Capítulo Trinta e Sete

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Assim como a mente de Yoongi, o dia havia amanhecido nublado.

Quase vinte dias desde que recebeu a ligação de Namjoon e a visita de Taehyung comunicando a confissão de Ki-Joon e a informação de que, com isso, o caso correria bem mais rápido do que esperavam.
Era uma ótima notícia àquela altura, mas não conseguiu evitar a sensação de enjoo em seu estômago. Mais do que em seu primeiro julgamento, temia a perda.
Antes, não havia o que perder. Agora, porém, tinha muito.
Não só a liberdade ou convicção da inocência, mas ela.

- Oh, já acordou... - Parecia que sua mente a havia chamado, pois, no segundo seguinte, viu Yunah entrando pela porta do quarto, caminhando até Yoongi, que estava sentado na cama com os cabelos bagunçados, e o puxando para si em um abraço apertado. . - Preparei o café, está na mesa.

- Acordou cedo. - Yoongi disse, com a voz ainda rouca, enquanto a aconchegava nos braços o mais confortavelmente possível.

- Na verdade, dormi tarde. - Se ajeitou até que encaixasse o nariz no pescoço quentinho do rapaz. - Você virou a noite toda na cama.

Yoongi suspirou, quase voltando a dormir devido ao cansaço e sensação de conforto que era tê-la nos braços.

- Desculpa, devia ter ido para a sala. - Ele falou baixo, mas a médica apenas ergueu o rosto e lhe deu um olhar repreensivo, seguido de um selinho rápido, antes de se acomodar novamente no seu abraço. - Não esperei que o julgamento aconteceria tão rápido. Acho que ontem caiu a ficha.

- Isso é bom. - A voz soprada de Yunah em seu pescoço, fez com que se arrepiasse involuntariamente. - Sabemos que vai dar certo. Então quanto mais rápido for, mais rápido se livra dessa sensação ruim de esperar, huh? Como tirar um band-aid. - O moreno ainda aproveitava em silêncio o aconchego e carinho que recebia da mulher quando ela continuou. - Mas agora vamos tomar café da manhã. Depois você toma um banho e eu faço uma massagem em você antes de irmos. O que acha?

- Eu acho que vou querer tirar sua roupa e ficar em casa, se começar a me massagear. - Yunah ergueu o olhar, espantada com a ousadia repentina do rapaz. Sua resposta foi brincalhona, como sempre fazia quando tentava aliviar a tensão. - O que foi?

Ela soltou uma risada leve, mas sabia exatamente o que estava por trás daquela brincadeira. Yoongi tentava se distrair, mas a insegurança estava bem ali, visível em seus gestos e na forma como ele a puxava para perto, sem dizer nada.

Queria poder fazer mais por ele, mas nem as técnicas de trabalho a ajudariam naquele momento.
Era pessoal demais, envolvia sentimentos demais e ela jamais conseguiria ser imparcial.

Tudo o que podia fazer era garantir que Yoongi não ficaria sozinho, que ela estaria ao lado dele, como sempre. Não importava o que acontecesse no julgamento.
Estaria ali para segurá-lo, para ser o seu conforto.

E isso, por mais simples que fosse, esperava ser o suficiente.

***

O julgamento se iniciava e, mais uma vez, um frio na espinha se fazia presente em Yoongi.

Dessa vez, por um motivo diferente: Já não era mais o acusado.
Via seus antigos advogados, o policial Woobin que havia o acompanhado na reconstituição e sumido com as provas antes de desaparecer, os dois assassinos contratados e um dos enfermeiros do hospital, que trabalhava passando informações à Jae-Myung durante todo o tempo em que Yoongi esteve internado, no lugar que, no primeiro julgamento, era ele quem ocupava.

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