Capítulo Trinta e Cinco

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O rosto do advogado não poderia ser mais surpreso.

Se lembrava de quanto o caso havia se tornado uma comoção na época. Era jovem, a mídia não poupou esforços para explorar cada detalhe, cada imagem perturbadora, cada depoimento carregado de raiva e condenação.
Passou anos de sua vida acreditando na culpa do homem que, agora, com toda a conversa que tivera com seu amigo e as provas expostas, era claramente uma vítima.

– Com essas informações conseguimos reabrir o caso, não é? – Taehyung perguntou, após muitos minutos explicando cada detalhe que havia descoberto. Namjoon, porém, balançou a cabeça lentamente, seu semblante se tornando sério e pensativo como se estivesse avaliando cada cenário possível.

– Na verdade, não. E nem devemos. – Namjoon exclamou, fazendo o policial franzir o cenho por breves segundos pronto para rebater, antes de continuar. – Reabrir o caso levará, com sorte, no mínimo meses até que tudo esteja averiguado e ele seja liberado definitivamente do hospital. Precisamos mostrar que o Jae-Myung ainda age como um criminoso, que ele fez ameaças reais no presente, que é uma ameaça concreta agora. Ele pode ser condenado, ao menos temporariamente, por isso. E com ele preso, e com todas essas provas, teremos o suficiente para pressionar o juiz a reabrir o caso do Yoongi imediatamente.

Taehyung assentiu, entendendo a estratégia; sabia que Namjoon estava certo. O tempo estava contra eles e não podiam se dar ao luxo de esperar que o sistema jurídico fosse mais rápido do que a situação exigia. Era preciso agir antes que tudo escapasse ainda mais de controle.

– E quanto ao outro advogado, o Jang Ki-Joon? Não está envolvido? – Namjoon perguntou enquanto olhava a papelada disposta em cima da mesa, à sua frente. Ele estava buscando detalhes, conectando as peças que ainda faltavam para completar o quebra-cabeça. A mente trabalhava sem intervalo, calculando as jogadas que deveriam ser feitas.

– Acredito que sim, mas não tenho nenhuma prova contra ele por enquanto. – O policial passou a mão na testa, frustrado. Ele sabia que a conexão entre Jang Ki-Joon, Jae-Myung e o caso era mais do que provável, mas sem provas, estavam limitados. – Ele não se manifestou em momento algum recentemente, mas esteve com Jae-Myung em todo o processo no passado. É improvável que não saiba de nada.

– Certo. – Namjoon fez uma pausa. Seu olhar se fixou na janela à sua frente, como se estivesse observando o futuro que se aproximava. – Se ele estiver envolvido, a primeira peça desse castelo de cartas cairá em breve, e Jang Ki-Joon será o próximo.

– Quando consegue começar? – Taehyung exclamou, ansioso por dar início com tudo que tinham.

– Agora. – O advogado disse firme, com a voz grossa e neutra de sempre, para o alívio do policial. – Vou para o escritório analisar esses papéis e te ligo para combinarmos o próximo passo.

O aperto de mão que deram na despedida, era mais como uma aliança.

Sabiam que precisavam colocar esse elo em prática o mais rápido possível, antes que mais coisas saíssem do controle.
E assim o fizeram.

Nos dias que se seguiram, o plano começou a tomar forma. E foi em silêncio que as peças se moveram.
Yoongi e Yunah, que estavam imersos em suas próprias rotinas e preocupações, não souberam de nada. O advogado e o policial julgaram ser melhor dessa forma. Afinal, naquela altura, sem poder ajudar em nada, apenas ficariam com mais bagagens para carregar.
Na quietude de duas semanas, o advogado já tinha o suficiente em mãos para iniciar um novo processo contra Jae-Myung e, com a ajuda do policial, que havia convencido Eun-ji e seu filho a prestarem depoimentos cruciais, estavam finalmente prontos para apresentar os documentos e as provas necessárias ao juiz.

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