2.06

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Capítulo 2.06: confiança
Tom Kaulitz, 2005

No café da manhã, Bill pareceu não querer muito papo comigo, perguntei se ele estava bem, se havia dormido direito, se gostaria de tomar suco, todas as respostas foram resumidas em um "sim" seco e frio. Ele estava chateado

Comia meu cereal e ele comia um pedaço de pão com peito de peru, os dois em silencio, sem trocarmos uma palavra. Eu iria acabar com isso, parecia uma tortura

— desculpa- digo baixo e ouço ele largando o pão no prato

Ele não respondeu, eu o olhei e percebi seu olhar sobre mim enquanto acabava de mastigar o pedaço em sua boca

— não- ele engole a comida- não é sua culpa- ele nega com a cabeça- foi só um jogo, te desafiaram e você cumpriu

— é...- concordo ainda inseguro com a resposta dele

— só, não sei, fiquei chateado porque gosto dela e ela não negou o beijo, talvez ela não goste de mim mesmo, talvez de você

— aposto que isso não significa nada disso, foi só um jogo, como você disse

Com certeza não significava nada mesmo e isso também me chateava

— pode ser, você tem razão- ele sorri fraco- não tem o porque me preocupar, você não gosta dela desse jeito- diz risonho- né?

Não consegui responder, não gostava de mentir para Bill, não tinha como eu simplesmente negar, fiquei sem palavras apenas o encarando. Seu semblante ficou mais sério assim que percebeu minha falta de reação

— ou gosta? - abaixei meu olhar e o mesmo suspirou- bem que eu desconfiei

— desculpa, eu... eu não queria- o olho novamente implorando com os olhos para que ele não ficasse bravo ou triste comigo

— por que não me contou?

— eu não queria te deixar chateado porque eu sei que gosta dela, me desculpa, eu não queria sentir isso

— não quero que se desculpe por conta disso- ele diz cortando minha fala- por que não me contou, por que não confiou em mim? Eu sou seu irmão, mesmo eu gostando dela, eu sempre estaria ao seu lado

Não falei nada, eu deveria parecer um idiota de ter escondido algo desse tipo para ele, ele tinha total razão de ficar indignado

— eu estava desconfiando, mas pensei que era coisa da minha cabeça porque achei que você falaria, estava enganado pelo jeito- ele suspira- faz quanto tempo?

— não muito tempo

— quanto?- insiste na pergunta

— 3 anos- respondo baixo

— e me escondeu esse tempo todo...- seu tom de voz demonstrava decepção

Ficamos quietos por alguns segundos, acho que o clima entre nós dois nunca foi tão tenso, mas ele estava certo, nunca escondíamos nada um do outro, fazer isso era uma traição

— eu não vou desistir dela- ele quebra o silêncio me fazendo o olhar- me desculpa, não quero que se chateie, ou fique triste, mas eu não quero desistir de ter alguma coisa com Matsuri porque eu realmente gosto muito dela

— eu não quero que você desista

— se fosse qualquer outra pessoa eu desistiria e deixaria para você, até porque se soubessem que você tem interesse iriam atrás rapidinho porque sempre foi assim, por isso vou contar o mais rápido possível

— não é bem assim também

— você sabe que é, e eu não duvido que com Matsuri aconteça o mesmo, mas de qualquer forma, eu vou continuar tentando

Save Him| Tom KaulitzOnde histórias criam vida. Descubra agora