Sexto dia.

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Acordei no dia seguinte com uma baita de uma enxaqueca, eu deveria planejar o "stand up", mas a dor era horrível ao invés disto fiquei deitado no sofá imaginado como Beca e JC estariam gozando suas felicidades, e debochando da tristeza alheia, no caso a minha. Pensar em Beca só me deixava com mais enxaqueca, me perguntava como uma pessoa que eu amava no passado era odiada por mim no presente, o que o futuro reserva para nós.
Tudo estava tão recente em minha memória Beca e eu comendo hot dog, eu a deixando sem palavras, ela só de saia curta e sutiã, nós dois assistindo filme, nosso quase beijo, cinco centímetros entre nós, o fim da relação, o namoro de Beca enfim tudo estava tão recente.
Minha mãe só chegava pela tarde, passei quase todo o dia solitário, quase mesmo, pois como diz a minha mãe há sempre uma luz no fim do túnel e um arco-iris em meio à tempestade, e meu arco-iris havia acabado de chegar: Beca me surpreendeu abrindo a porta do meu AP e dizendo:
- Gafanhoto me desculpe por tudo que eu te fiz.
Dei um pulo do sofá.
- Beca... Eu... É... Não sei o que dizer.
- Não diga nada, só me escute.
Não havia como deixar de escutá-la, ela estava linda como sempre, vestia um short curto quase na cintura, uma mine blusa que valorizava seus redondos e enormes seios.
- "Sou todo ouvido."
- Gafanhoto, me perdoa por ter sido grossa com você e pelo tapa também.
- Eu é que fui um idiota Beca, agi como um tolo - disse colocando minhas mão em seu ombro.
- O importante é saber admitir o erro, de qualquer forma me desculpe - disse Beca.
- Tá desculpado, e como está seu namoro com o JC?
- JC?
- Jhow cretino.
- Esse é o segundo motivo pela minha vinda aqui.
- Não entendi.
- Acho que o Jhow está me traindo
Como o cara consegue trair a garota mais bonita do universo.
- Que cretino - disse
- Gafanhoto você pode me ajudar?
- Claro o que devo fazer?
- Eu vi no celular dele uma mensagem de uma tal de Bethany, marcando um encontro no Cristo Redentor. Ele me disse que iria visitar a mãe dele.
- Que safado e qual é o plano?
- É o seguinte, você precisa pegar o carro de sua mãe e me levar até lá.
- Não sei não, parece muito arriscado, eu nem tenho habilitação ainda.
- Mas, você sabe dirigir que eu sei.
- Não acho uma ótima ideia.
- Por favor, gafanhoto,
Beca me implorado não da para resistir.
- Tudo bem, mas você já pensou o que vai fazer se estiver certa.
Claro que queria que Beca estivesse certa.
- Primeiro passo pegar o carro na garagem sem sermos vistos.
- Vamos então - disse correndo em direção à porta e puxando seu braço.
Beca parou fazendo com que eu parasse também.
- Espera ai, você vai assim?
- Assim como?
- De pijamas e só de meias.
- O quê você tem contra a minha blusa do lanterna verde.
- Só acho que você precisa de roupas de homem.
- Se vai ficar me humilhando eu vou embora.
- Se já está em sua casa gafanhoto.
Fomos ao meu quarto, demorou para cair a ficha, que beca estava exatamente no meu quarto, estava começando a gostar do meu futuro, espero que ele continue dessa forma. Abri meu guarda roupa e Beca começou a escolher roupas para eu vestir.
- Acho que essa calça vai dar certo só precisamos achar a camisa certa - disse Beca.
- Eu não sei por que desse preconceito bobo, sobre minhas camisetas dos super-heróis.
- Não só dos super-heróis, olha essa dos "Minions", do "Homem de Ferro", do "Angry Birds" - disse ela tirando uma por uma.
Ela tirou uma calça desbotada e rasgada, uma blusa de manga comprida vermelha, a mesma que eu usei no dia do nosso quase beijo.
- Acho que isso aqui irá servir, pode se trocar.
- Mas, Beca por de baixo da minha calça, não tem mais nada só o meu pênis.
- Até parece que eu nunca vi um pênis na minha vida.
- Serio?
- Não gafanhoto, vou me virar, se vista rápido e vê se coloca uma cueca.
Tirei a calça de costa para a costa de Beca, com um receio enorme de que ela se virarasse e vesse minha bunda magra.
- Pode se virar - Anunciei.
- Mas que isso?
- Coloquei a cueca.
- E a calça, você vestiu o pijama novamente.
- A é verdade - disse tirando a calça de moletom na frente de Beca.
- Gafanhoto!
- Ops! Foi mal.
Coloquei a calça e a blusa vermelha e calcei um tênis da "Nike".
- Só esta faltando algo - disse Beca.
- O quê?
- Deixa eu ver, aqui - disse ela colocando um boné em minha cabeça e um óculos escuro em meus olhos - Agora está perfeito.
Peguei a chave do carro de minha mãe e fomos até a porta, sabia que minha mãe iria ficar muito brava, mas era para uma boa causa.
- Beca se está de salto - disse.
- Sim e dai?
- Como você vai descer a escadarias?
- Do mesmo jeito que subi, deixa de papo e vamos logo.
Descemos a escadaria correndo era impressionante ver Beca correndo, seus cabelos cor de vinho balançando de um lado para o outro, aquilo sim era uma verdadeira obra de arte.
Chegamos ao estacionamento que ficava ao lado do prédio, o manobrista estava lá, então ficamos mudando constantemente de um carro para outro, até chegarmos ao carro de minha mãe.
Destravei o carro e o barulho do alarme ecoou por todo estacionamento, mas ninguém apareceu, entramos no carro e Beca perguntou.
- Que horas são?
- Duas horas e vinte minutos - respondi
- Droga! Acho que eles não devem estar mais lá.
- Que horas eles marcaram?
- Uma e meia.
Não disse mais nada, apenas dei partida no carro e saímos do estacionamento, Beca parecia um pouco ansiosa.
Seguimos na direção sudeste, na rua Barata Ribeiro, em direção a rua Garibaldi em uma velocidade razoável.
- Pisa fundo gafanhoto - disse Beca.
- Calma Bequinha, o carro da minha mãe é um carro de passeio e não um carro de corrida.
Era um Cros-Fox amarelo.
Viramos na direita na rua Barão de Ipanema e depois a esquerda na rua Pompeu Loudeiro, passamos pela praça Eugênio Jardim e pela Av. Henrique Dodsworth.
- Beca eu já te perguntei isso, mas oque você vai fazer se caso esteja certa? - Perguntei .
- Certas coisas nessecitam de certas medidas, tem hora que você simplesmente fecha o olho e "se joga" sem hesitar sem nenhum receio.
Pode parecer maluco da minha parte, mas Beca já estava me dando, já não estava fazendo o menor sentindo.
Viramos na curva à direita na Av. Epitácio Pessoa e seguimos para o viaduto Eng. Humberto Vital de Melo, pegamos a saída em direção a Cosme Velho/Laranjeiras/Botafogo/Corcovado, viramos a direita na rua Cosme velho.
Beca não falava nada, só observava a rua de braços cruzados, seguimos para a rua Alexandrinho, viramos á direita na estradas das Paineiras, até chegar no Cristo, por volta das duas e quarenta e cinco.
- Chegamos e agora? - perguntei.
- Agora é comigo - respondeu Beca.
Beca saiu do carro correndo eu sai atrás dela apertando o alarme do carro, Beca mesmo de salto corria em uma velocidade razoavelmente rápida, subimos as escadas até chegarmos à escada rolante.
- Beca o que você vai fazer - perguntei novamente enquanto subíamos a escada.
Ela deu de ombros e não respondeu. Quando literalmente chegamos ao Cristo, Beca saiu procurando o JC em meio à pequena multidão. Estava lá como previa Beca aos beijos com uma menina loira.
Beca foi até a direção dos dois, tocou no ombro dele e se virou e sem dizer nada beca deu um soco no nariz dele e se virou e saiu, eu a segui sem dizer uma palavra voltamos para o carro.
- Beca eu sinto muito - disse quando já estávamos dentro do carro.
- Não precisa sentir, nunca mais quero ver aquele cretino.
- É o mínimo que você tenque fazer.
- Gafanhoto muito obrigado.
- Não foi nada.
Ficamos se encarando por alguns segundos até nossas cabeças se aproximarem uma da outra minha mão segurando a mão dela, o passarinho cantando no lado de fora, pessoas passando por todo lado nosso lábios em nanômetros de distancia entre um e o outro, esse era o cenário para o dia histórico em minha vida, até o recuo de Beca, não disse nada apenas dei partida no carro.
- Desculpe João - disse Beca.
Dirigi até a casa de Beca ela se despediu dando-me um beijo no rosto e desceu do carro, dirigi até minha casa.
Estacionei o carro na garagem e voltei ao meu apartamento na torcida para que minha mãe não estivesse chegado de viagem, abri a porta devagar, estava tudo silencioso de forma que só dava para escutar o rangido da porta se abrindo, tudo estava escuro deduzi que minha não havia chegado.
- Ufa! - disse me jogando no sofá.
- Ufa! O quê? Mocinho - disse minha mãe aparecendo de súbito e acendendo a luz da sala.
- É... Mãe já chegou.
- Acho que sim, mas por quê do espanto?
- Nada.
- Por quê a chave do meu carro está em sua mão.
- Nem percebi acho que devia estar no sofá e eu sem ver a peguei.
Ela se sentou no sofá ao meu lado e disse:
- O engraçado é que eu passei pelo estacionamento e não vi meu carro lá, antes de você entrar em casa, o manobrista me ligou e disse que alguém havia acabado de chegar com ele, minutos depois você chegou.
- Que coincidência.
- Você saiu com meu carro João?
- Não.
- Você mente mal João.
- É já me disseram isso.
- Eu vou fingir que você não saiu com meu carro João, eu vou fingir.
- E eu, vou tomar um banho.
Tomei um banho bem quente e fui me deitar pensando no que havia acontecido com Beca e eu. É correto afirmar que a matemática nunca foi o meu forte, mas nunca fiz nada para ela me atrapalhar dessa forma, passei a odiar as unidades de medidas, com todas as minhas forças, primeiro cinco centímetros entre nossos lábios, segundo nanômetros de distancia entres um e o outro.

...

Na penúltima sessão de psicologia com o filosofo psicólogo D.R Mufaza mais conhecido com tio, não estava tão deprimido como deveria estar com tudo que havia acontecido, talvez a psicologia do tio me fez superar e ser fortes sobre certas circunstancias.
- Você está me dizendo que ela invadiu sua casa e te raptou para uma missão secreta? - perguntou o tio.
- Tecnicamente sim - respondi.
- Defina tecnicamente.
- Foi quase uma extorsão em formas de palavras, não tem como reagir à apelação barata de Beca.
- Ela deve ter um poder de persuasão muito forte.
- Sim
- E após ela ter te raptado o quê aconteceu?
- Ela me obrigou a levá-la ao Cristo Redentor.
- Ela tinha uma arma.
- Sim.
- Qual?
- O sorriso, tão letal quanto qualquer outra.
- Continue.
- Chegando lá ela saiu correndo procurando o JC, e quando o achou ele estava aos beijos com Bethany ela não hesitou e deu um murro na cara dele.
- Vejo que ela é mais forte que você.
- Você está muito engraçadinho, você não é engraçado, deveria ser o tio racional que da conselho a todo mundo.
- Prossiga João.
- Quando voltamos para o carro, Beca e eu estávamos preparados para trocar nosso primeiro beijo, mas ela recuou novamente. Eu não quero que volte a ser como era antes, mas o quê aconteceu hoje me fez sentir uma nostalgia do amor.
- Você é realmente imprevisível uma hora a ama na outra a odeia e quando pensa que tudo está em perfeita harmonia já está a amando novamente.
- Mas, desta vez foi diferente.
- Como diferente?
- Eu não fiquei chateado com o recuo de Beca, muito menos fiquei a bajulando.
- Aprendeu a superar?
- Acho que sim.
- Bom João como amanhã é nossa ultima sessão eu irei pedir para que você faça o exercício de hoje em sua casa...
- Exatamente isso que quero falar com você.
- Pode falar.
- Podemos fazer a sessão amanhã à tarde? É que a noite eu me apresento.
- Mas é claro, já decidiu o que irá fazer?
- Stand up.
- Quanto ao exercício, quero que traga amanhã um texto, contando como a psicologia ajudou você, o quê mudou na sua vida, e o diga os pontos positivos e os negativos.
- Vou tentar.
- Amanhã às cinco da tarde, pode ser?
- Pra mim tá ótimo.
O dia seguinte iria ser um dia recheado de coisas, tinha que preparar o texto do tio, e preparar o Stand up, então voltei para o meu quarto desabei no beliche debaixo e já comecei a providenciar o texto do tio.

Eu te amo tantoOnde histórias criam vida. Descubra agora