Como decifrar se o mito do amor à primeira vista existe ou é só uma lenda, minha vida se tornou muito especial a partir do momento em que a conheci... Não sei se foi amor à primeira vista; só sei que foi amor, impossível descrever em palavras, ela era a pessoa que me tirava do sério literalmente falando. Rebeca Xavier era a coisa mais maravilhosa que aconteceu em minha vida.
Estava se preparando para mais um ano na escola, mais um ano chato e entediante, o último.
- Gafanhoto! O café está na mesa - gritou a minha mãe.
- Já vou mãe - disse.
Fazia um leve frio em Copacabana então coloquei uma blusa de manga comprida fina por cima do uniforme, peguei meu óculos, minha mochila e fui até a cozinha, minha mãe falava ao telefone, tentei sair sem que ela percebesse, mas quando estava chegando na porta ela disse:
- Bom dia para você também, não se esqueça que hoje vamos ao psicólogo.
- Tá, tchau.
Desci a escadaria até a porta do prédio e fui andando até a escola. O fato de minha mãe querer me levar a um psicólogo começava com R, tinham seis letras e seis fonemas REBECA, Rebeca Xavier, minha mãe achava que eu estava obcecado demais em Rebeca, era a garota mais linda que eu já vi, era meiga, toda delicada, olhos azuis, cabelos ruivos e o seu sorriso, tão puro e admirável.
- Bom dia a todos - disse um novo professor, que eu nunca tinha visto na escola - Eu me chamo Mauricio, sou professor de Geometria.
Eu mal estava dando atenção ao professor, olhava por toda a sala à procura de Rebeca enquanto o professor se apresentava, e lá estava toda linda, a futura mãe dos meus filhos.
O professor se apresentou e logo em seguida nos dispensou, sai da sala ao lado de Rebeca, ela me olhava como se nem me reconhecesse.
- Oi Beca! - disse segurando a mão dela.
- Oi Gafanhoto! - respondeu.
- Você está linda.
- Você não vai continuar com isso, né? - disse Beca se afastando fazendo com que soltasse sua mão - Não basta você ficar atrás de mim por três anos seguidos, eu já te disse que só quero você como amigo.
- É exatamente isso que eu quero - disse e tentando parecer convincente - Vamos à lanchonete? como amigo, prometo!
-Tá legal.Fomos até a mais famosa lanchonete de Copacabana, Copa Hot Dog Bana, adorava essa nome.
- Dois Hot Dogs e uma tubaína - disse tentando tomar de conta da situação.
- Você sabe que eu não tomo refrigerante - retrucou Beca.
- E um suco para minha amada.
- Gafanhoto!
-Tá bom parei.
Nós rimos.
- Vocês podem se sentarem naquela mesa ali - disse um homem que aparentemente trabalhava no Copa Hot Dog Bana.
- Você um bom amigo gafanhoto.
O quê?!?!?!? Aquilo me ferveu por dentro, não queria ser só amigo, queria ser o namorado dela, queria ser o namorado de Rebeca Xavier.
- Que pena que sou só um bom amigo.
- Como assim?
- Esquece... Me fale de suas férias.
- Foram ótimas.
- Ótimas? Só isso?
- Sim, e como foram as suas?
- Foram ótimas.
- Você é bobo, gafanhoto! E porque descoloriu o cabelo? Botou piercing no nariz, fez um desenho na sobrancelha, fez até uma tatuagem, está virando um Bady boy?
Durante os três anos que eu tentei ficar com Beca eu tinha mudado o visual a cada ano, no primeiro ano meu cabelo era castanho cor natural, no segundo pintei meu cabelo de rosa, no terceiro ano, pintei de azul e para este ano que se iniciava mudei radicalmente, descolori meu cabelo, coloquei um piercing estilo argola no nariz e fiz três tatuagens, uma no pescoço, uma na barriga e uma no braço.
- É só para mudar o estilo - respondi
- Sei.
- Eu tó gostando de um menina - comentei.
- Serio? Quê bom.
- E eu também sei de uma pessoa que gosta de você.
Ela me lançou um olhar confuso, e depois de sorriu.
- Serio, você é espetacular não me admira que vários garotos estejam em sua cola.
- Eu também sei de uma pessoa que gosta de mim.
Ela tomou um gole de suco e piscou para mim.
- Você acredita que é possível que o amor entre duas pessoas só exista em uma das partes? - perguntei.
- Acredito em tudo até que me provem o contrário - respondeu ela.
- Acredita que eu te amo?
- Acredito em tudo até que me provem o contrário.
- Você acredita que pode me amar?
Ela abriu um sorriso e disse:
- Acredito em tudo até que me provem o contrário.
Ás vezes Beca parecia corresponder o meu amor, mas sempre que eu tentava "Algo mais" ela negava e sempre dizia que eu era o melhor amigo dela, que eramos amigos desde criança.
- Você viu o novo método de atendimento da escola - disse ela desconversando.
Eu apenas limitei-me em ficar olhando para meu lanche.
- Sério aquilo é pura crueldade - continuou ela.
- Você gosta de uma pessoa, porém são amigos, quase irmãos, e mesmo com toda a indireta e todo esforço possível, ela não retribui o amor que você sente por ela, isso sim é crueldade - disse sem pensar.
Ela ficou sem a palavra queria comemorar, pois pela primeira vez consegui mexer com ela, já era um progresso.
- A conta, por favor - disse por fim ao mesmo homem de antes.
Beca levantou-se e seguiu em direção à praia que ficava em frente à lanchonete, eu a segui.
- Quer que eu acompanhe até sua casa? - perguntei.
- Não precisa - respondeu e apertou o passo.Já estava escurecendo em Copacabana, mal cheguei a meu apartamento que minha mãe me mandou tomar banho para irmos até o psicólogo. Arrumei-me rapidamente.
- Vamos querido senão iremos se atrasar - ordenou minha mãe.
- Acho que não precisa disto - disse.
- Disto o quê?
- De um psicólogo.
- Eu digo o que você precisa e o que você não precisa.
O manobrista já tinha deixado o carro de minha mãe na porta do prédio. Minha mãe dirigia em vinte quilômetros por hora até casa do tal psicólogo que ficava a umas vinte quadras de casa.
- Chegamos - anunciou minha mãe
- Vai começar a tortura - disse
- Não seja tão dramático.
Um homem alto barbudo, ruivo vestia um terno preto e usava uma bengala desceu.
- Esse é o psicólogo - cochichou minha mãe
- É percebi - disse
- Oi prazer sou o doutor Mufaza - disse o domem a minha mãe.
- Prazer Dora - disse minha mãe - Esse é o João - disse apontando para mim.
- Olá pequeno João.
- E ai meu chapa - respondi.
Ele nos convidou para entrar e nos apresentou sua secretaria, enquanto minha ficou preenchendo minha ficha com a secretaria, eu me dirigi a sala junto com Mufaza. A sala de Mufaza era decorada com alguns quadros de arte e algumas frases de filosofos, todas em quadros e ao lado da frase a foto do filosofo.
- Então, qual é seu problema João? - perguntou Mufaza.
- Minha mãe acha que estou fissurado em uma garota - respondi.
- E ela tem razão.
- Em partes sim, ela disse que eu falo a noite.
- E o que você fala?
- Beca, ela disse.
- Mas...
- Desculpe atrapalhar, João quando acabar você me liga para mim te buscar - disse minha mãe.
Assenti, ela fechou a porta e foi embora.
- Pode deitar-se nessa cadeira - Disse Mufaza.
- Você sabe que isso é impossível né?- perguntei.
Ele anoutou algo em sua caderneta.
- Irá acontecer da seguinte forma, serão sete sessões de vinte minutos no máximo, como hoje é segunda tecnicamente acaba no domingo. Podemos começar?
- Sim - disse com confiança.
- Para começar eu irei fazer perguntas lógicas e você simplesmente responde.
- Ok!
- João como é seu nome?
- João.
Estava começando achar que o cara era maluco.
- Deite-se naquela poltrona.
A poltrona ficava de costa para a cadeira que ele estava sentado.
- Idade.
- Dezessete anos.
- Quem é Beca?
- Rebeca Xavier a menina que eu gosto.
- Você a ama?
- Sim, eu a amo.
- Como a conheceu?
- É uma longa historia.
- Sou formado em Psicologia e em Filosofia, você não acha que estou acostumado, com longas historias.
Fiquei intimidado.
- Beca e eu se conhecemos ainda no jardim de infância, quando a defendi em uma briga, ela me deu um beijo no rosto e eu me apaixonei, ela me excitava não naquela época, pois nem sabia que era isso, mas agora me excita, anos se passaram e viramos melhores amigos e hoje somos namorados, fomos feitos um para o outro.
- E ela sabe disso? - perguntou.
- Disso o quê?
- Que vocês estão namorando.
- Caraca! Você é bom.
- Há vinte anos analiso as pessoas, sei quando elas estão mentindo, conte-me o seu dia de hoje.
- Hoje eu a levei à Copa Hot Dog Bana pela centésima quinta vez tentei ficar com Beca e pela centésima quinta vez não obtive sucesso.
- João, você a ama e isto está claro, pela forma como você fala dela. A pergunta que eu faço a você é a seguinte: vale a pena lutar por ela?
- É...
- Não me responda agora - interrompeu - Quero essa resposta amanhã, nossa sessão acabou no vemos amanhã.
Ele me acompanhou até a porta e nos despedimos. Fui andando até a minha casa e pensando na pergunta de Mufaza.
Em casa fiz o que faço toda a noite fui para o meu quarto, deite-me no beliche debaixo e pensando em como seria minha tentativa, para ficar com beca no dia seguinte.
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Eu te amo tanto
De TodoE quando as luzes se apagaram e a cortina se fechou ela me disse algo: - Eu te amo tanto! Gafanhoto é uma garoto confuso, que tem uma paixão platônica por Beca. Como eram amigos desde criança, Beca sempre usava essa ideia como desculpa, mas Gafanhot...