Caro leitor,
antes que esse capítulo comece, quero deixar avisado que este pode abordar assuntos sensíveis e que podem gerar gatilhos como: abuso físico e sexual, dentre outros. Caso isso seja um tópico sensível para você que está lendo, por favor pare de ler imediatamente.
Desde já agradeço e, caso queira conversar sobre algo, minha caixa de mensagens está aberta! Você é importante, sua história Importa. Obrigada!
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Melinda D'Ávila.
(flashback)
4 de março de 2020,
Teams'sCoffe, Malibu - CA.
Encaro sutilmente o homem de terno a minha frente, bebericando meu café expresso vez ou outra, apenas para disfarçar. É um pouco sobre isso que as missões onde você se infiltra se trata, é sobre brincar de faz de conta por algum tempo. Hoje, sou Amélia Kovennk, uma professora de literatura da High School de Malibu, divorciada, sem filhos.
Em um encontro casual com Airton Herrera, um homem que trabalha com programação, mas que agora é investigado por transportar uma nova"filial" de uma das maiores quadrilhas criminosas do México aqui na América. Uma coisa que eu gosto de trabalhar infiltrada é isso: conhecer personalidades que as pessoas talvez gostam de criar, uma vida imaginária e passageira que dura por certo tempo. Não é algo que você normaliza a longo prazo, mas parece se acostumar e até se divertir com isso, a peculiaridade humana.
— Então, Amélia... - o homem engata — Há quanto tempo você é professora? - pergunta.
Mordo os lábios sutilmente antes de responder aquela pergunta - tão simples por sinal -, pensando no que deveria dizer.
— Meus pais eram artistas, professores em uma escola lá no Canadá que, por sinal, foi de onde eu vim. - sorrio - Aos dezoito anos descobri minha paixão pela literatura e, decidi ingressar na UCA, no curso de literatura, e bem... três anos depois eu comcei a dar aulas e estou nesse rumo até hoje. - Ergo meu copo de café e sorrio brevemente para o homem a minha frente.
"Sempre usar meias verdades"
O mantra se repetia na minha cabeça constantemente, enquanto aquele par de olhos me encarava. Eu não sou professora de literatura, tampouco tenho pais artistas, mas eu amo literatura, isso é fato.
— Interessante, Amélia, eu gostaria de vê-la mais vezes, se possível. - Herrera diz, me lançando um sorriso fraco e uma singela piscada.
— Claro.
{...}
Colosso's
7 de março de 2020
— Aqui é realmente um lugar agradável, não acha? - Pergunto.
— Ah, com certeza. - Airton acena para o garçom que rapidamente vem até a mesa. - Você tem bom gosto.
— Obrigado, é algo hereditário. - digo.
— Espero que possa desfrutar disso, eventualmente...
O tom da frase foi deferido com um ar sombrio, fazendo com que minha espinha se arrepiasse de imediato e meus pelos se eriçarem por completo. Encaro aqueles olhos profundos - e até mesmo vazios -, tentando buscar qualquer tipo de sentimento, emoção e, falhando miseravelmente.
Isso me fez lembrar da primeira viagem que fiz com os calouros da faculdade, a euforia, ansiedade, medo... Um grupo de jovens que carregava consigo a ânsia de tudo no mundo. Lembro de chorar por duas noites seguidas, com saudades do meu pai e me sentir a pior filha do mundo por ter aceitado me distrair - e dar um ponto de sossego ao pobre homem -, por simplesmente temer o que viria a seguir, se eu conseguria suportar aquela pequena realidade por duas semanas. No fim, voltei muito bem para casa e desfrutei da experiência, mesmo com medo.
"Ou você arrisca e se joga, ou então viva nos medos alheios e não desfrute de nada", era o que papai costumava dizer. Louco, não? Eu sempre me jogo de cabeça em tudo, seja o que for.
"Champanhe?" pergunta, puxando os lábios sutilmente, tentando parecer simpático. "Sim, eu adoraria", respondo, como quem estaria prestes a cair em seu encanto, na tentação.
— Esse é o melhor da casa, eu espero que você esteja com bastante sede, querida...- ergo a taça e faço menção a um brinde, encostando meus lábios sutilmente na borda e sorrindo dizendo "Saúde". - Porque hoje estou com muita sede. - completa.
(🥀..)
"Seja uma boa garota para mim e fique quietinha.."
Minha cabeça latejava. Era tudo que eu poderia sentir. Dor.
Muita dor.
Mover minhas pálpebras tão pesadas doeram quando abri, me dando visão de algo borrado e bagunça. Onde, quando...
Como?
Pisco algumas vezes e percebo que estou em um quarto. E então, os flashes me invadem como um vendaval, fazendo meu coração doer. Notei em mim a ausência de roupa, como também notei a dor que sentia entre minhas pernas.
Nojo.
Era isso do que se tratava. Eu me lembrava – mesmo que minhas memórias estivessem bagunçadas – do hálito que emanava álcool puro de uísque caro; das mãos ásperas me puxando como se eu fosse uma boneca de pano. Não. Eu me lembro de ter divagado essa palavra. Não.
Não.
Não.
Eu havia dito não, mas minha voz não tinha força, e meu corpo muito menos.
E então, aconteceu.
Eu havia falhado, e pior do que a falha, também deixei que isso acontecesse.
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notas:
Oi, irmãs! tudo bem? Quanto tempo, né? Peço perdão pela demora, eu realmente perdi acesso a esta conta (como a do tik tok também) e demorei anos pra conseguir recuperar kkkk. Este é um pequeno capítulo para que vocês possam entender os próximos e afins. Ele está curto e peço perdão por isso, não consegui me organizar 100%, mas estou dando um duro danado para os próximos.
Comentem e votem, isso é um bom incentivo pra quem escreve! Espero que vocês estejam bem e se cuidando. Meu perfil está aberto caso se sintam confortáveis em conversar sobre algo... Até a próxima!
Com amor,
Yas.
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Hostage
Fiksi PenggemarA capitã da Unidade de Vítimas Especiais (NY), Olivia Benson, se vê diante de um desafio: lidar com a sargento recém chegada na unidade, Melinda D'Ávila. Benson sabe que tem dificuldade em aceitar mudanças, sair da zona de conforto, e esse traço se...
