Capítulo Trinta e Seis

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Quatro dias depois de ser preso, o advogado estava sentado, com os pulsos algemados à barra de ferro da mesa.

Ele já havia perdido a noção do tempo ali dentro, quando Taehyung entrou na sala de interrogatório.

– Olha o meu grande amigo aí! – O policial disse, fingindo um sorriso amigável enquanto se aproximava e tomava o lugar na cadeira em frente ao homem. – Está mais calmo agora? Ouvi dizer que deu trabalho hoje mais cedo com meu colega Wang. – Ele se referia ao incidente em que o advogado, ao ser chamado para prestar esclarecimentos, cuspiu no policial que o interrogava e se recusou a falar uma palavra. O resultado? Horas preso naquela sala. E agora era a vez de Taehyung controlar a situação. – Não sei que tipo de filme ruim de ação você anda assistindo, mas essa história de "policial bom e mau" não passa de uma mentira. O meu colega foi bonzinho em sair daqui e deixar sua cara intacta depois do que fez... E olha só, eu também sou bonzinho, não sou? – Ele esboçou um sorriso momentâneo, antes de fechar a expressão em algo mais sério e ameaçador. – Mas tente, apenas tente, colocar essa sua baba podre para fora mais uma vez, para ver se não apodrece na cela mais imunda que eu encontrar para você na cadeia. Vai ser uma festa lá, pode acreditar.

O maxilar de Jae-Myung rangia a ponto de ser ouvido pelo capitão à sua frente. Taehyung observou com um brilho ameaçador nos olhos.

– Então, soube que além de se fazer de lhama, você também virou mudo, não é? – Taehyung provocou, a voz escorrendo sarcasmo. – Mas aposto que não ficou mudo quando teve que explicar para o seu advogado o motivo de estar aqui. – Recebeu silêncio como resposta, continuando com sua pressão psicológica. – Estou tentando fazer uma amizade aqui, doutor, colabora comigo.

– Falo apenas na presença do meu advogado. – A frase simples do advogado fez o sorriso de Taehyung crescer, seguido de uma gargalhada abafada cheia de desdém.

– Ah, Sr. Park, o senhor é mesmo um ser humano ímpar! Essas falas ensaiadas... Parece que estou em um episódio ruim de uma série pior ainda de investigações criminais. – Novamente o policial debochou, aumentando ainda mais a ira do mais velho a sua frente. – Mas engraçado, seu advogado não age assim. Como é o nome dele mesmo? Ah, claro! Jang Ki-Joon. Esse, sim, sabe como conversar. Grande, Jang Ki-Joon.

O policial se encostou na cadeira, com uma pose relaxada que contrastava com o tom de ameaça em suas palavras. Ele parecia se perder na lembrança, com um sorriso irônico, enquanto o advogado do outro lado da mesa agora o observava com mais atenção.

– O cara é gente boa... Entendo agora serem amigos de longa data. Ele é bom de papo. – Taehyung cruzou os braços, despretensiosamente. – Me pego pensando se sempre foi assim ou se só resolveu conversar tanto comigo, depois de receber uma ameaça ou duas sobre apodrecer na cadeia... Ou se foi depois de ouvir sobre o quanto teria de pena reduzida se resolvesse se entregar nessa grande amizade que eu ofereci a ele, e me contasse histórias aleatórias sobre sua vida, adolescência, sobre a época em que trabalhou com você para os Min...

O advogado engoliu a seco, focando seu olhar raivoso totalmente no policial agora.

– O senhor me decepcionou muito, Sr. Park. Parecia tão astuto... Tão esperto, controlando tudo à sua volta, e chamou justo o advogado Jang para sua defesa? Chamar outro rato para a sua própria ratoeira pareceu mesmo a melhor forma para te tirar de lá? – Estalou a língua, fingindo decepção. – Se tivesse aceitado ser meu amigo antes, eu teria te alertado. É isso que amigos fazem.

– Vá direto ao ponto, moleque. – Jae-Myung praticamente rosnou.

– Kim Taehyung. Capitão Kim Taehyung, para você. – Ditou com a voz grossa e incisiva ecoando pela sala, fazendo o advogado recuar levemente em seu assento. – Bom, queria conversar mais e desenvolver uma amizade, como havia dito, mas já que quer que eu seja direto, então tudo bem. O ponto é o seguinte, Sr. Park: a sua casa caiu. – Taehyung sorriu, vendo a cara de espanto do mais velho. – Achei que levaria tempo até que você criasse bolas para assumir o que fez, mas veja bem, seu colega teve mais inteligência que você, então não precisamos mais esperar.

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