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Ana Flávia:
Quando ele terminou de falar tudo aquilo, eu gelei. Não acredito que dei uma bronca e cobrei algo fútil de uma pessoa em luto
- Gustavo... - Engulo o choro por ele
- Sim?
- Me... Me desculpa! - Falo deixando uma lágrima cair
Culpa ou pena?
Os dois!
- Está tudo bem
- Eu acabei de te xingar, cobrar coisas inúteis, sendo que você está de luto
- Você não sabia - Limpa as minhas lágrimas
- Eu sou um ser humano horrível - Resmungo para mim mesma
- Não é. Olha, em todo o momento eu te falei que não mudaria nada se a gente fizesse algo, então, depois de te dar prazer por uma madrugada inteira, eu te ignoro. Você mostrou que não é uma mulher de aceitar moleques
- Me perdoa, sério- Sinto meu rosto queimar de vergonha
- Quer um dia de folga?
- Quem precisa de folga é você! - Ríspida demais, Ana Flávia- Eu não quis dizer isso
- Você tem razão, bonequinha. Talvez eu precise de folga
- Eu... eu... acho melhor eu ir embora- Finalmente encaro seus olhos
Ele está cansado, e abalado. Admiro sua força em ainda estar trabalhando e não chorando
- Já está tarde - Olha para o seu relógio- Até amanhã
- Olha... agora é sério, se eu fosse você, pedia o afastamento de luto, acho que faria bem relaxar um pouco
- Não faria. Aqui no trabalho, eu foco em o que tenho para fazer já em casa, pensaria apenas na minha vó
- Não quer viver o luto?
- Ninguém quer - Dá de ombros - Agora que nós dois já falamos o que ocorreu um com o outro, acho melhor irmos embora - Se aproxima de mim e beija minha cabeça- Espero que não esteja se sentindo mal ainda
Não, claro que não. Por que eu sentiria né, Gustavo Mioto?
- Qualquer coisa - Engulo em seco - Qualquer coisa, pode falar comigo
- Não sou de desabafar com as pessoas, mas agradeço
- Tchau, Gustavo, e mais uma vez, me perdoa!
- Não precisa pedir perdão
- Apenas... aceite o meu pedido de desculpas
- Se faz com que não passe a madrugada chorando, está perdoada