Capítulo 31

1.4K 151 26
                                        

Nunca foi tão difícil sair do trabalho quanto hoje

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Nunca foi tão difícil sair do trabalho quanto hoje. Senti como se o universo estivesse testando minha paciência, estivesse testando toda a minha sanidade mental e o meu coração. Tinha marcado com Elisa para encontrar ela no píer, mas nada estava me ajudando a ir lá, e saber que eu estava deixando ela esperar me deu um aperto no coração.

Que tipo de homem eu sou se deixar minha mulher me esperando?

Uma coisa ensinada pela minha mãe, é que nunca uma mulher pode ficar esperando, nos que devemos esperar ela.... Acho que ela decidiu ensinar isso por causa da sua falta de paciência para esperar o meu pai, e confesso que ela fez um ótimo trabalho ensinando nos cinco... e sim, meu pai ela ensinou, e ele estava disposto a aprender.

Ninguém vem perfeito, sempre são sacrifícios e escolhas, ambos precisam se esforçar e entender o que o outro quer, e como ambos podem juntos melhorar o relacionamento.

Na questão de criação, só tenho elogios para minha mãe.

Quando finalmente terminou tudo, fui em direção ao local do encontro, sentindo meu coração acelerado, e um sentimento de angústia que eu não sabia da de onde vinha, só sabia que estava se fazendo presente no meu corpo, como se algo estivesse errado.

Talvez o fato de eu nunca me atrasar e agora estou bem atrasado.

Aceito essa alternativa como o motivo de estar assim, mas ainda não parecia ser isso, talvez seja a ansiedade do que eu estou prestes a fazer com Elisa... Ainda não sei.

Apreço meus passos, mas não a vejo lá, nenhum sinal de Elisa no píer, ele estava vazio.

Será que ela foi embora?

Esse pensamento logo se dissipou quando vi que tinha uma movimentação estranha na água, não era brusco, era quase nula, porém só mantive minha atenção ali por causa de uma coisa, um tom alaranjado que vinha daquele local.

Meu coração acelerou, meus batimentos eram tão frenéticos que pensei por um momento que fossem errar as batidas, o desespero fez meu corpo se movesse o mais rápido que consegui. Não estava pensando. Pela primeira vez só estava agindo, sem ao menos tentar entender a situação, pois tudo fez meu corpo agir e ter algumas certezas.

Quando me aproximei, o movimento nas águas tinha parado, o que fez com que uma onda de adrenalina me atingisse mais forte. Minha mente não pensou muito quando entrei na água, quando senti uma onda gélida atingir o meu corpo, quando lutei contra o sal que ardia meus olhos só para ter a certeza de que estava indo para o local certo, só para ter a certeza de que o que eu estava vendo era verdade.

Elisa.

Existem momentos em nossa vida que simplesmente nada faz sentido, que tudo passa em um piscar de olhos, que tudo parece como um filme de terror... no meu caso hoje era um verdadeiro filme de terror, meu pior pesadelo estava acontecendo nesse momento.

Tiro seu corpo da água o mais rápido que consigo e a coloco sobre o píer. Eu não a sentia respirar, não via seu corpo de mexendo. Meus olhos se encheram de água, e senti um nó se formar na minha garganta...

Não por favor... fica comigo.

Eu sabia os primeiro socorros necessários nesse momento, e tentei me manter o mais calmo o possível, tentei controlar os tremores causados pelo medo que me inundavam... sim eu estava com medo, estava aprovado.

Era ar em seus pulmões e pressão em seu peito com as mãos, o ritmo tinha que ser constante.

Não sei quanto tempo eu fiquei repetindo os movimentos, não sei o que eu falei, não sei como eu chamei alguém, eu estava desligado do mundo, estava desligado do que me cercava, meu foco era Elisa, meu foco era ver ela respirando de novo, era ver aqueles olhos azuis como céu olhando para mim, era sentir o calor do seu corpo.

O momento em que vejo seu corpo começar a colocar água para fora, sinto um alívio tão grande. Estava funcionando.

Era tanta água que saía que meu coração estava acelerado de preocupação. Elisa parecia confusa, podia ver seus olhos perdidos enquanto colocava a água que estava em seus pulmões para fora.

— O que aconteceu? — Questiono passando a mão em suas costas, a fim de ajudar da maneira que podia, para que a água continuasse saindo a medida que ela tossisse. — Quem fez isso com você amor?

Não precisava estar na pele dela para saber que aquilo doía, podia ver pela sua expressão facial, que cada arfada de ar doía para ela, que cada movimento causava dor em seu corpo, isso estava me quebrando por dentro, a sensação de impotência, de não saber o que aconteceu, estava me destruindo de dentro para fora.

Em algum momento, apareceu uma equipe médica, e via Alan orientando eles sobre o que fazer, olhando tanto para mim quanto para Elisa como uma expressão preocupada.

Não foquei muito na bagunça que estava ao meu redor, meus olhos estavam nela, meus olhos estavam procurando algum indício de que ela poderia piorar, desde que ela acordou, a única coisa que ela fazia era tossir e jogar água para fora, seu corpo estava tonto, cansado e desorientado, estava completamente desconectado desse mundo.

— Quem fez isso com você? — Alisei seus cabelos assim que entramos na ambulância.

O fato de saber que agora ela estava sob cuidados médicos, aliviou um pouco da angústia que tinha dentro do meu peito, mas acho que levaria um bom tempo para superar o medo que eu tive.

Perder Elisa se tornou um medo real, se tornou meu pior pesadelo... ela é tudo pra mim, e eu não tinha noção do quão importante ela era para mim, até senti o seu corpo em minhas mãos, tão indefeso, até sentir que não respirava. Essa é uma lembrança ao qual nunca vou esquecer, e uma lembrança que não vai sair da minha mente até eu descobrir quem fez isso, até eu descobrir quem teve a ousadia de encostar em um fio do cabelo da minha mulher. Eu espero que essa pessoa saiba se esconder, pois nem que eu tenha que ir até os confins da terra, eu vou acabar com essa pessoa.

Um ErroOnde histórias criam vida. Descubra agora