Ritual - Parte 1

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         Tennesse forçou-se a deixar as muletas de lado e iniciar a transformação que já não era tão rápida como antes.

— Você ainda não está totalmente recuperado! — advertiu Tala com preocupação.

— Teremos uma ocasião especial! Nunca me senti tão bem antes!

Aric observava sem soltar uma palavra sequer, mas uma única de suas sobrancelhas erguidas demonstrava a reprovação de tal atitude e estava ali para assegurar que nada daria errado.

Tennessee começou. Ninguém estava envolta pelas ruas para vê-lo falhar ou prosseguir, então no espaço amplo do jardim, a chamada do velho lobo vinha. O mesmo processo tão familiar para Aric havia voltado a se tornar assustador.

O homem que jamais reclamara de sua pele dilacerada em suas transformações de dez segundos, estava ali, caindo de dor com a reestruturação de seus ossos. Tala exclamou o nome do marido, no entanto, foi barrada pelo mesmo de se aproximar.

Pouco a pouco, o lobo estava ali. A pelagem tão escura quanto a de Kato e Talissa, com diferença de que agora era possível ver alguns pelos brancos espalhados pelo animal. E também, a marca de um estrangulamento marcado na falta de um de seus olhos que era bem marcado por uma grotesca cicatriz no local.

Tennessee se abaixou, dando sinal para que Tala subisse. A mulher, satisfeita de ver o marido bem, assim o fez com um sorriso aliviado no rosto.

— Nos acompanhe, Aric. Você faz parte disso tanto quanto nós.

Ele não poderia recusar. Estavam indo para a montanha mais alta de Red Illinor — Cume da Lua Rubra — a mesma que selou o pacto. Um sorriso discreto escapou de seu semblante, evitando disfarçar a honra que sentia ao retornar até lá a ver o local que lhe entregou a proteção de uma família. A primeira vez que teve um significado em sua vida, após muito tempo.

No topo, Tennessee preparava o tom de seu uivo, já que cada onda sonora significava uma determinada leitura para aqueles que ouviam de sua alcateia. Ele esbravejou com intensidade duas vezes e com breves espaçamentos.

Não demorou para que horas depois, os vizinhos mais próximos começassem a visitar a casa dos Swiftwater e parabenizá-los pelo acontecimento.

— Um ritual duplo! — Diziam com frequência.

Com o decorrer da semana, os demais, localizados mais no centro da região, se encaminharam longos quilômetros até a casa dos dois novos lobos, bem no extremo de Red Illinor, para levar presentes e palavras de conselhos e graças.

Alguns entregavam roupas para Talissa dizendo que combinariam muito com ela em seu dia de ritual já que seus olhos brilhavam feito a própria mãe Lua. Acrescentavam que até mesmo Takkoda poderia usar, no futuro, se fosse de sua vontade. Ou Koda, se algum dia lhe agradasse com aquele tipo de vestes.

Por alguns dias, a família mal precisou caçar ou fazer compras em mercados mais próximos já que muitos levavam cesta de felicitações, além de adereços lupinos e outros comuns da cultura de Red Illinor. Já não sabiam onde pôr tantas coisas.

Aric nunca havia presenciado as semanas pré-ritual em nenhum momento de sua vida imortal e estava achando admirável. Mas, o que mais lhe surpreendeu, foi quando algumas pretendentes vinham em busca de Kato e logo se gabavam que suas lobas estavam por se aproximar, tendo certeza de que seriam fortes e ágeis. Infelizmente, o vampiro não podia intervir; na verdade, ele nem podia aparecer quando os demais lobos apareciam. Era tudo observado às escondidas.

Era claro que todos notaram os ferimentos brutais de Tennessee, mas este tinha o total direito de não falar nada sobre, já que estava envolvido com o pacto; e por lei deste, todos os envolvidos tinham o direito de mantê-lo em segredo já que a própria Lua cuidaria dos traidores que ousassem quebrá-lo. Então, o máximo que faziam era desejar-lhe saúde.

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⏰ Última atualização: Feb 01 ⏰

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Os Filhos da Lua: O pacto (Livro 1) | BLOnde histórias criam vida. Descubra agora