Mais tarde, quando a noite caiu e os pais de Nayeon ainda estavam fora, Momo e ela resolveram sair para respirar um pouco. Caminharam pelo bairro, o vento frio provocando arrepios nos braços descobertos.
A brisa fresca continuava a acariciar suas peles enquanto permaneciam deitadas no gramado, cercadas pelo silêncio da noite. As estrelas pareciam dançar em um ritmo próprio, iluminando o céu com um brilho suave e reconfortante.
Momo, agora com as mãos cruzadas atrás da cabeça, suspirou.
— Você já pensou em como o universo é velho? Tipo... cada estrela que estamos vendo agora já existia muito antes da gente sequer pensar em existir.
Nayeon virou a cabeça para encará-la, arqueando uma sobrancelha.
— E lá vem você com essas filosofias de novo.
Momo riu, mas sua expressão continuou serena enquanto seus olhos permaneciam fixos no céu.
— É sério. — continuou. — Eu fico pensando como é incrível que, mesmo sendo tão pequenas nesse universo enorme, a gente tenha momentos assim... momentos que parecem ser só nossos.
Nayeon ficou em silêncio, deixando as palavras de Momo ecoarem em sua mente. De certa forma, fazia sentido. Apesar de todos os medos, incertezas e pressões, havia algo naquele instante que parecia maior do que tudo.
— Você tem razão. — ela finalmente admitiu, a voz baixa, quase um sussurro.
Momo virou-se para ela, surpresa pela sinceridade repentina.
— Tenho? Isso é raro de ouvir. — brincou, arrancando um sorriso de Nayeon.
— Não se acostume. — Nayeon respondeu, rindo de leve, mas logo sua expressão ficou mais séria. — É só que... você me faz sentir que esses momentos valem a pena. Mesmo que o resto seja complicado.
Momo não respondeu de imediato. Em vez disso, estendeu a mão para segurar a de Nayeon, entrelaçando seus dedos.
— Então vamos fazer valer a pena. O resto a gente enfrenta depois.
As palavras simples de Momo carregavam uma firmeza que parecia descongelar algo dentro de Nayeon. Pela primeira vez, ela sentiu que talvez fosse possível deixar de lado o medo, mesmo que apenas por aquela noite.
Elas continuaram assim, de mãos dadas, observando o céu. O tempo parecia ter parado, e nada mais existia além das duas e das estrelas.
— Tipo... Mark e meus pais?
— Tipo seus pais. O que tem Mark? Deixa esse cara para lá, eu já disse. — Momo resmungou e pegou a mão da garota para retirar delicadamente o anel que ela usava. — Eu não me importo com o que ele vai pensar. Você se importa?
Nayeon pensou por alguns segundos, mas logo balançou a cabeça em negação e sorriu para a japonesa, que por sua vez, sorriu de volta.
— Desculpa pelas ofensas de quando a gente se conheceu.
— Eu só desculpo você se confessar que estava mexida comigo desde o primeiro dia.
— Cale a boca. — Nayeon soltou uma gargalhada e Momo ficou a observando. Gostava da risada daquela garota.
O som do carro estacionando na garagem ecoou pela casa, interrompendo o silêncio que Nayeon e Momo compartilhavam sob o céu estrelado. Ambas congelaram, os olhos se encontrando com uma tensão crescente. O barulho das portas se abrindo e fechando logo seguiu, e Nayeon sentiu o pânico começar a tomar conta de seu corpo.
— Eles estão em casa... — Nayeon sussurrou, tentando manter a calma.
Momo olhou ao redor, rápida, como se procurasse uma maneira de desaparecer.
— A gente precisa se esconder. — Momo murmurou, levantando-se da cama.
Nayeon estava em pânico. O som dos passos de seus pais subindo a escada ficou mais forte, e ela agarrou a mão de Momo, puxando-a para perto da janela.
— Rápido, vá para o banheiro! — Nayeon sussurrou, gesticulando com a cabeça.
Mas antes que Momo pudesse responder, a porta do quarto se abriu com um estrondo. Os pais de Nayeon estavam ali, parados no limiar da porta, com os olhares atentos.
— Nayeon! O que está acontecendo aqui? — a mãe perguntou, claramente surpresa ao ver as duas tão próximas, as mãos ainda entrelaçadas.
Nayeon abriu a boca, mas as palavras não saíam. Ela podia ver a expressão confusa e, talvez, um pouco preocupada nos olhos de sua mãe, enquanto seu pai permanecia mais distante, com um olhar fechado.
Momo se afastou rapidamente de Nayeon, ficando um pouco mais atrás dela.
— Eu estava só... eu estava ajudando Nayeon com algumas coisas. — Momo disse, a voz um pouco trêmula, tentando manter a calma.
A mãe de Nayeon franziu a testa, seu olhar se movendo de Momo para sua filha.
— Ajudando? Nayeon, você nunca mencionou que tinha companhia. E o que é isso? — ela apontou para as mãos de Nayeon e Momo, que ainda estavam entrelaçadas, e o toque repentino fez Nayeon dar um pulo, desconcertada.
— Eu... — Nayeon engoliu em seco, tentando encontrar uma explicação. — Eu estava apenas... não queria acordá-los. Ela só... queria conversar.
Seu pai levantou uma sobrancelha, olhando para as duas com mais atenção.
— Conversar, é? — ele repetiu, cruzando os braços. — Parece que a conversa ficou um pouco mais... íntima do que esperávamos.
Nayeon olhou para Momo, sua mente disparada, tentando desesperadamente encontrar uma desculpa que não fosse óbvia demais.
— Nós estávamos só... — Nayeon começou, mas sua voz falhou.
A mãe de Nayeon deu um passo à frente, seu olhar agora mais sério.
— Nayeon, você sabe que precisamos confiar em você, não é? O que está acontecendo aqui?
O silêncio foi pesado. Momo estava tentando não parecer desconfortável, mas seu olhar de preocupação estava claro. Nayeon sentiu um nó no estômago, mas respirou fundo e decidiu tentar se acalmar.
— Eu só queria passar um tempo com a Momo, sem chamar atenção, sem que ninguém ficasse... preocupado.
A mãe de Nayeon ainda parecia desconfiada, mas não havia raiva em seu olhar, apenas confusão. Seu pai, no entanto, não estava tão convencido.
— Da próxima vez, nos avise quando tiver visitas. Isso é mais do que um simples "tempo com amigos". — ele disse, com um tom mais rígido.
Momo deu um passo atrás, nervosa.
— Eu realmente sinto muito, senhor, senhora. Não queria causar nenhum problema.
A mãe de Nayeon deu uma última olhada em sua filha antes de suspirar.
— Vamos deixar isso para amanhã. Agora vá descansar. — ela disse, com um tom de cansaço, como se ainda estivesse tentando entender o que havia acontecido.
Sem mais palavras, os pais de Nayeon saíram do quarto, fechando a porta atrás de si.
Momo se virou para Nayeon, seus olhos expressando a mesma dúvida que agora tomava conta de Nayeon.
— Isso não foi bom, foi?
Nayeon sentou-se na cama, pressionando as palmas das mãos contra os olhos, sentindo o peso da situação.
— Não. Não foi. Mas... por enquanto, acho que conseguimos.
Momo se aproximou e sentou ao lado dela, colocando a mão suavemente sobre a de Nayeon.
— Vai ficar tudo bem. A gente vai dar um jeito nisso.
Nayeon olhou para Momo, tentando acreditar em suas palavras, mas algo dentro dela sentia que, no fundo, o que elas estavam fazendo era insustentável. O medo de ser descoberta estava se tornando cada vez mais real.
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Sparkles [NAYEON x MOMO]
FanfictionUma história na qual Hirai Momo é a novata que chama a atenção de todos, inclusive de Mark. Mas quem não vai gostar nada disso é Nayeon. - Um aviso: terá todo tipo de beijo nesta história. ✨
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