WAGNER MOURA
dia seguinte
O escritório parecia funcionar no automático, como sempre, mas havia uma tensão no ar que só eu parecia sentir. Eu sabia exatamente de onde vinha. Assim que vi Pietra entrar, soube que o dia não seria tão simples.
Ela passou direto, fingindo que eu não estava ali. Claro, era o jogo dela. E eu? Eu jogava de volta. Mas hoje, depois do que aconteceu na noite anterior, eu precisava esclarecer algumas coisas.
Caminhei em direção ao corredor, meus passos controlados. Ninguém precisava perceber nada, era só uma conversa. Encontrei-a na saída da sala de reuniões, sozinha. Perfeito.
- Precisamos conversar - disse, me aproximando. Meu tom era direto, sem rodeios. Ela parou e me olhou de lado, um sorrisinho de canto que não disfarçava a provocação.
- Conversar? Pensei que a gente já tivesse resolvido tudo ontem.
Ela não estava errada, mas o que me incomodava era o quanto aquilo ainda martelava na minha cabeça. Eu me aproximei mais, meu olhar fixo no dela.
- Sem rodeios, Pietra. Não quero drama, só que as coisas fiquem claras. O que aconteceu ontem... foi só isso, certo? - ela cruzou os braços e inclinou a cabeça, como se estivesse avaliando o que eu dizia.
- Foi o que você quis, Wagner, não foi? - sua voz era neutra, quase desinteressada. - Nada além de um momento.
- Só quero saber se estamos na mesma página - retruquei, mantendo a calma. Ela riu baixinho, aquele riso que sempre vinha quando ela estava um passo à frente.
- Estamos. Não tenho tempo para complicações, muito menos para alguém que fica filosofando sobre idade. - ela jogou o último comentário como uma indireta, direto no ponto.
- A idade é um fator - retruquei, não queria fugir disso, mas ao mesmo tempo sabia que era uma desculpa.
- Só é um fator para quem quer criar problema onde não tem. - ela deu de ombros, se aproximando um pouco mais. - Se não aguenta o ritmo, é só dizer. Mas não se esconda atrás disso.
Ela estava certa. E ambos sabíamos. Não havia nada de sentimental no que tínhamos. Era pura atração, simples e direto. Eu respirei fundo, percebendo que discutir isso com ela era inútil. No fundo, eu também não queria mais do que aquilo. Ela tinha razão. Era só desejo.
- Certo - concordei, soltando o ar com uma certa impaciência. - Sem complicações. - ela se aproximou ainda mais, agora a centímetros de mim, o sorriso dela ficando mais afiado.
- Ainda bem. Porque se fosse diferente, você não ia saber o que fazer.
Eu ri, sem humor, e ela passou por mim, seguindo o caminho até a porta como se nada tivesse acontecido, me deixando sozinho na sala. O jogo continuava, e nós dois estávamos jogando. Sai da sala e vi Pietra se afastar pelo corredor, o som dos saltos dela ecoando pelo chão de mármore, cada passo medido e confiante. Não havia dúvida de que ela sabia exatamente o que fazia. Eu me recostei contra a parede por um instante, processando o que acabara de acontecer. Ela estava no controle - ou ao menos, gostava de fazer parecer assim.
Balancei a cabeça, soltando um riso seco. Tudo bem. Eu não ia me deixar levar por isso. Era como ela disse: sem complicações. Se era isso que ela queria, era exatamente o que eu ia entregar.
Me endireitei, ajeitando a gravata, e voltei ao meu escritório. As reuniões, os contratos, tudo seguia como sempre, e a rotina monótona da corporação ocupava o restante do dia. Mas, mesmo com toda a papelada, uma parte de mim permanecia atenta, esperando o próximo movimento dela. Isso sempre fazia parte do jogo. Eu sabia que, eventualmente, Pietra cruzaria meu caminho de novo, e não seria para conversar.
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𝘀𝗼𝗺𝗲𝗼𝗻𝗲 𝗼𝗹𝗱𝗲𝗿
Fanfiction- ( 🎱 ) moura + santiago ღ 𝗐𝖺𝗀𝗇𝖾𝗋 𝗆𝗈𝗎𝗋𝖺 | onde pietra tem tara em homens mais velhos. 𝘴𝘩𝘰𝘳𝘵𝘧𝘪𝘤. [09/10/24 - 00/00/00]
