Vejo uma mulher bonita, elegante.
Sua silhueta remete-me a Clarice, Virgínia Wolf.
Mas, não é isso que me chama a atenção.
Seu olhar profundo e rosto cansado
me tomam, me contam uma história semelhante a de muitas outras mulheres.
E o que observo admirada
em sua nova postura,
em sua face delicada e madura
é que essa mulher é livre.
Livrou-se das amarras do perverso.
Do que escraviza, intimida, molesta.
Do que violenta, diminui, subjuga.
Do que humilha, aprisiona, desmantela.
Do homem.
Dele livrou-se e, agora livre
deve recomeçar,
refazer sua história,
escrever novas linhas...
Não é fácil ressurgir,
ressuscitar de uma morte tão penosa.
Mas, ela vai.
Vejo sinais de vida e luz
em seus olhos.
E ao conhecer sua essência,
sei que o novo livro que escreverá será belíssimo. Narrativa épica de uma mulher que aprendeu a voar e gaiola nenhuma jamais a aprisionará de novo.
