O desabrochar do Lírio

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Querida Margaret,

"O estupro vai te rasgar no meio,
Mas não será o fim."

Olivia Benson

Caminhei até a cafeteira e servi duas xícaras, enquanto sentia seu olhar atento sob minhas costas, fazendo com que os pelos da minha espinha se arrepiassem de alguma forma.

— Você se saiu muito bem ontem, Melinda. — lhe entrego uma xícara e logo me acomodo no pequeno sofá preto, sendo acompanhada pela mulher.

— Não foi nada muito grande, – a mesma diz um tanto sem graça — mas obrigada, de qualquer forma.

— Para o seu primeiro dia na unidade foi algo grande, sim.

Beberico um pouco do líquido quente e passo brevemente os olhos sob Melinda que, por sinal estava com sua linguagem corporal tensa.

— Está tensa, D'Ávila. Por quê? 

Ela me encara com seu par de olhos azuis e paralisa por um segundo ou dois, antes de levar a xícara até os lábios e em seguida esticá-los levemente em um sorrisinho.

— Não é nada é que...

Antes mesmo que ela pudesse falar, a porta do meu escritório é aberta bruscamente e uma Amanda Rollins – aparentemente – preocupada adentrou minha sala.

— Liv, um alerta de ataque em uma escola perto daqui, precisamos ir, rápido! — A loira diz ofegante e sinto meus pêlos se eriçarem ainda mais.

É comum as escolas terem um alarme para ataques, geralmente eles usam para treinar os alunos, mas vejo que aquele não se tratava de um. Meu coração parou por um momento e pedi aos céus para que não fosse..."Em que escola?" deixo a xícara de lado e me levanto bruscamente em busca da minha jaqueta. Amanda me encarou com os olhos pesados e com lágrimas.
— É a escola do Noah. —

A escola do meu filho.

{...}

Estaciono o carro e apenas tiro cinto de segurança, apenas para sair do automóvel com o coração apertado, temendo que não tivesse acontecido o pior. Haviam várias viaturas, bombeiros, crianças chorando. Pais desesperados com a segurança dos filhos. Eu.

— Noah! — Grito exasperada, chamando seu nome e tentando encontrá-lo. — Diretora Becker, onde está meu filho?! — Me aproximo da mulher que falava ao telefone.

— Ah, senhorita Benson, nós tiramos todas as crianças, ele deve estar com algum de nossos monitores. Mas não se preocupe, pelo visto era alarme falso! — diz a mulher.

Dou a volta em todo local em busca de qualquer resquício do meu Noah, mas sem sucesso.

— UVE, eu sou policial, meu filho estuda aqui! — Mostro o distintivo aos policiais que isolaram a entrada da instituição e corro até a porta.

— Senhora, estamos averiguando a situação, não podemos autorizar a entrada de..

— Meu filho estava aí dentro, e eu acho melhor você me deixarem entrar aí dentro por bem, ou passarei por cima de vocês! — digo rangindo os dentes.

De repente sinto uma mão pousar gentilmente em minhas costas e depois nos meus ombros, um perfume diferente, mas bom. Muito bom.

— Hey, Liv, você precisa manter a calma, ok? Rollins e o Fin estão em busca do seu filho aqui fora, ele vai aparecer. — Era Melinda.

Trocamos olhares por um curto período antes de eu respirar fundo e assentir.

— Vai ficar tudo bem, Olivia... — ela me conforta.

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