27 - can we talk?

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Naquele mesmo dia, durante o intervalo, Nayeon encontrou Momo sentada sob a sombra de uma árvore no pátio. A garota parecia alheia ao caos que havia se instaurado, mas quando viu Nayeon se aproximando, percebeu que algo estava errado.

— Nayeon? O que aconteceu? — Momo perguntou, a voz suave, mas preocupada, enquanto se levantava para encontrá-la.

Nayeon sentiu um nó na garganta, mas conseguiu responder:

— Todo mundo sabe. Sobre nós. Sobre sábado. — Sua voz estava baixa, quase um sussurro.

Momo arregalou os olhos, surpresa, mas não demorou a alcançar Nayeon, segurando suas mãos.

— Quem contou? — perguntou, a raiva misturada com preocupação evidente em seu tom.

— Tzuyu e Mina... elas espalharam tudo. E ainda estão com Mark nessa... — Nayeon tentou não chorar, mas sua voz falhou.

Momo apertou suavemente as mãos dela, os olhos determinados.

— Ei, escuta. Isso não muda nada sobre o que você é. Não muda nada sobre nós. Eu sei que está doendo agora, mas você não está sozinha. Vamos enfrentar isso juntas, tá?

A sinceridade no olhar de Momo era um bálsamo para o coração ferido de Nayeon. Pela primeira vez naquele dia, ela sentiu que ainda havia algo em que se apoiar. As palavras de Momo soaram como uma promessa.

Momo auxiliou Nayeon a se levantar e enxugou cuidadosamente as outras lágrimas que escorriam dos seus olhos. Depositou um beijo em sua testa e sorriu fraco.

— Como pode você continuar tão bonita mesmo depois de chorar, hm? — A japonesa questionou e fez Nayeon rir. — Mas prefiro você assim, rindo.

— Sua boba. — Nayeon murmurou e a abraçou. Momo retribuiu instantaneamente o ato, e acariciou as costas da garota enquanto isso. Ficaram alguns longos minutos abraçadas, mesmo após o sinal tocar. — Você tem um cheiro tão bom.

— E você também. Você tem um cheiro de morango. — Sussurrou e a olhou. — Vamos para a sala. — Estendeu a mão para a garota segurar, e então, Nayeon segurou. Foram juntas para a sala de aula, e era nítido os olhares que as cercavam.

Risadas, sussurros, gestos ofensivos e homofóbicos. Tudo isso estava sendo despejado em cima das duas, mas Momo continuava com a sua garota. No intervalo, as duas vagaram para o lado de fora à procura das amigas da japonesa, porém, encontraram companhias desagradáveis.

Tzuyu cruzou os braços, o sorriso malicioso ainda presente no rosto.

— Ah, olha só, as novas queridinhas da escola — Tzuyu zombou. — Já que todo mundo sabe, por que não se assumem logo? Facilitaria tanto a nossa vida...

Nayeon ia responder, mas Momo foi mais rápida. Ela deu um passo à frente, enfrentando Tzuyu com um olhar firme.

— E por que você acha que a opinião de vocês importa? Acha mesmo que vai nos intimidar? — A voz de Momo era baixa, mas carregada de determinação. — Você pode tentar espalhar boatos, mas não vai nos quebrar.

Tzuyu levantou as sobrancelhas, surpresa com a reação de Momo. Mas antes que pudesse responder, Nayeon finalmente encontrou forças para falar.

— Sabe, Tzuyu, você pode ter espalhado essa história para tentar me humilhar, mas no final, tudo o que fez foi mostrar quem você realmente é. E sinceramente? Eu prefiro ser julgada por amar alguém do que por ser uma pessoa cruel como você.

Mina parecia um pouco desconfortável com o rumo da conversa, mas Tzuyu continuou a sorrir de forma venenosa.

— Tanto faz. O tempo vai mostrar que vocês não vão durar — disse, antes de dar as costas com um ar de superioridade, puxando Mark com ela.

— Só mais uma coisa. — Momo riu. — Mark, amor, vale a pena trocar todas as pessoas que se importavam com você por uma garota que claramente só está com você porque você é bom em um esporte?

— E você nem transa bem. — Nayeon complementou, fazendo uma careta ao franzir o nariz. — Boa sorte, Tzu. — Piscou para a outra e, sendo assim, pegou na mão de Momo antes de começar a caminhar com ela para longe delas, agora indo até o grupo de amigos.

— Garota, você arrasou. — Sana disse enquanto estava comendo um donut. Em seu colo, Dahyun estava tentando roubar um pedaço. — Ela foi uma idiota com vocês.

— O que mais doeu foi confiar em alguém e ver que... — Nayeon suspirou.

— E pensar que eu te odiava pelo que fez com Mark. Se eu soubesse disso tudo antes... — Jihyo comentou olhando para a Nayeon e puxou uma cadeira. — Senta aí. Agora você senta com a gente. Nós só... não somos tão descolados. — A garota riu, e logo, todos da mesa riram também.

— Deixa elas para lá. Perdi totalmente a consideração que eu tinha pelo Mark. — Yoonjae balançou a cabeça em negação. — Mas bem-vinda ao grupo. Agora que você é namorada da Momo, é nossa amiga também.

Nayeon riu.

— Não somos namoradas... — A sul-coreana começou. — ainda. — Olhou para a japonesa e em seguida olhou para Sana. — Ei, você me desculpa pelo...

— Passado é passado. Desde que você começou com essa paixão avassaladora pela Momo, você tem mudado. — Sana soltou uma risada. — Relaxa.

Hyun parecia inquieto e olhou o relógio.

— Estou indo ao treino. Yoonjae, bora'. Donghae, vamos. Senão vamos nos atrasar e não quero pagar vinte flexões hoje. Licença, meninas. — Ele disse se levantando e Yoonjae e foi logo atrás após pegar a mochila, mas Donghae ficou por mais alguns minutos para terminar seu matcha.

— E eu vou indo também, mas para a biblioteca. Preciso terminar a tarefa de casa. — Jihyo avisou se levantando, mas foi parada pela mão de Sana em seu pulso.

— E o meu beijo? — Sana questionou e Jihyo riu, mas logo depositou um selinho nos lábios da amiga. Dahyun fez o mesmo, e recebeu um selinho em consecutivo.

— Vou com você, princesa. — Donghae avisou se levantando e pegou na mão de Jihyo, começando a caminhar com ela.

— Esses dois parecem um casal de romance dos anos noventa. — Momo comentou enquanto se inclinava na mesa.

— Nay, agora que você é do grupo, precisa fazer a cerimônia para entrar oficialmente. — Dahyun começou.

— E que cerimônia é essa? — Nayeon questionou com as sobrancelhas arqueadas e todas as outras garotas ali presentes se entreolharam, mas riram e, sem responder com palavras, deram selinhos nos lábios da mais nova.

A ideia foi totalmente de Sana.

Toda vez que alguma garota chegasse ao grupo, seria muito bem recepcionada desta forma, segundo ela. E claro que Dahyun concordou, e Momo não foi nem um pouco diferente.

— Vocês são tão gays. — Nayeon resmungou, mas as bochechas avermelhadas não negavam que ela estava envergonhada, mas que também havia gostado desse tal jeito de cumprimentar.

Sparkles [NAYEON x MOMO]Onde histórias criam vida. Descubra agora