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Capítulo 1.09: apostas
Tom Kaulitz, 2002

Assim que o sinal de fim das aulas tocou, todos os alunos saíram correndo da sala de aula, eu nunca tinha muita pressa, apenas precisava esperar por Bill ou encontrá-lo no meio do caminho. Guardei todas coisas na minha mochila e fui o último a sair

Enquanto andava pelos corredores, vi Matsuri correndo em minha direção com um papel nas mãos. Ela parou em minha frente e me deu aquele papel esperando que eu falasse algo

Era seu boletim escolar

— uau- digo impressionado e ela sorri orgulhosa- você é ótima em...- olho nota por nota- todas as matérias?- focalizo em seu "10" em matemática- principalmente em matemática, eu sou péssimo

— é minha favorita- ela diz- junto com artes

— estou orgulhoso de você- devolvo o papel para ela e a mesma agradece- tem que mostrar para Bill, ele vai adorar

— vamos atrás dele!- ela diz animada

Eu também havia recebido meu boletim, mas não tinha notas tão boas quanto de Matsuri, mas o suficiente para passar de semestre com poucas preocupações. Meu irmão ainda estava em sua sala, parecia estar acabando um atividade, só tinha ele e a professora que esperava tranquilamente, com permissão dela, entramos

— Bill!- Matsuri diz se aproximando e o garoto a olha sorridente

— eu já estou acabando- ele diz e a garota se posiciona ao lado dele- só mais uma questão

A menina analisa o que estava escrito na atividade de Bill, assim que terminou, pegou a caneta dele e respondeu a pergunta em poucos segundos

— você é incrível- ele diz impressionado enquanto se levanta e pega o papel- obrigado- beija sua bochecha e caminha até a professora para entregar a atividade

Assim que volta para seu lugar, Matsuri entrega o papel para Bill que olha o que tá escrito e deixa escapar um sorriso orgulhoso de seu rosto

— parabéns- diz surpreso- só nota alta, confesso que estou com inveja- a garota dá uma risada fraca- se eu me esforçasse mais, quem sabe eu não seria assim?

— e por que não se esforça?

— porque é chato- devolve o papel para ela- desde que eu passe

Eu não julgava meu irmão por esse comportamento, eu pensava da mesma maneira, nossa mãe até gostaria que nossas notas fossem altas, mas só pede mesmo para que passemos de ano

— tudo bem- ela diz- não acho que nota defina a inteligência de ninguém

— eu já me conformei em ser burro, não se preocupe- Bill diz em um tom descontraído se levantando para arrumar a mochila- o meu boletim está aqui- ele pega o papel na mochila e o entrega para a "amiga"

— não estão ruins, nenhuma recuperação

Me inclinei um pouco para ver como que estavam as notas no meu irmão, deixei um sorriso escapar quando percebi que as minhas estavam maiores, só alguns décimos, mas eram maiores, era motivo para eu me exibir mais tarde

— seis em matemática?- pergunto pro garoto que apenas confirmou com a cabeça- burro, tirei seis e meio- provoco e ele revira os olhos

Eu e meu irmão comparávamos nossas notas para vermos quem era menos incompetente, no geral, estava empatado, tirávamos notas muito parecidas (até porque estudamos juntos), por isso qualquer ponto a mais era motivo de comemoração

— grande coisa, Matsuri tirou 10- pega o papel de volta, o joga na mochila e a fecha- ela poderia se exibir

— você tem razão- olha para garota- pode se exibir

— não quero- ela põe as mãos para trás- se precisarem de ajuda podem me chamar

— não precisa ser boazinha sempre, se quiser entrar na brincadeira não tem problema

— não leva ela pro mau caminho- Bill me repreende- eu vou aceitar a ajuda- ela sorri- assim ganho do Tom na próxima

— então eu também aceito

Ele queria a ajuda para ficar perto dela, se ficassem os dois sozinhos em um quarto, eles se beijariam e, por mais que queira vê-los felizes, essa ideia me incomodava muito, mais do que devia, então não vou fazer Bill se sentir mais especial. Ao mesmo tempo quero ganhar a competição de notas da próxima

Assim que Bill colocou as mochilas nas costas, saímos da sala e fomos em direção aos corredores. O bom de Bill ter se atrasado é que as pessoas já foram e os corredores estão mais vazios e acessíveis

O casal estava na frente, estavam mais próximos depois do dia na sorveteria, o que parecia impossível. No começo, Matsuri parecia envergonhada de falar com Bill, mas ele a tranquilizou e voltou tudo "pior" que antes

Eu ia me aproximar deles, para não ser excluído, mas alguém tocou meu ombro antes, me fazendo parar e prestar atenção em quem me chamava, os outros dois continuaram andando. Era uma garota normal, extremamente normal

— te conheço?- arqueio uma de minhas sobrancelhas e a menina fica vermelha de vergonha

— eu sou da sua sala- ela gagueja e leva seu olhar para baixo. Arregalo meus olhos e dou um sorriso

— eu sei, só estava brincando- Rio envergonhadamente

— não tem problema, eu nunca falei com você

A garota tinha seu tom de voz extremamente baixo, parecia com muita vergonha de estar falando comigo, me senti mal de não a ter reconhecido

— olhando bem, lembro de você sim- minto novamente

Não lembrava, nunca vi essa menina na vida

— é que eu queria saber se você queria ir no baile comigo?- sua voz só ficava mais baixa a cada palavra, mas ouvi tudo- eu sei que já deve ter outras meninas que queiram ir com você, mas você parece ser muito mais legal que os outros garotos- sorri

Eu definitivamente era mais legal que os outros garotos, mas diferente do que ela pensava, não tinha ninguém que havia me chamado, ela era a primeira, provavelmente a única

— eu...- ela me interrompeu sem querer

— você vai com aquela japonesinha, né?- ela parecia ansiosa- eu imaginava, você a trata bem, por isso que eu pensei em te chamar, porque trata bem a sua amiga- ela parecia estar se arrependendo de ter me chamado- ela é bonita, acho que ficam bem juntos...

— ela está com meu irmão- a interrompo antes que ela prossiga, a menina perecia surpresa- qual é seu nome mesmo?

— Luana- seu rosto fica vermelho novamente, provavelmente ficou com vergonha de ter falado tanto

Meu plano de ir com uma menina mais velha foi para o ralo já fazia um tempo, parece que já tinham chamado quem eu queria, fui idiota de não ter resolvido rápido

Além do mais, Luana era bonita, só que muito tímida, não tinha o porque rejeita-la, nunca fez mal a mim e nem ao meu irmão

— eu aceito ir com você- digo calmamente

— sério?- ela sorri- obrigada

— combinamos mais para frente o que faremos- digo e a mesma concorda animada

Era fofa, não ia negar. Conversei mais um pouco com ela, mas tive que sair correndo quando lembrei que Bill me esperava

Agora eu tinha dois motivos para me exibir, minhas notas e que eu tinha alguém legal para ir no baile

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Continua...

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Save Him| Tom KaulitzOnde histórias criam vida. Descubra agora