II. Hirai Momo - HOT

601 49 35
                                    

S/n POV

   Eu, oficialmente, iria morrer. De frio. Puta merda, dessa vez a Elsa não estava pra brincadeira — e, olha que estávamos no Brasil.

   No Brasil.

— S/n-ssi, me esquente, por favor! — Jeongyeon se aproximou, com a pontinha do nariz vermelho e a voz dengosa.

— Eu não! Vá pra sua namorada. — empurrei-a para o colo de Chong Elkie, parceira da coreana há quase dois anos.

Yah! Yoo Jeongyeon, quem você pensa que é? — Elkie ralhou para a namorada em falso tom de repreensão. Ela era famosa entre nós por sempre colocar a idol na linha sem precisar de muita coisa.

— Todinha sua, amor, só sua. — ouvi Jeong retrucar com a namorada, enquanto eu me distanciava nos bancos, em uma vozinha irritantemente fofa.

   Nós estávamos em São Paulo — comemorando a ativação do grupo novamente —, e esperando pacientemente um sinal para podermos sair da van. E, dessa vez, eu estava como uma staff pessoal do grupo, por falta de pessoal na empresa.

   Vamos dizer que o TWICE não é lá tão querido entre quatro paredes.

   Como era a primeira vez em solo brasileiro, as meninas ficaram empolgadas com a ideia de sair e curtir uma noite com os paulistas. Por mais que eu seja carioca, eu não dispensaria uma boa noitada. Mas, como tudo tem uma primeira vez, eu somente me certificaria que as meninas estariam em segurança e voltaria pro hotel. Chaeyoung, a mais antenada entre as meninas com essas coisas, procurou uma casa de festa noturna para levar as amigas, e sim, (lê-se em tom triste) eu.

   Entretanto, como isso é super difícil e complicado para idols mundialmente famosas, ela, Jihyo, Jeongyeon e nossas staff's deram um jeito de reservar o estabelecimento por uma noite. A grande pequena Son, boba nem nada, agitou todo mundo e muitas pessoas, que eu diria estranhas, para irem também — (chamaram-a de gênia).

   O jet lag ainda estava me dando dor de cabeça, ainda não estava liberado voos direto, sem conexão, — por consequência, fomos obrigadas a ficar seis horas no aeroporto de Bogotá, na Colômbia. Eu realmente não sei como essas meninas estão no pique de uma balada. Olhei através da janela com insulfilm da van, um céu estrelado estava dando pinta... deve chover amanhã.

   Como se eu sentisse uma queimadura nas costas, virei minha cabeça lentamente, e disfarçadamente, para trás, encontrando um par de olhos japoneses me encarando fixamente. Não contei? A dançarina do grupo deu pra me enlouquecer. Sério, não sei o que se passa na cabeça dela.

   No início, nossa relação não passava de uma pessoa que conhece outra pessoa: conhecidos. Eu chego cedo no meu escritório, ela já está na sala de prática. Eu saio para almoçar, ela está no parapeito fumando seus cigarros de canela. Não importa a hora que eu chegasse, eu conseguia vê-la do alto, — na direção de onde o sol nasce, fazendo os cabelos pretos brilharem e sempre me fazia levantar a mão rente ao rosto na tentativa de resistir ao clarão. Eu vou estender a roupa, ela está na lavanderia de pernas cruzadas. Quando eu não consigo dormir, costumo sair para dar uma volta no quarteirão, vestida com calça de moletom e um cachecol bem grosso no pescoço — incontáveis vezes em que encontrei a Hirai no mesmo estado de insônia que o meu sentada no banco de mármore do prédio, às vezes fazendo carinho no felino que costuma rondar por aí e com um cigarro na mão. E eu te digo, todas essas vezes em que nos encontramos sozinhas, houve uma troca de olhar bizarra.

Era como se ela quisesse me comer. Não no sentido carnal, não era um olhar de luxúria. Era um olhar analisador, curioso, interessado.

   E ela nunca sente frio. Eu sempre a vejo com shorts curtos e croppeds de manga longa de tecido fino ou camisa regata de algodão, acima do umbigo. Seu nariz nunca fica vermelho.

STAFF - Twice X YouOnde histórias criam vida. Descubra agora