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Autora narrando

Todos ao redor de Melissa foram atingidos de modos diferentes, uns pensam que ela nunca irá se recuperar, outros se culpam pelo que aconteceu com ela. Wesley chora à noite, se sentindo inútil por não estar ajudando a filha, enquanto Gaspar pensa de maneira diferente: mesmo em silêncio, ele acredita que está ajudando Mel e tentando animá-la. Ana Júlia, que passou pelo trauma e se ergueu forte, observa com preocupação especialmente Eloah, a pretinha de olhos de jabuticaba, que encanta por onde passa.

Eloah, com seus dois anos, era uma criança que, apesar de sua pouca idade, já demonstrava uma sensibilidade admirável. Seus olhos de jabuticaba, sempre brilhantes e curiosos, refletiam uma saudade profunda que ninguém sabia muito bem como explicar. Ela chamava por Mel com a doçura característica dos pequenos, como se soubesse que algo estava faltando, mas não soubesse exatamente o que. Às vezes, ela se aproximava dos objetos de Mel que tinha na casa do Gabriel, tocava com as mãozinhas pequenas e soltava um suspiro, como se, em sua inocência, buscasse compreender a ausência da mãe. Não era fácil para ela entender o vazio que se instala na casa, mas Eloah carregava uma fé silenciosa, esperando que um dia Mel voltasse, como as histórias que ouvirá tantas vezes. Ela, mais do que todos, sentia a falta da mãe, e mesmo com seus dois anos, seu coraçãozinho já carregava um amor tão grande que transbordava em gestos simples, mas profundos.

Gabriel, sendo o padrinho de Eloah, tinha um carinho especial por ela que ia além do vínculo de amizade. Ele sempre esteve presente nos momentos em que a pequena mais precisava de afeto e aconchego. Sabia que, mesmo sendo um padrinho, sua presença poderia ser um alicerce forte para Eloah, principalmente naquele momento de saudade e dor pela ausência da mãe. Gabriel se tornava uma figura de segurança e amor incondicional, tentando preencher o vazio com gestos simples, mas carregados de carinho. Ele não era só um padrinho, mas um amigo fiel e protetor, sempre atento às necessidades de Eloah, oferecendo  não apenas brinquedos e risadas, mas também um abraço apertado quando o mundo parecia um pouco mais frio para ela.

Gaspar chegou em casa cansado, mas ao ouvir o som suave da risada de Eloah vindo da sala, seu coração se aquecia. Ele a observava por um momento, brincando sozinha, com seus olhos de jabuticaba brilhando de alegria. Eloah não o percebeu de imediato, então Gaspar se aproximou, seu sorriso caloroso refletindo o carinho que sentia pela menina.

— Eloah... — chamou ele, com a voz suave, tentando não assustá-la.

Ela virou rapidamente, seus olhos se iluminando ao vê-lo. Sem hesitar, correu em sua direção, os pezinhos apressados, e quando chegou até ele, levantou os bracinhos para ser levantada. Gaspar a pegou no colo, sentindo o calorzinho de sua pele macia e o cheiro de criança que ela sempre tinha.

Gaspar: oi, minha pequena... como você está hoje? — perguntou, beijando-lhe a testa.

Eloah, sorrindo, se aninhou nos braços de Gaspar, como se ele fosse uma extensão do carinho e da proteção que ela mais precisava. Gaspar sentiu um aperto no peito ao vê-la assim, tão pequena e vulnerável, mas também sabia que podia dar o apoio que ela necessitava, um apoio silencioso, mas firme. Ele a embalou suavemente, sentindo uma profunda conexão com a menina, seu papel de padrinho agora mais importante do que nunca.

— Tô bem, Dindo! — ela disse, com os olhos brilhando de felicidade. — Quer brincar comigo?

Gaspar não resistiu ao charme da pequena e riu, sentindo  aquecido pela energia dela,ele sabia que aqueles momentos de brincadeira eram preciosos, que apesar da dor e da saudade, Eloah encontrava consolo nas coisas simples da vida.

— Claro, minha princesa... o que você quer brincar? — perguntou, colocando-a de volta no chão, enquanto se agachava para ficar no nível dela.

Eloah correu até seus brinquedos espalhados pela sala e começou a escolher com cuidado, apontando para um carrinho de brinquedo que estava ao lado.

Eloah:Esse ! Vamos fazer uma corrida!

Gaspar se levantou e começou a arrumar o espaço para a brincadeira, sentindo-se renovado pela alegria de Eloah. Ele se sentou no chão ao lado dela, compartilhando daquele mundo mágico onde a saudade da mãe era temporariamente substituída por risos e momentos de pura diversão,mesmo sem palavras, a cumplicidade entre eles crescia, e Gaspar sabia que sua presença ali, naquele momento, era exatamente o que Eloah precisava.

De longe, Ana Júlia observava aquela cena com um sorriso no rosto e um aperto no coração. Ela se recostava no batente da porta, quieta, para não interromper o momento tão especial entre Gaspar e Eloah,era impossível não se emocionar ao ver como o irmão  cuidava da pequena, oferecendo  não só companhia, mas um carinho que fazia toda a diferença. Ela sabia que Eloah, apesar de tão pequena, sentia a falta da mãe de uma maneira que todos percebiam, mas a presença de Gaspar parecia aliviar um pouco daquela saudade silenciosa.

Ana Júlia sentia uma mistura de felicidade e tristeza. Grata por ver o amor incondicional que cercava Eloah, mas triste por perceber como a dor da ausência de Melissa ainda pairava no ar, tocando a todos de formas diferentes. No entanto, ao ver Eloah rindo e brincando, parecia que, por aquele momento, a dor dava uma trégua. Gaspar, com seu jeito sereno e protetor, era a presença que ela mais precisava, alguém que conseguia, de maneira tão simples, suavizar a saudade da menina.

Ana Júlia suspirou fundo, observando a cena com os olhos marejados, mas com um sentimento de esperança, acreditando que, mesmo nos momentos mais difíceis, o amor e a união das pessoas poderiam trazer uma luz para os dias mais escuros.

Até o próximo capítulo 💕

MelissaOnde histórias criam vida. Descubra agora