Interrompidas

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Foi engraçado ver a reação de Charlotte. A mulher depois de sair do transe, posicionou o celular de modo que ficasse encostado e que não tivesse que utilizar suas mãos.

— O que você está tentando fazer? Não estou entendendo Engfa — Balançou a cabeça negativamente — Sempre obcecada pelo poder, não gosta de tê-lo para si? Não aumenta seu ego? E agora ansiando por mim, o quão patético isso lhe parece?

A voz de Charlotte se tornava rude, mas não um rude ruim e sim algo extremamente bom aos ouvidos de Engfa.

— Por favor... Eu preciso de você — Admitiu sua voz foi baixa, mas alto o suficiente para que a outra mulher ouvisse.

— Não... Não... Você foi uma péssima menina, o que pensou quando me enviou aquela foto? Ou quando me chamou daquilo na frente de seus amigos? Hm?

— Eu apenas pensava em você e em seu toque...

— Exatamente você pensava em sim mesma, somente em si e seu ego.

Charlotte disse irada com a situação, o olhar de Engfa era cada vez mais baixo e ainda mais quando se tratava do corpo que se encontrava a sua frente.

— Veja só para você! Não consegue nem manter seu olhar preso ao meu. — Charlotte riu e debochou — Tão fraca, Engfa!

Em qualquer outra ocasião esse comentário viria a trazer danos a Charlotte, no entanto a tensão e o álcool era duas influências para que Engfa não invertesse as posições.

[...]

A verdade é que Engfa e Charlotte eram próximas demais, aquela amizade já durava algum tempo lentamente se tornava algo a mais.

Esse lento se tornava algo totalmente torturante para ambas.

As duas sempre acabavam ficando quando estavam bêbadas.

E de repente todos os sentimentos que sentiam uma pela outra se tornavam cada vez mais confusos.

Nesse momento Engfa estava com os pensamentos distantes, mas suas mãos que sempre eram utilizadas para o prazer da mulher do outro lado da tela agora faziam questão de serem utilizadas para o prazer próprio.

Era uma tortura não ter Charlotte ao seu lado, sentia falta de cada possível toque e provocação mesmo que fosse mínima.

Austin por sua vez a olhava com desejo do outro lado da tela, ela não tinha conseguido digerir a imagem a sua frente, onde a mulher tratava de se tocar sem pudor.

A imagem da morena com a cabeça jogada para trás, os lábios abertos com a respiração desregulada e olhos fechados.

— Céus! Engfa — Um suspiro saiu dos lábios da mulher.

— Consegue ver? O quanto eu lhe desejo? — A voz de Engfa se  encontrava rouca e baixa, os gemidos da mulher causavam arrepios na pele de Charlotte.

No final de tudo, era sempre desejo. Que ambas insistiam em ignorar e nunca falar sobre ele.

No final acabavam assim em ligações ansiando uma pela outra ou até mesmo no quarto do hotel da outra. Desta vez a segunda opção estava fora de cogitação, já que Engfa se encontrava muito distante, mas o desejo lhe fazia correr por muitos lugares que nunca imaginou.

Quando as coisas estavam indo para um caminho mais sujo e o desejo se mostrava ainda mais presente, houveram batidas na porta do quarto de Engfa.

A princípio a morena não notou, os seus próprios gemidos eram capazes de encobrir boa parte deles.

Mas Charlotte rapidamente escutou, a voz era de Heidi a amiga do casal que provavelmente estava preocupada com Engfa.

— Babe... E hora de parar, prometo que assim que estivermos a sós irei retribuir cada segundo perdido, mas agora obedeça.

Engfa assentiu confusa, frustrada por não ter saciado seu próprio prazer. Mas cada palavra ditada por Charlotte era mais do que um pedido e sim uma ordem.

Com o silêncio instalado, agora Engfa era capaz de escutar a voz de Heidi.

— Querida? Tá tudo bem? Você saiu rapidamente de lá e ouvi dizer que Charlotte pediu que todos tirassem o álcool de você. — Ouve um silêncio breve e Charlotte arqueou uma das sobrancelhas — Eu sabia que não devia ter deixado você brincar com álcool junto das outras Miss, e muito menos daquelas brincadeiras.

— Brincadeiras? — Austin sussurrou em curiosidade e mordeu os próprios lábios.

Naquele mesmo instante e final de noite, Engfa soube de algo. Ela estava em apuros, seus atos estavam mostrando dignos de consequências.

— Estarei aí no fim de semana, cuidado com suas atitudes, Awhara. — Austin riu baixinho — A punição não vai ser algo agradável...

Distributing roles - EnglotHistórias para pegar e não largar. Descubra agora