Capítulo 19 - 십구

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Tata



O

avião balançou suavemente enquanto seguíamos viagem. As luzes foram diminuídas após Badda nos entregar as armas, mergulhando a aeronave em um silêncio confortável. Meus olhos se fixaram em Chimmy, que parecia ter caído no sono com a pistola ainda na mão.

Com cuidado, estendi o braço e retirei a arma de sua pequena mão. Ele continuou dormindo profundamente, alheio à minha movimentação. Sua cabeça pendeu de forma desconfortável para o lado, e um sorriso suave surgiu em meus lábios ao observar a adorável imagem do ômega adormecido. Puxei-o gentilmente, acomodando-o sobre meu braço.

Seus cabelos rosados repousaram em parte do meu peito, e seu perfume inebriante invadiu minhas vias respiratórias. Não pude evitar soltar um suspiro profundo. Desde a noite anterior, o cheiro do ômega parecia ter se tornado ainda mais intenso e doce, era quase uma tortura resistir à tentação de tocá-lo.

Mas eu não queria interromper seu descanso. Ontem foi a primeira vez que Chimmy não explodiu em frustração ou descontou em alguém. Mesmo estando claro em seus olhos que estava sofrendo com a falta de Kookie, ele buscou apenas se autoflagelar,  o que me deixou inquieto.

Não estava acostumado com esse lado do ômega, e talvez eu não tenha gostado disso. Foi por essa razão que apenas o machuquei. A dor ainda é a única linguagem que podemos compartilhar sem mal-entendidos ou vulnerabilidades. Se ela for a única maneira de ajudá-lo a lidar com seus conflitos e mantê-lo próximo a mim, estarei disposto a causa-la, de qualquer forma.

Afundei meu nariz em seus cabelos, sentindo o perfume enquanto observava as nuvens fora da janela decorarem o céu azul. Não me lembro da última vez que simplesmente parei para observar algo. Acho que nunca foi algo que realmente fiz até agora. A natureza ou qualquer outra forma de vida sempre me pareceram insignificantes.

A vida fútil dos meus pais deve ter se infiltrado no meu subconsciente de forma inconsciente, por isso nunca me importei verdadeiramente com nada além de Chimmy e, agora, Jungkook. A imagem da tatuagem de serpente do alfa surgiu vívida em minha mente. Bom, talvez agora eu goste de cobras.

Perdi a noção do tempo enquanto divagava, e acabei adormecendo. Acordei com a voz do piloto anunciando o pouso e as luzes se acendendo. Chimmy ainda estava adormecido, então depositei um beijo suave em seu rosto, aproveitando para inalar mais uma vez o cheiro quente de sua pele.

— Acorda, dorminhoco, senão vou te morder.

— Já chegamos?

— Sim.

A aeronave tremeu levemente antes de pousar e parar completamente. Badda se levantou, e nós a seguimos, todos com expressões de sono. A aeromoça abriu a porta, deixando o ar quente  inundar o ambiente.

— Bem-vindos à Tailândia!

Audrey anunciou animada, como sempre. O céu escuro indicava que provavelmente já era tarde da noite. Os homens da alfa também já haviam desembarcado e aguardavam na pista. O som de carros se aproximando chamou nossa atenção.

Vários carros de luxo chegaram, estacionando de maneira desordenada ao longo do caminho. De um deles, desceu um homem alto. Seu semblante sério e suas roupas pretas sugeriam que ele pertencia ao mesmo mundo que Namjoon.

— Badda.

— Lótus.

A alfa cumprimentou o ômega, que exibiu um sorriso discreto, embora seu semblante permanecesse neutro.

SERPENTE Histórias para pegar e não largar. Descubra agora