eu não sei por que sinto tanto.
às vezes, parece que meu peito não foi feito para segurar tudo isso.
como se as emoções fossem água,
sempre procurando uma brecha para transbordar.
você já tentou segurar água com as mãos?
por mais que aperte, ela escapa.
eu me sinto assim.
eu aperto, eu tento segurar,
mas sempre escapa.
me disseram que amar é bonito.
mas o amor... o amor quase sempre me dói.
dói como um sapato novo que insiste em machucar,
mesmo sendo bonito demais para deixar de usar.
às vezes, sinto que sou feita de vazios.
intangível, inalcançável.
e outras vezes, sou densa.
pesada demais para ser movida.
não posso dizer qual versão de mim é mais real.
a que sente demais?
ou a que tenta não sentir?
talvez eu seja as duas.
ou talvez nenhuma.
e se for isso?
e se amar for o que se desfaz e o que permanece?
e se o amor não for sobre ser inteiro,
mas sobre aceitar as partes de si que nunca se encaixam?
bem, talvez eu nunca entenda o amor.
talvez eu nem precise.
porque, no fim,
o amor não é para entender.
é para sentir.
- TF.
