1.08

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Capitulo 1.08: beijos e sorvetes
Tom Kaulitz, 2002

Finais de semana só tinham um objetivo após Bill decidir que sua vida gira em torno da sua nova amiga (já não sei se pode ser considerada"nova"), encontrar Mato de algum jeito, dessa vez era ir em uma sorveteria. Eu não reclamava de ver ela tanto, eu adorava, Bill ficava extremamente feliz perto dela e eu ficava feliz por presenciar esses momentos. Perguntei ao meu irmão se ele se importava com o fato de eu estar sempre junto, ele disse que não, mas que gostaria de ficar sozinho com ela pelo menos uma vez, para poder se declarar e beija-la (ele não disse a segunda parte, mas eu supus que ele queira isso)

Nos últimos dias comecei a refletir sobre meus sentimentos, a questionar se eu realmente gosto de Matsuri, porque talvez eu goste do jeito que ela trata Bill bem, gosto de ver meu irmão o mais animado possível e ela é uma das poucas pessoas que causa esse efeito nele. No entanto, não cheguei ainda na minha resposta

Ir na sorveteria era o que eu precisava para deixar Bill e Matsuri sozinhos por alguns minutos, eles iam ficar em uma mesa e eu em outra. Aparentemente a japonesa é obcecada por sorvete, descobri isso no dia do sorvete na escola, ela torrou o próprio dinheiro se alimentando do tal doce, Bill se preparou para hoje poder pagar quantos sorvetes ela quisesse. Eu trouxe dinheiro apenas para um sorvete, o meu

Bill agradeceu muito meu plano de deixar eles comendo sozinhos enquanto eu sentava em outra mesa, esse era o problema, a sorveteria estava lotada, só tinha uma mesa disponível. Olhei para os redores e abri um sorriso sincero ao ver minha vizinha sentada sozinha em uma mesa de dupla, melhor do que nada, ela iria me aturar

— fiquem aí, vou falar com ela- aponto para a garota e me distancio

Falei com a vizinha poucas vezes em minha vida, quando falei eram conversas muito formais e curtas, sabia que ela tinha algum interesse em comum comigo, o skate, vi ela andando na rua várias vezes. Me aproximei dela e a mesma me olhou confusa

— oi, Geórgia- digo envergonhado e a mesma sorri sem mostrar os dentes- não tem outra mesa, posso me sentar com você?

A garota olhou aos redores e parou em Bill e Mato que já estavam fazendo os pedidos, logo voltou a atenção para mim

— mas seu irmão está ali- diz calmamente

— é complicado- digo juntando as mãos- juro que não irei encher seu saco- imploro

— entendi- ela dá um sorriso malicioso- senta- da de ombros

Me sentei na cadeira que estava a sua frente e fiquei a encarando enquanto comia seu sorvete, que parecia delicioso, as expressões faciais dela me confirmavam isso facilmente. Eu iria pedir um igual

— para de me olhar assim, isso me assusta- franze o cenho e eu abaixo o olhar- não consigo esconder a curiosidade, achei que ela era a sua namorada e não de Bill

— por que acha isso?- dou uma risada nervosa

— porque achava que Bill gostava da outra coisa- diz calmamente- mas percebi que preciso acabar com meu preconceito, eu apenas o estereotipei

— quem me dera se ele só gostasse da outras fruta- confesso em um murmuro e a mesma me olha confusa- nada- dou um sorriso forçado

Ela pareceu se convencer que eu não tinha dito nada de importante e voltou a comer seu sorvete. Olhei para os lados avistando o garçom, o chamei e o mesmo veio sem muita animação

— aqui- ele me entregou o cardápio e ficou esperando sem muita paciência

Olhei sabor por sabor, mas eu não identifiquei qual seria o que Geórgia havia pedido. O olhei e respondi:

— o mesmo que o dela- aponto para a vasilha dela e o homem revira os olhos

— que seria?- pegou o prato da garota e me mostrou, estava vazio

— baunilha com morango, amendoim, calda de chocolate, confeitos vermelhos e os canudos de biscoitos- ela responde por mim e eu concordo com a cabeça como confirmação

— exatamente isso que eu quero

— tá- retira o cardápio da minha mão e vai embora com a mesma empolgação que antes

— a própria miss simpatia- a garota revira os olhos- me atendeu também, alguém deveria avisar que ele deveria ser mais simpático com os clientes

— nem me diga- suspiro e olho para a dupla que conversava animadamente

Um sentimento de inveja subiu pele minha garganta, eu queria estar no lugar dele de algum jeito e isso quebrava todas minhas teorias de que talvez eu não realmente gostasse dela. O que já estava ruim se tornou pior, devido a essa inveja, veio a culpa de ter um sentimento tão horrível como aquele, era como se muitas facas estivessem sendo cravadas no meu coração

— Tom, eu tenho que ir- Geórgia diz se levantando- infelizmente tenho um compromisso, tem problema você ficar sozinho aqui?

— não, nenhum- a olho fugindo de meus pensamentos- obrigado pela companhia- sorrio e a mesma retribui antes de se vira e ir embora

Quando eu ia voltar a olhar a dupla, o garçom voltou e colocou a tigela em cima da minha mesa com certa agressividade. Não consegui agradecer, ele foi embora

Diferente de mim, Bill e Matsuri já pareciam ter acabado o doce deles. Ambos levaram seus olhares até mim e sorriram alegremente, combinavam, não ia mentir. Bill falou alguma coisa para sua futura namorada e se encaminhou até mim

— eu posso levar ela pra andar na praça aqui perto?- ele pede esperançoso- prometo não demorar- junta as mãos implorando

— vai lá, vou comer mais um sorvete- dou de ombros- mas não demora, o atendente não parece gostar de mim

— obrigado- ele sorri animado- você é o melhor irmão do mundo

Para ele, eu sou o melhor irmão do mundo, para mim, esse cargo é totalmente dele, eu nunca iria cumprir essa função. Sorri pro mesmo e ele se afasta em passos rápidos

Não reparei quando foram embora, apenas terminei meu sorvete, pedi outro e fiquei esperando com que voltassem

Deve ter passado no máximo meia hora para eles finalmente voltarem, consegui acabar meu segundo sorvete nesse meio tempo e pagá-lo. Eles voltaram falantes, o que não era muito diferente do habitual, deixamos Matsuri em sua casa e voltamos para nossa querida residência

Mamãe não estava em casa, ela deveria ter saído para ir no mercado devido a condição precária de nossa geladeira. Bill me puxou para seu quarto e se sentou na cama, fiz o mesmo, fiquei em sua frente

— foi legal?- pergunto curioso

— sim- ele bate palmas- eu dei um beijinho nela- suas bochechas coram e olha para o lado envergonhado

— "beijinho"? Como assim?

— oras, um lábio toca no outro- ele explica como se fosse óbvio

— mas foi tipo, beijinho, beijo ou beijão?

— foi só um selinho- ele revira os olhos- mas foi especial para mim- sorrio vendo sua alegria

Bill parecia uma garota quando estava apaixonado, o que não era ruim necessariamente, garotas costumam ser mais sentimentais e românticas, muitos meninos, principalmente na nossa idade, não eram assim, só pensavam no seu ego próprio, Matsuri era uma garota de sorte definitivamente

———

Continua...

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Save Him| Tom KaulitzOnde histórias criam vida. Descubra agora