Eles tiveram o restante do dia para descansar. O castelo, que dias antes fora palco da agitação do baile e durante a madrugada os recebeu com um suspiro de alívio, agora respirava uma falsa calmaria. O Lorde das Trevas ouvia os relatos das incursões de cada um dos comensais, avaliando perdas e ganhos com aquela frieza habitual que fazia o ar parecer mais rarefeito. A audiência dos adolescentes ficaria para antes do casamento e do baile de gala em comemoração às incursões bem sucedidas, sua senhora os informou, uma pausa estratégica já que poucos indivíduos teriam conhecimento do casamento, não um gesto de misericórdia para os feridos. Seus machucados eram problemas deles, seu mestre os ouviria enquanto sangravam no chão se necessário.
Draco e seus amigos permaneceram juntos durante o dia, reunidos em um dos quartos de hóspedes, como se a simples proximidade pudesse afastar o que ainda os assombrava. Do outro lado do cômodo, Astoria e Delilah se dedicavam aos feridos com mãos firmes e semblantes concentrados, o cheiro de poções e unguentos invadindo o ambiente. Os que não estavam em leitos se encontravam esparramados no tapete ao redor da mesa de centro, com exceção de Draco que reivindicou seu lugar na poltrona com vista para um dos jardins.
Nott escapara da morte por pouco. As queimaduras, apesar de superficiais em comparação ao que poderiam ter sido, deixariam cicatrizes, linhas avermelhadas que subiam pelo peito e alcançavam o pescoço, onde bandagens alvas envolviam sua pele sob as roupas. Ele tentava manter a postura altiva de sempre, mas o modo como evitava certos movimentos denunciava a dor latejante.
Goyle era o que inspirava mais cuidado. Seus ossos transformados em geleia cresciam de volta com a ajuda do Skele-Gro, e o processo era tão doloroso quanto grotesco. Ele participaria da reunião noturna em uma cadeira flutuante, um presente de sua princesa. Pálido e suado, os dentes do garoto estavam cerrados mesmo sob efeito de poções anestésicas.
Blaise, ironicamente, era quem estava em melhor estado, ao menos externamente. O feitiço que o atingira fora mais doloroso que o de Goyle; suas pernas haviam sido torcidas em ângulos antinaturais, como se fossem galhos secos retorcidos por mãos invisíveis. Ainda assim, após um trabalho de cura minucioso das meninas, ele já conseguia caminhar, mancando apenas o suficiente para que o orgulho ferido doesse mais que os ferimentos externos, tudo por ter que usar uma bengala.
E ele estava furioso.
Enquanto fora curado, o jovem italiano despejara uma torrente de insultos contra a mulher que o atacara e a Goyle.
— Aquela puta do cabelo azul — resmungava, pela décima vez.
— O cabelo era preto — Goyle murmurou, confuso, a voz ainda arrastada pela dor e grogue de sono.
Blaise virou o rosto com indignação.
— Idiota, juro que era uma metamorfomaga! Enquanto lutávamos, o cabelo da vadia ficou azul brilhante!
Os demais se entreolharam, céticos. O silêncio coletivo foi quase cruel.
Foi Pansy quem verbalizou o que todos pensavam, cruzando as pernas com elegância displicente:
— Blaise, metamorfomagos são raros entre sangues-puros. Quem dirá em um castelo lotado de sangues-ruins? Você estava delirando de dor. Supera.
Zabini lançou-lhe um olhar mortal, mas continuou a reclamar, como se repetir a história pudesse torná-la mais plausível. Foi Daphne quem interrompeu o ciclo de indignação.
— Por que não focamos no mais importante? — disse, em tom mais sério do que o habitual. — Nossa princesa quebrou a ordem do pai. Colocou a própria vida em risco para nos salvar, tudo porque se importou demais com seus meros lacaios.
VOCÊ ESTÁ LENDO
O Mito da Caverna - Draco Malfoy
FanfictionApós a batalha do departamento de mistérios e a prisão de Lucius Malfoy, o nome da família de Draco está em ruinas, todo o prestigio e boa fama haviam caído por terra. A culpa é do Potter, é claro, graças a ele Lord Voldemort quer punir a família Ma...
