A caminhada para o quarto foi sepulcral, a mãe de Draco o seguia silenciosamente com uma mão em seu braço. Seus amigos os seguindo alguns passos atrás deles.
Todos receberam quartos próprios e entraram sozinhos para relaxar antes de receberem os detalhes da missão. Com exceção de sua mãe, irmã e tia. As mulheres entraram no quarto de Draco, com níveis diferentes de animação.
Narcisa Malfoy estava mais tranquila, seu filho tinha a chance de sobreviver, de lutar pela vida em sua missão e ser recompensado pelo sucesso.
Bellatrix Lestrange estava saltitante, ela entrou no quarto e se jogou na cama extremamente animada.
Delilah Malfoy não estava nenhum pouco excitada com os recentes acontecimentos, ela entrou no quarto por último e bateu a porta com força. Seus passos furiosos foram até a janela e ela se sentou no parapeito, sem lançar um único olhar para o irmão.
Draco revirou os olhos.
Sua irmã fazia muito drama para quem realmente precisava de um noivo.
Sentando em uma poltrona, sua mãe raspou a garganta e chamou atenção para si.
-Esse foi um desenrolar interessante.
-Interessante?! Cissy, essa é a melhor chance de suas vidas! -Bella gritou, batendo os pés de animação.
-Tia Bella tem razão, mãe. Essa é uma grande oportunidade. -Draco murmurou, concordando com sua tia contra sua vontade.
-Mais do que merecemos depois das merdas que o idiota do nosso pai fez. -disse Delilah, de forma ácida.
-Não fale assim do papai! -repreendeu o adolescente.
-Vocês dois, parem de gritar! E ,Delilah, não fale assim do seu pai! -disse a senhora Malfoy, respirando fundo e apertando o nariz de frustração. -Tudo o que ele fez, ele fez por essa família.
-Não repreenda a menina, ela tem razão. Lucius é um merda. -apontou a mulher de cabelos negros enquanto brincava com uma adaga, deitada na cama de barriga pra baixo e balançando as pernas como uma estudante contando fofocas.
Sua mãe suspirou e Draco previu a discussão que ela e Tia Bella teriam. Então ele decidiu ir para uma das janelas olhar o jardim.
A noite o jardim conseguia ser ainda mais sombrio, as poucas tochas acesas criavam sombras assustadoras das estátuas e os galhos secos pareciam garras afiadas.
Mas dentre os monstros fictícios de garras e dentes afiados, uma figura encapuzada saiu de trás de uma estátua.
Ela andou durante um tempo a esmo e Draco a seguiu com os olhos, além da capa, suas mãos estavam com luvas e em seu rosto havia uma máscara negra com buracos pequenos para os olhos.
Algum comensal da morte fazendo patrulha, provavelmente. O vento batia em sua capa e em um dado momento, seu vestido verde esmeralda foi revelado por baixo. Uma comensal mulher, então. O vestido era bem conservador, de mangas compridas e gola alta.
Nenhum pedaço de pele podia ser visto, era uma grande dedicação para manter sua identidade em segredo.
Um movimento o alertou pelo canto do olho, alarmado, Draco observou a cocatrice voar até a mulher e parar em sua frente. Seus olhos seguiram cada movimento da fera, esperando o momento em que ergueria uma de suas patas para dilacerar a mulher, ou a morderia com seu bico e dentes pontudos.
Mas contra todos os seus pensamentos, aquela fera esticou as asas e acolheu a mulher em seu corpo disforme. Como uma mamãe pássaro faria com seus filhotes.
-Quem é essa maluca? -Draco externou seus pensamentos em voz alta.
Imediatamente sua mãe e tia pararam de discutir. Sua irmã olhou para o mesmo lugar através do seu assento na outra janela.
-Puta merda! -Delilah exclamou, seu semblante raivoso desaparecendo.
-Linguagem, Delilah!
-Mãe, olha só isso! -a garota ignorou a reprimenda e gesticulou furiosamente para que sua mãe fosse até a janela.
Narcisa foi até a janela ao lado de Draco, sendo seguida de perto por Bellatrix que olhou por cima do ombro dos dois.
A cocatrice abaixou a cabeça e a esfregou com ternura na pessoa mascarada, ganhando alguns cafunés em troca.
Bellatrix deu um gritinho de alegria que doeu o ouvido de Draco,
-Não vai me dizer que não tem ideia, Draco? -disse a mulher, passando um braço pelos ombros do sobrinho.
Ele revirou os olhos e seu rosto se contorceu de desgosto.
-Se soubesse, não teria perguntado!
-Pense, sobrinho! Essa é uma criatura perigosa, apenas um ofidioglota pode domá-la.
Algo se acendeu na mente do rapaz loiro, além do Lorde das Trevas, havia apenas uma única pessoa com o sangue de Salazar Slytherin correndo pelas veias.
-É ela, não é? Minha noiva. -a voz dele estava descrente e toda a magia da cena se foi.
Por que ela cobria o rosto? As mãos? Todo o seu corpo?
Ela estava em sua própria casa, e mesmo quando estava em missão, nem seu próprio pai escondia seu rosto. Draco se perguntava quais eram seus motivos.
-Quase noiva, Draco. Você ainda não conquistou essa linda serpente.. -lembrou Bellatrix.
Serpente.
Isso o lembrou da fala de Blaise mais cedo, como ele estaria condenado a passar o resto dos seus dias ao lado de uma mulher com cara de cobra. Um arrepio percorreu sua espinha. Uma linda serpente, não uma linda mulher ou uma linda garota. Não, uma serpente.
Tudo bem que isso poderia ser apenas uma referência a sua conexão com Slytherin, mas Draco preferia jogar pelo seguro, ele não gostaria de ser surpreendido por uma aparência desagradável.
-Ela parece…imponente. -Disse Narcisa Malfoy, procurando algo que soasse apropriado.
-Sim, ela é. - sua tia suspirou dramaticamente, de forma sonhadora, enquanto voltava para a cama, -Meu maior orgulho, ela é a maior prova de lealdade que eu poderia ter dado ao meu senhor.
Os Malfoy se viraram para a mulher Lestrange, interpretando sua fala. Mas foi a senhora Malfoy que externalizou seus pensamentos.
-Bella, ela é sua?
-Minha filha, você quer dizer? -perguntou a mulher de forma altiva.
“Não, a sua égua. Idiota.” , pensou Draco.
Com um aceno de cabeça da loira, Lestrange confirmou com um sorriso no rosto.
-Ela é, nunca havia me sentido tão honrada antes do que quando meu Lorde me ordenou que lhe desse alguém para seguir seu legado.
-Não me lembro de ter te visto grávida, Bella. -comentou Narcisa, curiosa.
Dando de ombros, Bellatrix apenas disse:
-Era uma guerra, Cissy. Ninguém deveria saber, meu senhor quis assim e assim foi o que aconteceu.
Os Malfoy acenaram com a cabeça concordando, se o Lorde das Trevas quisesse que a gravidez de sua melhor tenente ficasse secreta, assim seria.
Se a Princesa das Trevas é sua prima, Draco poderia esclarecer aquilo que o afligia.
-Tia Bella, como ela é? -perguntou o jovem.
-Mais do que você poderia desejar, garoto, muito mais!
Draco coçou a cabeça, ele teria que ser mais direto.
-Obviamente, ela é filha de nosso senhor. Magicamente, ela obviamente é o objeto dos meus desejos. -disse o loiro, passando a mão pelo cabelo de forma nervosa. -Mas fisicamente, como ela é? Ela é agradável?
Ele não sabia o que o dedurou, se foi algo em seu rosto ou em sua voz. Mas imediatamente um feitiço pungente o acertou no quadril, o jogando contra a parede. Sua mãe veio em seu auxílio, ficando entre ele e sua tia. E sua irmã sacou sua varinha de seu lugar na janela, pronta para enfeitiçar sua tia caso ela o machuque novamente.
-Bella! Tenho certeza que ele não quis dizer isso de uma forma ruim, ele está apenas curioso!
-Como ele ousa?! Insinuar que a filha de nosso senhor é feia! Ela não é nada menos do que perfeita!
Draco tossiu.
-Tenho certeza que sim, tia. Não que eu pense que ela é feia, apenas fiquei curioso sobre como uma mulher que se recusa a mostrar o rosto é por baixo da máscara. - ele respirou fundo para recuperar o ar e se encostou na coluna ao lado da janela. -E como você é sua mãe, fiquei pensativo se ela seria como você ou como o pai, nosso senhor.
-Veja, Bella. É apenas curiosidade sadia, você sabe como os jovens são -a mulher se voltou para o filho. -Tenho certeza que ela é perfeita, Draco. -depois voltou seu olhar para a irmã, suas mãos esticadas como forma de apaziguar a mulher. -Não é mesmo, Bella? Diga a ele.
Bellatrix olhou para eles e seus olhos brilharam antes dela voltar a se sentar, seu sorriso de volta no rosto e sua varinha apoiada na cama.
Delilah não abaixou a varinha, atenta a tudo o que a mulher fazia. Com o canto do olho, Draco podia ver suas feições furiosas e seu corpo meio escondido no peitoril da janela.
-Bem, como eu posso dizer? De certa forma, ela é como eu na idade dela!
Imediatamente a mente de Draco se encheu de histórias sobre sua tia torturando pessoas, tendo surtos e agindo de forma imprevisível. Segundo as histórias de sua mãe, sua tia Bella era imprevisível desde o berço, mas quando chegou na adolescência tudo se tornou mais intenso e cruel. A loucura Black despertou. Os gritos de birra se tornaram fúria violenta, suas pegadinhas se metamorfosearam e se tornaram táticas de tortura que até hoje são suas favoritas. Foi durante a adolescência que a mulher descobriu sua maldição Imperdoável favorita.
Se aquela garota no jardim fosse um terço daquilo que sua tia Bella foi, Draco estava perdido.
-Merlin! É sério, tia?! -o menino disse alarmado, apenas para a dor no quadril o lembrar de como deve agir. -Você deve estar muito feliz com isso.
A mulher sorriu mais ainda.
-Claro que estou! Ainda mais porque ela é a cara do pai! Nosso sangue puro, unidos, criou o ser mais formidável que já andou por essa terra! Além do Lorde das Trevas, é claro.
O resto da noite passou como um borrão para Draco, Delilah não falou com ele mas ele pode relaxar sabendo que ela estava atenta a tudo. Sua tia e sua mãe embarcaram em uma conversa só entre elas, as mãos de Narcisa Malfoy segurando as mãos da irmã de forma que parecia terna, mas que Draco sabia ser uma tática para conter suas explosões e impedi-la de pegar a varinha.
Pensamentos rondavam a mente de Draco enquanto ele se sentava na janela e via sua futura noiva jogar objetos para o alto -com magia sem varinha! - para que a cocatrice os buscasse. Ela era poderosa, ele viu como ela transfigurou um galho em um banco prateado, cheio de detalhes intrincados, apenas com um aceno de mão,
Olhando para sua figura sombria, Draco se preocupou ao imaginar o que ela poderia fazer com tanto poder e a loucura dos Black. Ele se preocupou sobre sua aparência, mas ele não se importava que ela fosse feia, apenas esperava que tivesse nariz e não fosse careca. Draco não era tão superficial assim.
É exagero desejar o mínimo?
Na manhã seguinte um elfo doméstico veio acordar Draco e seus amigos, todos eles haviam sido convocados para o salão. Todos estavam em silêncio, até mesmo Blaise, enquanto faziam a caminhada para o que poderia ser seu último dia como adolescentes normais.
Delilah andou na frente do grupo, apenas para não falar com ele. O que o deixou indignado com o quanto ela era teimosa por algo que era inevitável e necessário. A mãe deles nem estava presente para poder lhe dar um sermão, já que somente aqueles que fariam a missão de iniciação foram permitidos sair do quarto, nem mesmo sua tia Bella estava por aí. Se ela estivesse, não seria um elfo doméstico que os tiraria do quarto, seu senhor enviaria sua maluca de estimação.
Ao chegar até a porta, ela se abriu automaticamente, revelando aquela que deveria ser a configuração tradicional do salão. Os olhos de Draco seguiram a mesa comprida que ia da porta até o pedestal em que ficava o trono de seu senhor, acima deles.
O Malfoy congelou.
Ele sabia que havia grandes chances dela estar lá, mas achar algo e ver com seus próprios olhos é diferente. Sua futura noiva estava em pé, de forma ereta e perfeita, ao lado do trono do pai, coberta desde a ponta dos pés e das mãos até a cabeça.
Seu rosto ostentava uma máscara prateada dessa vez, e conforme Draco se aproximava, podia ver as rosas e seus galhos espinhosos desenhados no metal.
Todos se curvaram assim que chegaram a uma distância adequada, tomando cuidado para reverenciar as duas pessoas poderosas a sua frente, não se inclinando muito para um lado ou para o outro.
Na dúvida sobre qual cumprimentar primeiro, é sempre bom partir para o seguro.
-Sentem-se , crianças. Temos muito o que discutir.
Com um gesto de mão, as cadeiras foram magicamente puxadas para que eles se sentassem. Draco se sentou na cadeira à direita de seu senhor e sua princesa, mesmo através da máscara, ele podia sentir os olhos da garota o seguindo e queimando sua pele.
-Como vocês devem imaginar, essa é minha filha e sua Princesa. -com seus dedos longos e compridos, o homem gesticulou para o seu lado e a garota se moveu para sentar no degrau abaixo do trono de seu pai, recebendo um tapinha no ombro. - Como dito anteriormente, ela irá liderar a missão com o auxílio do jovem Malfoy. Diga a eles nossos planos, minha serpente.
A garota acenou com a cabeça para as ordens do seu pai e Draco sentiu arrepios quando a voz rouca e sibilante ecoou pela sala.
-Não seremos os únicos em missão, o principal objetivo é atacar escolas de magia, demonstrar o quanto nosso senhor é poderoso e nenhum lugar do mundo está fora de sua influência.
Mesmo sentada aos pés de seu pai, ela ainda estava acima deles, demonstrando claramente a hierarquia de comando entre todos na sala. Ela pode estar no chão, aos pés de seu mestre, mas ainda era melhor que todos eles, que nunca sequer chegariam ao mesmo patamar.
A postura dela é altiva e confiante, intimidando todos os seus futuros soldados. Draco não conseguia tirar os olhos dela e quando um mapa mágico que detalhou todo o esquema foi conjurado, ele começou a se preocupar.
Sua princesa apontou para um círculo na América do Sul, para o Castelo Bruxo, um lugar que nem mesmo os habitantes locais conseguiram invadir e eles deveriam fazê-lo. Uma olhada para seus amigos e ele percebeu que cada um estava preocupado com sua responsabilidade nessa empreitada.
-Revisem seus papéis e se preparem, partiremos essa noite. Estão liberados.
Bile ameaçou escapar pela garganta de Draco, o gosto amargo enchendo sua boca enquanto ele voltava para o seu quarto com seus amigos.
A única pessoa a quebrar o silêncio foi Blaise, que pegou Draco pelo ombro e o puxou para um abraço de lado.
-Cara, vou te dar alguns estimulantes como presente de casamento. Você vai precisar, aquilo foi tenso! Não há pau que se levante com aquela voz!
-Vá se foder, Zabini!
O loiro empurrou o amigo e bateu a porta na cara dele, com o rosto vermelho de vergonha quando o adolescente negro lhe deu outro motivo pra se preocupar.
A lua de mel.
Como se sua possível morte certa não fosse o suficiente! Para que inimigos quando se tem um amigo como Blaise?
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O Mito da Caverna - Draco Malfoy
FanfictionApós a batalha do departamento de mistérios e a prisão de Lucius Malfoy, o nome da família de Draco está em ruinas, todo o prestigio e boa fama haviam caído por terra. A culpa é do Potter, é claro, graças a ele Lord Voldemort quer punir a família Ma...
