T
ata
Meu braço tremia a cada disparo da pistola, e o som seco das balas reverberava pela clareira como um lembrete da raiva que fervia dentro de mim. Quase um mês sem meu alfa, uma semana sem meu ômega. Era uma ausência que ia além da saudade: era como se partes de mim tivessem sido arrancadas, deixando feridas abertas que o tempo não conseguia curar. O tronco da árvore à minha frente estalava sob o impacto das balas, mas isso não bastava.
— Uau, você evoluiu muito rápido. Não errou nenhum tiro — Audrey comentou, aproximando-se do tronco com passos firmes, o cabelo repleto de pequenos pedaços de madeira que voaram com o impacto.
Fiz força para abaixar o braço, os músculos rígidos pela descarga de adrenalina. Respirar fundo não aliviava a tensão acumulada. Audrey não tinha culpa da minha raiva, e eu sabia disso.
— Você é uma boa treinadora — murmurei, tentando soar mais calmo do que me sentia.
— Você já tinha experiência, então não foi difícil.
Ela caminhou até a mala que havíamos pego de Badda. Quando puxou uma arma de cano longo, uma sombra de sorriso tocou meu rosto. Audrey, pequena e delicada, segurando uma arma que parecia maior que ela mesma. Era um contraste absurdo e engraçado.
— Com essa, só precisa manter a firmeza. Se vacilar, o recuo vai quebrar seus dentes.
Audrey engatilhou a arma com precisão, segurando-a com as duas mãos. Apontou para a árvore, e o som do disparo foi ensurdecedor. Pássaros levantaram voo em revoada, assustados pelo impacto. A bala atravessou o meio do alvo improvisado que eu havia feito com os tiros anteriores. Com um movimento fluido, ela jogou a espingarda para mim, e eu a peguei no ar. Girei o armamento, engatilhei novamente e mirei no mesmo tronco. O disparo seguinte rachou a árvore em dois, fazendo-a tombar para trás com um estrondo.
"Voltem para o galpão."
A voz de Badda pelo rádio era grave, mas calma, cortando o silêncio que se seguiu à queda da árvore. Era tudo o que eu precisava ouvir. Sem hesitar, joguei a arma de volta na mala e me virei para a trilha que havíamos aberto na mata.
— Ei, Tata, me espera!
Não parei para ver se ela me seguia; eu precisava confirmar o que Pablo havia falado sobre Chimmy estar vivo. Felix saiu com a missão de descobrir se ele realmente estava vivo e se Kookie ainda permanecia no mesmo local. Passei pelos homens armados quase correndo quando entrei no galpão que Badda havia transformado na central da nossa equipe.
Assim que entrei, meus olhos se encontraram com o rosto de Seokjin, e meu corpo travou no mesmo instante. O ômega estava ao lado de Yoongi e Badda, conversando com uma tranquilidade que me parecia quase insultante. A imagem de Seokjin segurando Chimmy em seus braços voltou à minha mente, um golpe tão cruel que quase me tirou o fôlego.
Sem pensar, meus pés se moveram, guiados pela raiva e pela dor.
"Eu quero matar aquele ômega."
A voz de Chimmy, com sua entonação manhosa ecoou em minha mente. Fechei minha mão com força, meus dedos formigando com a tensão.
Antes que eu pudesse chegar mais perto, senti uma mão segurar meu braço com firmeza.
— Você nem me esperou! — Audrey falou em tom alto e animado, sua voz cortando o silêncio como um raio.
Ela sorria, mas havia algo em seus olhos — um brilho de preocupação que ela não conseguia esconder. Seu toque parecia leve, mas a força que aplicava no meu braço denunciava que ela sabia exatamente o que eu pretendia. Seu grito chamou a atenção de todos na sala, e os alfas que estavam presentes agora se voltavam para mim. Yoongi deu um passo à frente, posicionando-se entre mim e Seokjin, de maneira quase imperceptível.
VOCÊ ESTÁ LENDO
SERPENTE
Fiksi PenggemarTata e Chimmy, dois jovens ômegas, que desconhecem a palavra "controle", veem suas vidas virarem de cabeça para baixo após uma festa que deveria ser apenas diversão. Desnorteados e vulneráveis, eles caem nas garras do comércio ilegal de ômegas, merg...
