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Bem-vindos ao meu quarto do pânico

Bem-vindos ao meu quarto do pânico

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Pov: Morrigan Flanagan

Meu corpo acordou antes de mim.

A primeira coisa que senti foi o peso, como se eu tivesse sido atropelada por uma manada inteira e deixada ali, esquecida no chão. Meus sentidos foram se recobrando aos poucos. O tato veio primeiro. O frio do ar roçando minha pele. Algo absurdamente macio me cobrindo, quase ofensivo de tão confortável. Minhas mãos se moveram devagar, cautelosas, explorando onde eu estava. Fofo. Aconchegante. E então senti o metal. Frio e rígido, em torno de meus pulsos.

Respirei fundo, os olhos ainda pesados demais para se abrirem por completo. O cheiro do quarto era confuso, quase cruel. Madeira queimando. Lavanda. Biscoitos recém-assados. Algo quente, parecido com chá. Por um segundo, pensei que fosse um sonho, um daqueles sonhos falsos que a mente cria para te poupar da realidade. Até que senti. Rosas brancas. E sangue. O cheiro dele.

Mesmo à beira da inconsciência, mesmo me sentindo pesada demais, meu corpo reconheceu antes da minha mente. Abri os olhos no mesmo instante. O teto de uma cama dossel me encarava enquanto minha visão se acostumava à claridade. Aquilo foi o suficiente. Um olhar rápido ao redor e meu corpo entrou em um estado de alerta absoluto. Luxo demais. Silêncio demais. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa além de me sentar, senti o puxão nos pulsos, seguido por uma dor branca, cortante, que explodiu do metal para dentro do meu braço, como se meus ossos fossem de vidro.

A porta se abriu. Snow entrou. Sorrindo.

E, como uma lembrança cruelmente pontual, uma frase que Elowyn me disse anos atrás atravessou minha mente como uma lâmina: "Snow cai como a neve, Morrigan. Sempre por cima de tudo e todos. Mas nunca se esqueça…a neve derrete. E pode ser destruída."

— Morrigan Flanagan. 

Ouvir meu nome sair da boca dele fez meu corpo gelar. Ergui o olhar mesmo com a vista ainda turva, os pulsos latejando como se estivessem prestes a se partir. Snow caminha lentamente até mim, cada passo calculado. O único som no quarto era o ritmo dos passos dele e o tilintar de gelo no copo em sua mão.

— Fico feliz em ver que acordou — disse, com aquela educação viscosa, polida demais para não ser venenosa. — Eu estava começando a achar que sua alma selvagem tinha, enfim, se rendido ao peso das perdas.

Não respondi. Meu ódio ficou parado nos meus olhos, silencioso, bruto.

— Vamos evitar gritos, sim? — continuou, gesticulando suavemente para os cantos do quarto. — Essas paredes escutam demais. E temos tanto a conversar.

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⏰ Última atualização: Feb 02 ⏰

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