, Betty se deparou com uma pequena caixa de madeira escondida sob uma pilha de folhas secas.

Com as mãos tremendo de expectativa, Betty abriu a caixa. Dentro, havia um antigo livro encadernado em couro, com uma capa ornamentada com os mesmos símbolos que apareciam no mapa da fonte. O livro parecia emitir um brilho suave e pulsante. Betty sentiu uma mistura de curiosidade e apreensão enquanto o folheava. As páginas estavam cobertas com escritos em uma língua que ela não reconhecia, mas que parecia cheia de mistérios.

Antes que pudesse examinar mais, uma sombra se projetou sobre a clareira, e Betty virou-se abruptamente. O que viu a fez prender a respiração: uma figura encapuzada estava parada à beira da clareira, observando-a com um olhar enigmático. A figura parecia ter aparecido do nada, e o ambiente ao redor parecia se desviar para o desconhecido.

Betty tentou falar, mas as palavras falharam. A figura ergueu a mão de forma calma, como se para acalmá-la. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, a figura se virou e desapareceu entre as árvores, deixando Betty sozinha com o livro e o mistério que agora sentia profundamente.

Sem SaidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora