chapter five.

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▬▬▬▬ you'd have to stop the world just to stop the feeling.

O sol parecia estar menos incandescente, as nuvens acinzentadas e cruéis cobriam seu brilho e o ofuscavam, impedindo que ele se encontrasse com a maresia diariamente intensa. Hoje meu dia começou da maneira menos agitada possível, sem a forte presença das pessoas que eu estou praticamente me acostumando a ver todos os dias aqui. Com alguns e-mails trocados, algumas ligações e algumas matérias sendo publicadas, eu portava meu notebook na mesa de café da manhã do hotel, digitando sem parar enquanto assistia minha própria transmissão e lia as descrições das entrevistas no meu caderno de notas com a estampa da Barbie. A quantidade de vezes que escutei reclamações de Malie depois daquela ligação desastrosa com Medina não poderiam ser contadas, e agora não posso sair da linha, porque mais uma vez estou escutando a voz dela, normalmente calma, mas agora um pouco alterada, dando uma ênfase gigante na maneira em que nos comportamos em frente as câmeras. 

― Por favor, eu apenas estou pedindo para você ser mais profissional. 

 ― Mas eu estou sendo profissional. Não há o que se preocupar. - respondi, concentrada em digitar e a deixando de lado.

― Lana, você por acaso percebeu a repercussão que aquilo tomou? A quantidade de rumores? 

Suas palavras fizeram meus dedos pararem de bater nas teclas, fez uma expressão de choque e dúvida tomar conta do meu rosto, e um arrepio percorrer minha espinha, de maneira quase nula, mas crepitante. 

― O quê? Não, não estava sabendo. 

― Você é jornalista, achei que sempre estava de olhos nas notícias. 

― Apenas me importo com notícias verídicas, e não com rumores. Ainda não tenho tempo para isso. - menti. 

Na verdade, eu me importava muito em onde meu nome estava metido.

―  Pois deveria se importar mais, não tem noção da proposta que perdeu. 

Meu sangue gelou, meu coração parou de bater por talvez alguns segundos e comecei a pensar e a caçar nas memórias quando tinha recebido alguma proposta. Mas, nada. Nada aparecia na minha mente e eu estava a ponto de enlouquecer.

― Que... que proposta? - minha voz saiu trêmula.

― A WSL entrou em contato comigo, não faz muito tempo. Eu queria te contar o quanto antes, mas eu sabia que estava ocupada, então adiei para quando voltasse para Honolulu. 

― Tá bom, e... - esperei que ela completasse, ansiosa.

― Se eles te convocassem para ser uma das juízas de avaliação, você aceitaria? 

Sua pergunta me atingira como a dor de uma bala, certeira e cruel. Tão direta que não tive a chance de pensar nas consequências antes de obviamente concordar. Minha mente ainda estava em transe, surpresa. Aquilo fora repentino demais, cedo demais. 

― Claro! Nossa, é uma oportunidade imperdível. 

― Justamente, foi uma pergunta retórica. Se eles levarem a sério esses rumores que você está com o Medina, ou se nenhum dos dois negar, eles vão desistir. Nenhum dos juízes podem ter envolvimento com os surfistas da liga, isso é completamente contra as regras.

― Tá mas, eu definitivamente não estou com ele. 

― Você precisa demonstrar isso mais vezes, sabia? Não adianta falar isso para mim enquanto vocês flertam rede nacional. 

― Eu não flertei com ele em rede nacional. - entortei o nariz.

― Não falei que não era mutuo. - deu uma risadinha. ― Tenho uma reunião agora, quero a matéria no ar as onze. Mande para a Amelia revisar. 

SUMMER BUMMER ⸻ GABRIEL MEDINAOnde histórias criam vida. Descubra agora