Capítulo Trinta e Três

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Eun-ji sentiu o coração bater disparado no peito, enquanto um calor subiu por toda sua espinha até a nuca.

Sabia de quem pertencia aquela voz. Apenas foi inocente ao pensar que a médica não arrumaria outra forma de contatá-la.
Yunah era esse tipo de pessoa e ela sabia disso.

– Bom conseguir falar com você, finalmente. – A diretora respirou fundo, sem saber o que falar.

Sentia, até as pontas dos dedos, uma vontade urgente de apenas deixar o celular sobre a bancada a sua frente e largar a mulher falando sozinha.

Mas não podia.
Era possível que aquela ligação levantasse suspeitas e isso poderia acabar com tudo.
Precisava agir naturalmente.

– Ah, olá, Yunah! Como vai?

A mais nova respirou fundo.
Sentia um amargo na garganta que jamais esperou sentir ao falar com a mulher pela qual despejou toda a sua admiração desde que chegou no hospital.
Engoliu em seco toda a ansiedade que passou a formar uma bola em sua garganta e seguiu.

– Estou bem e você? – A voz saiu rouca, devido a sensação de garganta seca. Tossiu, antes de continuar. – Soube que está viajando... Como está a Itália?

Eun-ji fechou os olhos com força, tombando a cabeça para trás.

Como estava a Itália? Talvez banhada por um sol escaldante de verão, com pessoas andando de bermuda e camisetas tão finas que chegavam a ser transparentes. Ou poderia estar fria, com neve caindo e cobrindo o chão como um grande tapete branco e escorregadio.
Não sabia ao certo qual a época do ano naquele lugar.

Não tinha como saber.
Jamais havia estado na Itália.

– Está agradável. A manhã está ensolarada e o café da manhã do hotel está divino. – Suspirou, tentando afastar a culpa que começa a lhe invadir com mais força a cada segundo, fazendo seus olhos começarem a se encher.
Quis perguntar como as coisas estavam por lá.
Mas já não sabia mais se era o ideal a se fazer, àquela altura.
Então apenas aceitou o silêncio na linha devido a falta de resposta de Yunah.

– O café da manhã está bom? – Yunah soube naquele momento que havia muito mais do que a diretora dizia. – Estranho o hotel servir café da manhã tão tarde... É o que? Meia noite por aí?

O fuso horário.
Eun-ji se amaldiçoou quando percebeu a falha.
A Coreia do Sul estava 8 horas à frente da Itália. Como não pensou nisso?

– Eun-ji... – A médica mais nova resolveu quebrar o silêncio que novamente se instalou na linha. – Você me ensinou a não julgar as pessoas no meu primeiro dia aqui. Eu me lembro muito bem. Te admirei desde o primeiro momento e, eu juro, estou tentando ao máximo não pensar o pior e te julgar com isso tudo que você está mostrando. Quero continuar me lembrando apenas da diretora justa e competente que me incentivou a dar o meu melhor aqui dentro e ajudou quem mais precisava durante todo esse tempo, como uma ursa que protege o seu bando. – Eun-ji sentiu a primeira lágrima molhar seu rosto, enquanto tentava se manter os soluços silenciados. – Mas eu sei que está mentindo. Não está na Itália, não é? – Yunah decidiu apenas continuar, ainda derrotada, quando percebeu que não teria respostas. – Eun-ji, pelo tempo que investiu nele, ou até mesmo pela promessa que fez em sua formação de ajudar os pacientes, se preferir pensar assim, não vira as costas agora. – A mais nova suspirou, sabendo que perguntaria algo que não tinha certeza se queria saber da resposta. – Você está envolvida nisso?

– Yunah...– Eun-ji tentou iniciar a frase, mas não conseguiu. O restante do choro que não escorria pelos olhos, estava preso na garganta. Yunah tomou o silêncio como uma confirmação.

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