Epílogo - Renovando os votos

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Promessa é dívida!

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NARRADOR

Não é difícil saber que queremos alguém para toda a vida.

Na verdade, isso pode ser estupidamente fácil. Amar essa pessoa é a coisa mais natural do mundo: tudo nela encanta, a forma como respira, o jeito como os cabelos se desarrumam ao acordar, até as manias que só o tempo revela e que, aos poucos, viram parte daquilo que chamamos de lar.

Amar é fácil. Sentir é fácil.

Mas manter esse amor vivo… ah, isso é diferente.

Relacionamentos exigem coragem: a convivência pede renúncia, o dia a dia ensina a ceder, a ouvir, a pensar não só em si, mas em dois, em quatro, em todos que esse amor abraça. Vencer a rotina é aprender a conhecer o outro em cada luz e em cada sombra. E quando se atravessa tudo isso juntos, o sentimento não apenas permanece, ele se fortalece, se torna rocha, raiz, eternidade.

Quando escolhemos alguém, promessas são feitas todos os dias.

Elas nascem em cada amanhecer, quando o olhar encontra o do outro, e se escondem em cada entardecer, no toque silencioso de quem divide a vida. Algumas promessas vivem apenas no gesto, um café preparado, uma mão estendida, um sorriso que diz “estou aqui”. Outras, porém, precisam ser renovadas, ditas em voz alta, para que o coração as ouça de novo.

Renovar os votos é isso: é relembrar a razão do primeiro “sim” e, ao mesmo tempo, reconhecer tudo que veio depois.

É olhar para o amor não como um ponto de partida, mas como um caminho inteiro, cheio de quedas, risos, recomeços.

É afirmar, diante do tempo, que o sentimento não ficou preso ao passado, ele cresceu, amadureceu, ganhou raízes e asas.

Renovar é repetir as palavras antigas com um sabor novo.

É dizer, eu ainda escolho você, sabendo agora o peso e a beleza de cada escolha.

É celebrar não apenas o que prometemos um dia, mas tudo o que aprendemos a ser, juntos.

Agora, com todos naquela praia, em meio a um pôr do sol tão bonito e palavras ainda mais belas vindas dos votos que Tee e Irin trocavam, Freen não conseguia desviar o olhar do perfil de sua esposa. Becky estava concentrada, emocionada, afinal, sua melhor amiga estava se casando, elas estavam no altar, como madrinhas, junto com outros amigos da época do colegial e ali, vendo Irin e Tee escolherem formalmente uma a outra para dividirem a vida, foi inevitável Freen se pegar pensando no quanto continuava escolhendo sua esposa todos os dias, refletindo que continuaria escolhendo, não importa o tempo que passasse, sempre seria Becky, hoje, amanhã e em todos os amanhãs possíveis.

-VIVA AS NOIVAS! (alguém gritou assim que Tee, teatralmente, beijou sua, agora esposa, depois do tão esperado “sim”.)

Freen sorriu, voltando o olhar para as amigas. Becky desentrelaçou seu braço do da mais velha brevemente para voltar a entregar o buquê para Irin, e ajudou a gritar, celebrando com alegria enquanto todos se erguiam para a saída das noivas. E, por um instante, com aquele cheiro do mar e o brilho já fraco do sol no rosto, Freen sentiu que o seu amor continua se renovando a cada dia, silenciosamente. Ela amava Becky ainda mais agora, ainda mais do que quando se implicavam em San Carlos.

Elas já se preparavam para sair, acompanhando todos rumo ao salão de festas, quando duas pessoinhas escaparam do lado de Ashley e Marisa, quase correndo em direção ao mar.

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𝐀 𝐜𝐚𝐩𝐢𝐭ã 𝐝𝐨 𝐭𝐢𝐦𝐞 𝐞 𝐀 𝐥í𝐝𝐞𝐫 𝐝𝐞 𝐭𝐨𝐫𝐜𝐢𝐝𝐚Histórias para pegar e não largar. Descubra agora