Capítulo 21 - 이십일

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Chimmy



O

ar entrou em meus pulmões como se eu não respirasse há séculos, rasgando o vazio que me consumia. Minha boca estava amarga e seca, como se estivesse cheia de terra. Queria tossir, expulsar aquilo de mim, mas meu corpo não obedecia.

Depois de um esforço extenuante, consegui abrir os olhos, e uma pontada de dor explodiu em minha cabeça. Aliás, tudo doía. Cada músculo, cada osso. Principalmente meu ventre. A luz do sol queimava meus olhos, deixando tudo indistinto, quase etéreo.

"Você prometeu, Chim... Você disse que não morreria..."

A voz de Tata ecoava em minha mente, fraca e distante, como se viesse de outro mundo. Onde ele estava?

Um toque suave na minha mão me arrancou daquele torpor. Virei lentamente a cabeça na direção do gesto, cada movimento tão pesado que parecia impossível. Minha visão estava turva, como se eu estivesse sonhando. Os músculos do meu pescoço estavam rígidos, como se feitos de pedra.

A figura vestida de preto diante de mim levou minutos que pareciam uma eternidade para se tornar nítida.

— Que bom que acordou, querido.

A voz era de Jackson. Ele estava sentado ao meu lado, massageando meu braço com cuidado. Ao encará-lo, um flash de memória me atingiu: ele surgindo no quarto enquanto eu perseguia Seokjin. 

Tentei mover o braço para afastá-lo, mas nada em mim respondia.

— Sei que você deve estar confuso — ele disse, sua voz um misto de tranquilidade e tristeza. — Mas prometo que não é nada grave. Se eu soubesse que estava esperando um filhote, teria escolhido Tata...

Filhote? Do que ele estava falando? Meu coração disparou, apertando meu peito como um punho de ferro. Então senti algo escorrer entre minhas pernas. Um bipe alto ecoou ao meu lado, arrancando a atenção de Jackson.

— Por favor, não fique nervoso — ele pediu, sem desviar os olhos da máquina. — Você ainda está com uma pequena hemorragia por causa do aborto.

Aborto.

A palavra caiu sobre mim como uma lâmina. Meu corpo não reagia, mas minha mente gritava em desespero. A presença de Jackson, o toque em minha pele, o som das máquinas... Tudo parecia parte de um pesadelo do qual eu não conseguia acordar.

O amargo em minha garganta aumentou, e meu estômago revirou como se quisesse arrancar algo de dentro de mim. O vômito veio rápido, quente e ácido, escorrendo pelo meu pescoço enquanto eu lutava para respirar. Minha visão ficou turva novamente, um borrão incontrolável de luz e sombras.

— Shhh, calma, querido, por favor...

Uma voz doce e baixa, quase reconfortante, se infiltrou no caos. Uma enfermeira apareceu no meu campo de visão, limpando apressada a bagunça que eu havia feito. Mas minha mente permanecia em outro lugar, afundada na confusão.

Onde está Tata? Onde está Kookie?

Eu precisava do meu alfa. O pensamento me invadiu com tanta força que o desespero me fez vomitar de novo, mais violento dessa vez, me deixando ofegante e sem ar.

"Esperando um filhote."

A frase voltou a martelar na minha cabeça, tão clara e nítida como se fosse dita novamente. Senti as lágrimas queimarem meus olhos, turvando ainda mais o pouco que conseguia enxergar. Não podia ser verdade.

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