Naju
Admiro a força que Mel está tendo nesse momento tão delicado,não só ela como todos ao redor dela,especialmente Wesley e meu irmão..nunca vi eles tão abalados assim até tento animar as vezes,mas lembro que não posso pegar as dores deles para mim.
Eloah sempre pergunta pela Mel, pergunta quando ela irá ver novamente,muitas vezes chora de saudade e isso é compreensivo. Pois se fosse com qualquer pessoa sã iria chorar,fiquei feliz que consegui tirar a mel do quarto,percebi que a mesma ficou feliz e com semblante mais leve.
Eu estava no quarto, tentando organizar meus pensamentos depois de tudo que tinha acontecido nos últimos dias, quando a porta se abriu devagar. Era Gabriel, meu irmão. Ele entrou em silêncio e fechou a porta atrás de si, parecendo carregar o peso do mundo nos ombros.
— Que carinha é essa? O que aconteceu, Gabriel? — perguntei, sentando na cama e o observando se aproximar.
Ele respirou fundo, sentando na beira da cama e esfregando as mãos no rosto antes de me encarar.
Gaspar: Naju, às vezes parece que... — Ele parou, procurando as palavras. — Parece que estou perdendo o momento certo, sabe? Com a Mel.
Eu fiquei em silêncio, deixando ele continuar.
Gaspar: Eu queria tanto poder dizer pra ela o que sinto, mas agora, com tudo isso que aconteceu... seria egoísmo meu. Ela já está passando por tanta coisa.
A dor e a dúvida no rosto dele eram evidentes, e meu coração apertou. Gabriel sempre foi o tipo de pessoa que guardava tudo para si, mas, pela primeira vez, parecia estar deixando as emoções transbordarem.
Gaspar: se eu perder a chance de verdade? — Ele olhou pra mim, a voz carregada de medo. — Eu só queria que ela soubesse que, mesmo quando tudo parece estar desmoronando, eu tô aqui. Sempre estive.
Eu me aproximei e toquei seu ombro de leve, tentando confortá-lo.
— Você tem um coração enorme, Gabriel. Se acha que não é o momento certo, confie nisso,mas não deixa o medo de falar ser maior do que a vontade de estar ao lado dela.
Ele assentiu, embora o conflito ainda estivesse em seus olhos.
Gaspar: Eu só queria poder fazer mais por ela.
— Às vezes, estar presente já é o suficiente — disse, com um sorriso encorajador.
Antes que pudéssemos continuar, ouvimos um choramingo vindo do corredor. Olhamos um para o outro e imediatamente reconhecemos o som: Eloah.
— Deve ser a pequena — Gabriel disse, levantando-se rapidamente. — Deixa que eu vou lá.
Eu o segui até o quarto da Eloah, onde a encontramos sentadinha no berço, os olhinhos marejados e o rosto amuado. Ela segurava seu bichinho de pelúcia como se fosse sua maior segurança.
— Eloah, por que você está chorando, princesa? — perguntei, me abaixando ao lado do berço.
Ela olhou pra mim, os lábios trêmulos, e murmurou baixinho:
Eloah: Cadê a mamãe? Eu quero ela...
Gabriel se aproximou e, com cuidado, a pegou no colo. Eloah imediatamente se aconchegou nele, agarrando sua camisa com as mãozinhas pequenas.
Gaspar: Mel tá descansando, pequenininha — disse ele, com suavidade. — Ela tá cuidando dela mesma agora, mas sente muito a sua falta.
Eloah piscou, confusa, e olhou pra ele com os olhinhos cheios de lágrimas.
Eloah: Mamãe vai voltar?
Gaspar: Vai, vai sim — ele respondeu, acariciando os cabelinhos dela. — Mas sabe o que a gente pode fazer enquanto isso? Fazer um desenho bem bonito pra ela,tenho certeza de que ela vai adorar.
Ela deu um sorriso tímido, balançando a cabeça.
Eloah: Eu quero desenhar uma flor. Mamãe gosta de flor.
— Gosta mesmo — comentei, rindo baixinho. — E você é uma florzinha pra ela, sabia?
Eloah riu baixinho e, logo depois, o sono voltou. Gabriel a colocou no berço com cuidado, ajeitando o bichinho de pelúcia ao lado dela. Ele ficou parado por um instante, observando-a dormir.
— Vamos voltar pro meu quarto? — perguntei, e ele assentiu.
Assim que chegamos, Gabriel se jogou na cama ao meu lado, cruzando os braços atrás da cabeça. O silêncio entre nós não era desconfortável, e eu sabia que ele ainda estava processando tudo.
Gaspar: Sabe o que é engraçado? — ele disse, de repente.
— O quê?
Gaspar: A gente brigava tanto quando era criança. Quem diria que, hoje, você seria a pessoa que mais me entende?
Eu ri, lembrando das vezes em que disputávamos qualquer coisa: o controle da TV, o último pedaço de bolo, ou até mesmo quem corria mais rápido no quintal.
— Acho que isso é a vantagem de crescer junto, né? Depois de tantas guerras por besteira, a gente aprende a lutar pelo que importa de verdade.
Ele sorriu, olhando para o teto.
Gaspar: Você sempre foi minha melhor amiga, sabia? Mesmo quando eu não admitia.
Minha garganta apertou com a sinceridade na voz dele, e eu toquei seu ombro de leve.
— Você também sempre foi o meu melhor amigo, Gabriel,eu só não te dizia porque gostava de te irritar mais.
Ele riu, mas logo ficou sério novamente.
Gaspar: Naju, você acha que eu tô fazendo o suficiente pela Mel?
— Gabriel... você tá sendo presente, paciente, e mostrando que ela pode contar com você. Isso é mais do que muita gente faria.
Ele ficou pensativo antes de assentir.
Gaspar: Eu só queria que ela soubesse o quanto significa pra mim,não só como alguém que eu amo, mas como alguém que admiro. Ela é tão forte, mesmo quando tá machucada. Isso me inspira, sabe?
— E você acha que ela não sente isso? — perguntei. — Gabriel, às vezes a gente não precisa dizer tudo com palavras. Suas atitudes falam por você.
Ele me olhou, o rosto mais relaxado dessa vez. Depois de um instante, sorriu e me puxou para um abraço rápido, mas cheio de significado.
Gaspar: Obrigado, Naju. Por tudo.
— Sempre, Gabriel. Você é meu irmão e meu melhor amigo. Não tem outro lugar onde eu prefira estar do que ao seu lado.
Ele riu e, juntos, ficamos ali no quarto, com a sensação de que, apesar das dificuldades, tínhamos um ao outro. Isso era o que realmente importava.
Até o próximo capítulo 💕
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Melissa
Fiksi Penggemar"Tem uma chama surgindo no meu coração. Está tomando conta de mim e me tirando da escuridão." +18
