Capítulo 30

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Existem momentos em nossa vida que tudo passa extremamente rápido e outro que tudo passa em câmera lenta

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Existem momentos em nossa vida que tudo passa extremamente rápido e outro que tudo passa em câmera lenta. Normalmente, quando tudo está devagar, fica muito mais fácil para se defender em uma situação de perigo, o problema é quando tudo parece um borrão de tão rápido, é o meu caso.

Não consegui me defender, nem ao menos prever os seus movimentos, eu apenas senti meu cabelo ser puxado com força, e meu corpo sentindo o impacto do chão com força.

— Está maluca?

Tento me defender, só que a ira, o ódio e raiva que sai do seu corpo é mais forte, como se ela estivesse sendo movida por esse sentimento.

Tento levantar mais não antes de sentir algo vindo com muita força em direção ao meu estômago. Os seres humanos são movidos pelo extinto e foi isso que me moveu, foi isso que fez com que meus baços fossem para aquele local a fim de me proteger enquanto tentava me colocar em pé, o que foi uma tarefa difícil, pois o salto alto não ajudava muito.

— Você destruiu minha vida, minha carreira, tudo.

Eu não lembrava como tudo tinha acontecido, só me lembro das suas palavras antes de sentir o mar se chocar contra o meu corpo. O frio das águas sugava todo o calor do meu corpo a medida que me debatia para tentar subir, para tentar alcançar a superfície.

O desespero tomou conta quando meu corpo não subia e só afundava. O simples fato de eu não saber nadar, agora era o maior pensamento na minha mente. Nunca tive a oportunidade de aprender a nada e muito menos precisei, digamos que a minha mãe estava mais concentrada em criar uma carreira de sucesso para mim, do que me proporcionar aulas que poderia me ajudar no futuro, e com certeza entrar na natação seria algo extremamente útil.

Sentia como se uma pedra enorme me puxasse para o mais fundo. Tentei ao máximo segurar o ar em meus pulmões, mas o desespero era tanto que podia sentir meu coração bater tão forte, que pensei que ele romperia minha caixa torácica, e saísse para fora. A sensação era como se meu coração estivesse tentando compensar a falta de ar que nesse exato momento não estava indo para os meus pulmões.

Meus olhos ardiam com sal do mar, que queimava e aumentava ainda mais o meu desespero. Estava lutando ao máximo para manter o ar dentro dos meus pulmões até subir, mas sinto como se algo me impedisse. Uma mão nos meus cabelos me emburrando barra o mais fundo que conseguisse. Tentei usar as unhas para arranhar, mas era inútil, a força estava se esvaindo do meu corpo, e o ar que tanto lutei para manter em meus pulmões começou a sair, abrindo espaço para outra coisa entrar em meus pulmões.

Uma queimação vinha de dentro para fora, expandindo meus pulmões. A água preenchia cada via respiratória minha, como um veneno, se alastrando e trazendo dor por onde passava. Gritos afogados pela água saiam de meus lábios, à medida que a dor ia se intensificando a medida que a visão se tornava turva, escura.

O tempo não passava, estava vivendo e sentindo cada momento, sentindo cada partícula de ar que abandonava meu corpo, sentindo a queimação, o desespero a impotência em meio ao desespero.

Pude sentir a mão em meus cabelos perder um pouco a força, ou era eu que estava parando de lutar, parando de tentar sair do mar. Meus movimentos se tornaram lentos, devagar, a força estava se esvaindo do meu corpo. Não tinha força para gritar, não tinha força para me mexer.. Foi nesse momento que meus braços e minhas pernas pararam de se debater, que o grito que abafado pelo mar cessou e a visão começou a escurecer mais ainda, abrindo espaço para o abismo escuro que puxava meu corpo, que puxava a minha alma, a vida estava saindo de mim.

A escuridão me domina e nesse momento eu sinto algo tocar o meu corpo, sinto o impacto dele em uma superfície.

O frio dominava tudo.

Uma pressão foi instalada no meu peito e pude ouvir algo, distante, abafado, misturado com uma voz melancólica, um choro.

— Não, por favor.... Respira meu amor, por favor.... Fica comigo.

Thomas.

Pude sentir ar sendo jogado com força em meus pulmões, a pressão em meu peito não parava.

Era uma dor insuportável, eu só queria gritar, queria sair desse estado de agonia, desse limbo que puxava meu corpo para luz e para escuridão, era como uma guerra, como se estivesse lutando com todas as forças para seguir a sua voz, para tentar respirar, para sair dessa escuridão que cobria o meu corpo.

— Por favor fica comigo amor, não desiste....

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Um capítulo mais curto, porém muito necessário... Não matem a autora de vocês... 

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